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A bomba Chinesa

- Um quinto da humanidade está sendo puxados pelos cabelos para fora da zona de miséria.

A entrada da força chinesa no capitalismo global será uma bomba com potência para produzir efeitos durante pelo menos, cinqüenta anos, capaz de desestabilizar ou até mesmo mudar a dinâmica da economia mundial.
Partindo de um patamar de miséria, a China conseguiu crescer à média de 9,9% nos anos 80 e 10,3% nos anos 90. A partir de 1980, anunciou reformas das instituições econômicas e políticas da China que levaram o país ao crescimento acelerado. Para as multinacionais que queiram instalar-se na China, o governo reduz os impostos, dá isenções, permite remessa total de lucros para o exterior. A carga tributária é baixa, os juros estão por volta de 5% ao ano e a inflação em torno de 1%.
A China é doze vezes mais rica hoje do que 25 anos atrás. Sua economia equivale a soma das existentes no Brasil, México e Rússia.
A China iniciou sua modernização em 1980, depois de trinta anos de aplicação de um estilo extremado de comunismo, que tinha chavões marxistas-leministas de uma lado e racionamento de gêneros alimentícios do outro. O trabalho físico era realizado com instrumentos medievais. As árvores eram consideradas simples combustível e os jardins, nada mais do que caprichos burgueses. O comunismo produziu um desastre econômico e ecológico na China.
A política estatal básica se concentrou na formação e aplicação de uma reforma e abertura completa ao mundo exterior. As lutas de classe foram substituídas pela luta em prol da produção e da produtividade, com clara distinção entre partido e Estado, com redução acentuada na estatização, trocando a crença em slogans ideológicos por incentivos materiais, estimulando a instalação de uma capitalismo extremado em certas áreas, com atenção especial para a atração de investimento estrangeiros.
Mao Tsé-tung morreu em setembro de 1976 e Deng Xiaoping foi devagar limpando o terreno para a aplicação daquilo que era sua idéia de "revolução".
Combina-se na China uma fórmula de abertura econômica com autoritarismo político. Hoje em dia, no país de 1,3 bilhão de pessoas, o regime só é comunista e igualitário na retórica, estimulando a instalação de uma capitalismo extremado em certas áreas, com atenção especial para a atração de investimento estrangeiros. As autoridades chamam esse modelo de "socialismo com características chinesas".
O fenômeno asiático é de crescimento econômico ultra-rápido com dimensões jamais presenciadas. Na China florescem indústrias de automóveis (o país abriga a terceira maior do mundo), fabricas de produtos eletrônicos (a China, com 350 milhões de assinantes, tem a maior quantidade de celulares no planeta), produtores de peças para o setor aeroespacial, computadores, têxteis, calçados.
Um quinto da humanidade está sendo puxados pelos cabelos para fora da zona de miséria.
Os chineses compram em supermercados de padrão ocidental e em shopping centers mais ricos (com as mais admiradas grifes internacionais) e maiores do mundo. Os chineses rodam em automóveis das marcas, Mercedes-Benz, BMW e Audi. Os aeroportos estão lotados de chineses tomando jumbos para viagens internas e na construção civil, elevam-se os mais altos edifícios do mundo, com arrojada arquitetura pós-moderna e restaurantes com culinária das mais sofisticadas e iguarias exóticas, como: serpentes; escorpiões e roedores, herança alimentícia da miséria onde tudo que se movia, se comia. Habitação popular, nas periferias enfileiram-se conjuntos de prédios de quarenta, cinqüenta andares para a massa trabalhadora. A China investe com volúpia na remessa de jovens talentos para doutorados no exterior. Além das redes públicas de ensino, foram abertas 1300 universidades privadas a partir dos anos 90.
O homem que está por trás dessa revolucionária mudança no status econômico da China não é normalmente colocado no panteão dos grandes estadistas do século XX, onde deveria estar.
Deng Xiaoping, herói da modernização chinesa, com pouco mais de 1,50 de altura, 92 anos, sem nenhum apreço por ideologias, nunca achou que um regime de liberdade política pudesse manter nos trilhos uma população de mais de 1 bilhão de habitantes.
Na China existe um conselho composto por nove homens, semelhante que compõem o Comitê Permanente do órgão político do PCC, o Politburo. Este, por sua vez, um organismo com 24 membros eleitos pelo Comitê Central do partido e que, além de assegurar a manutenção da linha do PCC, controla três outras importantes instituições: o Comitê Militar, o Congresso Nacional do Povo (o Parlamento) e o Conselho de Estado (o braço administrativo do governo). Como não há eleição para o Comitê Permanente, chegar a ele é mais uma questão de influência e apadrinhamento político. O funcionamento desse comitê é confidencial, mas alguns analistas acreditam que seus membros se reúnem com freqüência e muitas vezes discordam entre si. É raro, no entanto, que essas discussões "vazem". Os membros do Comitê Permanente também distribuem entre si os cargos de secretário-geral do partido, primeiro-ministro, presidente do Congresso Nacional do Povo e diretor do Comitê Central de Inspeção Disciplinaria.
Apesar de comparado com um parlamento nos moldes políticos ocidentais, o Congresso não é uma entidade independente, sem poderes concretos de modificar a Constituição nem criar leis.
Os novos membros do Politburo são escolhidos após uma rigorosa triagem, em que são investigados o passado, as opiniões e a experiência de cada candidato.
Outra entidade de extrema importância no governo chinês é o Conselho ou Comitê Militar, que possibilita ao PCC o controle sobre as Forças Armadas e seu arsenal nuclear.
Formado por onze membros, o Comitê toma todas as decisões relativas ao Exército Popular de Libertação, uma força de 2,5 milhões de homens. O Comitê também controla a Polícia Armada Popular, uma organização paramilitar.
O Ministério de Relações Exteriores do PRC é uma unidade governamental que está em carga de relações com outros países. Possui escritórios de relações exteriores em cada província, região autonôma e municipal diretamente sob o Governo Central, responsável para tratar relações exteriores naquelas localidades sob a liderança do Ministério Estrangeiro.
A China é o maior mercado do mundo e está na mira de todos os países exportadores, ganhando peso nas vendas brasileiras.  Nos últimos anos, a China comprou em média US$ 2,5 bilhão do Brasil e é hoje o quinto principal mercado do país. Mas as vendas estão centradas praticamente na agricultura. O Brasil representa apenas um pouco mais de 1% das compras chinesas.
Hoje, com uma reserva de 700 bilhões de dólares, é a China que financia o gigantesco déficit público americano, comprando títulos dos Estados Unidos.
=  matéria revista veja  http://veja.abril.com.br/310805/p_068.html de 31 ago. 2005
Plínio Sgarbi
Enviado por Plínio Sgarbi em 10/11/2007
Reeditado em 21/08/2011
Código do texto: T732168
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Sobre o autor
Plínio Sgarbi
Jaú - São Paulo - Brasil, 55 anos
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