Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Guia prático de exorcismo machista - Dos 26 aos 30 anos

CAPÍTULO III - Dos 26 aos 30 anos

Com o passar dos anos aprendemos que sempre  " aquele que com ferro fere, com ele será ferido".
Vingança que nos modifica o caráter, atitudes que nos diminuem como pessoas, são apenas métodos usados em situação de desespero e dor.
É ruím quando nos vemos no espelho e o reflexo é de uma mulher com orelhas de asno, no coração, a ferida gritante e que jorra sangue.
Momentos de profunda tristeza nos assola, embalados por alguma música linda - mas de fossa - tocando na rádio ou em algum CD - se for costumeiro esse sofrimento, vale mais a pena o CD - e a certeza de que um dia nem tão longe assim, não suportaremos ouvir mais aquela música, pois lembraremos com toda certeza desse amor sofrível.
Passamos a sentir um sofrimento mais cheio de identidade, aprendemos aos poucos que no mundo ninguém é de ninguém, que a paixão é sentimento de momento, que somente o amor é para sempre.
É a fase de nos perguntarmos até quando dura o para sempre.
O sentimento pela vingança existe, afinal somos seres humanos, suscetíveis as chagas de uma dor que nos corrói a alma, mas amadurecemos e sofremos com classe.
Com a mesma classe e razão com que vamos à tribunais fazer conciliações ou litígios por pensões alimentícias as quais os filhos têem direito depois do término do casamento.
Haja visto que muitos homens esquecem que a separação foi da mulher, não dos filhos, bem como se é preciso que a mulher tenha dignidade, não cobrando valores exorbitantes que seus filhos por certo levariam 20 anos pra gastar o que pede em um mês de pensão.
O exorcismo de repente nem é somente sobre o machismo, mas também sobre a decência de nós, mulheres.
O desespero talvez seja causador de feridas ainda mais profundas, de dores que não cessam nem com o tempo pelo alimento que lhes é dado, o rancor e mágoa.
Seria ultrajante pedir que sejamos suscetíveis ao perdão, uma vez que o perdão é divino e seja mera utopia entre seguidores zen.
Por outro lado um exorcismo maravilhoso nos casos de abandono, mentira, entre outras artimanhas do destino que nos cercam essa fase, é o subir num salto agulha 10, lindas e maravilhosas, perfumadas e desejadas, amando quem mais merece nosso amor, o reflexo do espelho.
Para eles é o fim do mundo, pois acabaram de sair de nossas vidas e lhes faz bem ao ego que estejamos abandonadas a mercê de um travesseiro inundado em lágrimas e sofrimentos e de preferência que estejamos escrevendo páginas e mais páginas de poemas desiludidos e de sofreguidão.
A melhor vingança é aquela que nos faz bem, não apenas ao ego, mas a alma, nos enriquece e nos engrandece enquanto seres humanos que possuem sentimentos e que amaram verdadeiramente um dia.
Chorar embaixo do chuveiro, segundo conselhos de uma amiga, faz bem, não nos incha os olhos e nos lava a alma também.
Olhar a natureza em volta, ainda que rara em cidades grande, faz com que enxerguemos a vida com outros olhos, que passemos a acreditar no amor maior, o amor próprio.
Não obstante sentimos uma ligeira recaída ao ouvirmos a voz, olharmos os olhos, mas não passa de engano, porque uma vez que se erra ou termina, não se volta mais.
Sigo uma analogia interessante - e nojenta - um relacionamento seria como um jantar magnífico, saboroso sendo apreciado num belíssimo local, enquanto a volta depois de um término seria como se vomitássemos esse jantar e tentássemos comê-lo novamente.
Por mais que fosse o jantar saboreado ontem, não tem o mesmo sabor.
Relacionamentos não voltam nunca com a delícia passada no presente que se tornara passado.
Incrivelmente eles não percebem e não entendem essa nova realidade, e sempre voltam, reaparecem, ressurgem como num conto de fadas - pra eles, porque pra nós... -.
Pedem desculpas, clamam por perdões dizendo o quanto estão arrependidos e assumindo o quanto erraram ao nos trair e nos magoar.
E eles teimam em reaparecer quando nos reestruturamos, nossos cacos restaurados, quando das cinzas nada mais sobraram do que o amor próprio.
Essa é a hora do exorcismo.
O olhar direto e certeiro (nada de recaídas agora), é o momento de estar no cume, da jogada de olhares de cima (seu posto) para baixo (o dele).
Encher o peito de ar, respirando profundamente a brisa do retorno.
Esboçar um ligeiro sorriso de satisfação nos lábios.
Mexer os cabelos perfumados e bem tratados, de maneira a deixar as unhas feitas e pinceladas em esmaltes da cor de seu espírito de vida.
É a hora de falar com voz firme, sendo segura o suficiente para direcionar-lhes um categórico... NÃO!!!
E isso nem é vingança, é apenas a lei da causa e efeito que se mostra presente num exorcismo de sofrimento... Por eles nos passado.


SP 14/12/2005




HM Estork CCoelho
Enviado por HM Estork CCoelho em 14/12/2005
Reeditado em 14/12/2005
Código do texto: T85855
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
HM Estork CCoelho
São Sebastião - São Paulo - Brasil, 41 anos
927 textos (49173 leituras)
8 e-livros (486 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/16 11:51)
HM Estork CCoelho