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O que deixaremos e pelo que merece a pena ser recordado?

Vou aventurar-me um pouco por lembranças que tenho de pessoas que já partiram ou de amigos que guardo no peito embora alguns deles não os veja faz anos,por circunstâncias diversas da vida.
Todos eles assim como eu temos enormes defeitos,inerentes à nossa espécie e algumas virtudes e qualidades.Mas, à distância, olho para os que já partiram e para os outros e lembro-me deles por detalhes de abnegação ou de bondade.Estas são de facto as qualidades em meu modesto entender pelas quais merece a pena sermos recordados por aqueles que privaram connosco.Isto basicamente se resume ao não egoismo e à aprendizagem de não pensarmos no "eu" de uma forma constante ao longo da nossa curta vida.
Quero entrar um pouco no campo da filosofia e dos legados culturais,influenciados muitas das vezes por dogmas advindos de conceitos religiosos e de outros que dão aos indivíduos a noção do certo ou errado ao longo de uma vida,muitas das vezes sem os mesmos se questionarem da validade dos mesmos.E para mim está aí a chave de muitas injustiças acerca do julgamento colectivo que se faz acerca de uma pessoa.Há que questionar os legados culturais,dissecar dogmas e tentarmos a nossa felicidade sem obviamente prejudicarmos os outros.
Porque determinado comportamento é aceite e outro não?
Porque um homem que tem algumas mulheres e uma mulher que tem vários homens são vistos pela sociedade e apelidados pela mesma de maneira diferente?É apenas um dos exemplos pelos quais devemos questionar as coisas que nos foram transmitidas ao longo dos tempos.Quem foi o legislador que defeniu isto assim?Não merece a pena o questionar permanente das coisas?Claro que sim...
Porque num determinado País um homem pode ter duas mulheres e na nossa é um crime hediondo ao nível de costumes?
Já conheci pessoas que tinham uma relação com duas pessoas abertamente, não o ocultando ,e com muito mais valor do que muitos que estão casados no papel vivendo uma vida dupla toda uma vida e que repudiam essa mesma vida dupla em público...
Parece piada tudo isto mas não o é!A vida é feita destas coisas...
Uma vez assisti a um filme que tocava a filosofia Budista tibetana em que um rapaz apaixonado estava muito triste porque a moça ia casar.
E ela respondeu-lhe que o amor maior dele seria ele um dia sentir-se feliz pela felicidade dela e não sentir-se triste por ela não ficar com ele.
Está aí a chave do não egoismo.
De facto,não somos donos de pessoa ou de animal nenhum,e vermos alguém feliz deve ser a nossa maior satisfação na vida.É nos momentos em que deixamos de parte o "eu",em que damos algo de nós sem interesse,em que tiramos alguém da lama literalmente,que o mundo se torna belo e isto aplica-se também ao viver entre casais.
Respeitar o outro como ele é e não como nós achamos que ele deveria ser.
Iremos sim,ser recordados pela positiva, pelo bem que fizemos,pelo que aqui e acolá deixámos da nossa marca de respeito pelos outros,pela caridade que fizemos e não por determinada soma de dinheiro que juntámos ao longo da vida.
Que o transformar faça parte da nossa vida e o questionar este mundo complexo,seus costumes,hipocrisias, também...

jose duarte
Enviado por jose duarte em 24/10/2007
Reeditado em 24/10/2007
Código do texto: T708614

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Sobre o autor
jose duarte
Portugal, 48 anos
63 textos (12815 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 24/10/17 00:59)