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Trucagens e Blefagens

e...
Imagens, Informações

O fato é que nossa mente é consumidora de tantas verdades, crenças e muitos pensamentos.
Cada individuo é que determinará o grau de "sentimento" ou importância nesse consumo.
O ser humano tem uma imaginação estupenda. Quando concebe algo, tem o poder de criar as formas mais incríveis de realidade. E como a vaidade nos leva a nos agarrarmos a nossas idéias, chegamos a acreditar veementemente nas informações, idéias e pensamentos vinculados e modelados.
Os homens sempre arrumam e procuram um jeito de se enganar de que podem viver em constantes devaneios, fugindo da realidade.
A lógica serve para evitar que as pessoas se entreguem a todo tipo de pensamento e sejam presas fáceis de qualquer idéia que apareça pela frente.
As pessoas raramente analisam as conseqüentes intenções das realidades forjadas. Os crédulos simplesmente aceitam tudo e ridicularizam a lógica e a razão.
Será que isso é bom para a raça como um todo?
Alguns indivíduos adoram a ordem que permeia o Universo. Sentem um delírio de encanto ante a imensidão do cosmo, a ordem e as leis que o regulamentam. Sentem grande prazer em descobrir tudo sobre esse cosmo.
Somente no ano de 1989 é que a aviação conseguiu projetar um avião de forma arredondada e achatada, com decolagem e aterrisagem, na vertical e horizontal, com velocidade supersônica e invisível aos radares. O avião bombardeio americano F117 Stealth, chamado de “Furtivo”, um veículo aéreo negro que parece o caça do Batman ou um daqueles OVNIs que alguns creditam ser modelo e obra nazista, isso nada mais do que informações de desvios de atenções.
A forma desse avião bombardeio americano é angulosa, lembra a de certos peixes e pássaros cujas pesquisas etológicas apontam serem aéreo e hidrodinâmicos. Ele rompe com o modelo dos designes convencionais no qual o objeto deve ter a forma da sua função. O furtivo encarna um mito tão antigo quanto Ulisses, também chamado de Odisseu: a esperança do cidadão se tornar furtivo e não ser visto por ninguém.
Um dos acontecimentos dos meios de comunicação mais bizarros ocorridos no século XX se deu quando, o ator e cineasta Orson Wells, então praticamente um desconhecido, apresentou em 1938 uma versão radiofônica de A guerra dos mundos. Muitos ouvintes, que ligaram o rádio após o início do programa, desconheciam que se tratava de uma dramatização do famoso romance de ficção-científica e acreditaram que aquilo que ouviam era, de fato, uma invasão real dos alienígenas.
Pânico, correria, desespero, histeria, tumulto, esse foi o saldo da transmissão de Orson Wells em muitas grandes cidades. A radiodifusão literalmente assustou muitos americanos, levando alguns até mesmo ao suicídio. Hoje os sistemas e meios de comunicação são mais avançados nesse consumo de informações, nesse grande comércio de interesses e intenções.
A máquina da comunicação, acompanhada de monopólios, traz inquietação aos cidadãos. Lembram as advertências feitas outrora por George Orwell e Aldous Huxley contra um mundo administrado por uma policia do pensamento?
Chega-se a imaginar, na era da informação escrita e visual, que só uma "guerra real" pode salvar da pressão informacional. Uma era em que dois parâmetros exercem uma influencia determinante sobre a informação, o mimetismo midiático e a hiperemoção.
O mimetismo é aquela febre que se apodera repentinamente da mídia, impelindo-a na mais absoluta urgência a cobrir um acontecimento sob o pretexto de que outros meios de comunicação lhe atribuam uma grande importância. Isso provoca um efeito bola-de-neve, os diferentes meios de comunicação se auto-estimulam, superexcitam uns aos outros e se deixam arrastar numa espécie de espiral vertiginosa.
Duas lógicas se defrontam para ilustrar informações: a da  imagem e a do zero imagem, definida pelos poderes. A primeira leva a abusos cada vez mais freqüentes como quando um corvo-marinho foi apresentado como uma gaivota do golfo, vítima da “maré negra” voluntariamente provocada por Sadam Hussein. Quanto ao “zero imagem” seria as autorizações necessárias para penetrar com câmeras em hospitais, prisões, casernas, asilos, etc.
Nesse meio há um produto que se chama de efeito paravento, que é um evento escondendo ao outro, a forjada informação ocultando a real informação para manipular e modelar pensamentos.
Nesse processo há  três maneiras de imagem e informação: a positiva, a negativa e a neutra, revelando assim o que impõe o sentido que o individuo dá as imagens e as informações.
No filme olhos de Serpente de 1998, nos mostra uma metáfora sobre a democracia americana, vista sob a perspectiva de um grande supermercado onde a mentira seria a lei, o diretor Brian De Palma mostra  a visualização desenfreada, a profusão de imagens e informações, a multiplicidade das provas.
O  único meio de que dispõe um cidadão para verificar se uma informação ou uma imagem são  verdadeiras é confrontar os discursos, os temas dos diferentes "pensadores".
Nas comunicações de massa, sempre houve distorções devido não só a reprodução em série de imagens e informações, como também devido a mentiras, trucagens e "blefagens".
É neste quadro ideológico que a equação ver "igual" compreender, toma o seu sentido e amplitude. Não obstante, a racionalidade moderna desde o século XVII, com as luzes e a revolução científica, desenvolveu-se contra essa idéia: não os olhos e os sentidos que permitem compreender, só a razão. Os sentidos enganam, o cérebro, o raciocínio, a inteligência. Portanto, só pode conduzir a irracionalidade e ao erro de pensamento.
Mas, Vivemos num universo burlesco e trágico, pode ser que, talvez, seja mesmo necessário e vital para a felicidade do mundo um pouco de idiotice, indispensável nas crenças em mitos invisíveis, objetos da imaginação.

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Baseado no livro:
A Tirania da Comunicação - Ignácio Ramonet
Plínio Sgarbi
Enviado por Plínio Sgarbi em 30/12/2005
Código do texto: T92115
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Plínio Sgarbi
Jaú - São Paulo - Brasil, 54 anos
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Plínio Sgarbi