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Guia prático de exorcismo machista - Dos 17 aos 25 anos

CAPÍTULO II - Dos 17 aos 29 anos

 Essa fase é um tanto mais complicada, é um misto de erupção hormonal e confusão sentimental que valha-me Deus.
 Uma coisa é certa, tanto para os meninos quanto para as meninas o sonho é o mesmo: A MAIORIDADE.
 Com ela podemos entrar em motel - com nossa própria identidade, podemos aposentar o R.G. falso - e podemos também tirar nossa Carteira Nacional de Habilitação.
 Metade da nossa independência tão sonhada, estamos a um passo de nos livrarmos dos pais nos fazendo pagar micos na frente das danceterias.
 Estamos estudando pro vestibular, sonhando com o primeiro dia na faculdade, naquela entrada cercada por veteranos lindos da Engenharia e Administração nos pegando como "bichetes".
 Nossas últimas férias na praia, aquele sol, o mar, as pernas jogando vôlei e futebol de areia e a noite o suco e sorvete a beira-mar... Perfeito!
 Seria, né?
 Tudo se encaminharia perfeitamente até que chegam os "carinhas", papo mole, sorriso esboçado, cheiro de perfume misturado com a maresia, maior clima e a "azaração".
 Sim, literalmente azaração,a partir daquele instante os dias e noites na praia já possuem companhia.
 O sol se torna mais quente, as estrelas brilham com mais força, nosso coração dispara feito bonequinho de corda que anda e podemos ouvir até a música de fundo "... numa noite de verão, numa praia, quatro semanas de amor..." Vá pra "putaqueopariu"...
 Tudo lindo e maravilhoso até o dia da despedida, e o mais incrível e surreal, é que geralmente a figura por quem já estamos completamente entregues, nunca mora na mesma cidade que moramos.
 Mora lá onde Judas perdeu as botas, quer dizer, as meias - porque as botas ficaram na cidade vizinha - e estava passando as férias na casa do primo.
 Lágrimas, sofrimento e dor, muita dor, senão fosse a santa faculdade!
 Esse exorcismo é do tipo levíssimo, amor de verão, logo passa, a certeza de rever o cabra passa a ser tão abstrata que o negócio mesmo é apostar as fichas nos garotos da faculdade, e nada de prestar pra Pedagogia e Psicologia, só tem mulher na sala, fiz essa besteira nas duas vezes que entrei na faculdade, resultado?
 Estou solteira... O que não deixa de ser interessante.
 Na faculdade, jogos de truco no bar e festinhas que pegam a semana inteira.
 Aquele veterano do 2° ano que "azarava" desde o primeiro dia e que continua azarando, ficadas daqui e de lá e vai ficando mais díficil resistir.
 Mas num belo dum dia, tcharammmm, eis que num encontro ao acaso andando por um shopping center, entre pilastras e vitrines, não é que o cabra ácompanha uma moça numa loja feminina?
 Mãe não pode ser, muito nova, irmã também não, muito velha...
 Aquele choro engolido e o olhar de raiva denunciando que viu a cena e entendeu direitinho o que se passa.
 Muita cara de pau, né?
 No dia seguinte na faculdade, a carinha de anjo a espera, passa pelo corredor, dá de ombros e ainda assim não contente ele a chama, a resposta é tão doce, sabe o dedo médio?
 Sim, ele mesmo, se quiser pode ser a tradicional banana com o braço.
 Celulares que tocam, telefones também, mas a ordem é ser dura e fria, ah... E sabe aquele amiguinho da mesma classe dele?
 Isso mesmo, aquele veterano que te deu maior cantada e cega de amor a primeira vista você nem quis saber, é a hora... O primeiro passo do exorcismo começa.

Continua...

SP 10/12/2005
 
 
HM Estork CCoelho
Enviado por HM Estork CCoelho em 10/12/2005
Código do texto: T83672
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Sobre a autora
HM Estork CCoelho
São Sebastião - São Paulo - Brasil, 41 anos
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8 e-livros (486 leituras)
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HM Estork CCoelho