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Preto de Alma Branca

O intelectual Vladimir Volkoff certa vez escreveu que o politicamente correto tal e como o conhecemos atualmente, representa a entropia do pensamento político. Como tal, é de impossível definição posto que carece de um verdadeiro conteúdo. Seu fundamento básico é aquele do “vale tudo”. Nele encontramos restos de um cristianismo degradado, de um socialismo reivindicativo, de um economicismo marxista e de um freudismo em permanente rebelião contra a moral do ego. Se compararmos a demolição do comunismo com uma explosão atômica, diríamos que o politicamente correto constitui a nuvem radioativa que acompanha a hecatombe.

Dias atrás, estava navegando pelos sites de músicas quando deparei-me com uma letra de Tião Carreiro e Pardinho com o titulo "Preto de Alma Branca".
Conhecemos várias considerações de preconceito racial (se realmente podemos classificar a Raça Humana em sub-raças) escondido nos ditados populares.
Conhecidos como “sabedoria popular”, os ditos populares e expressões foram e ainda são ingenuamente difundidos. Frases aparentemente inocentes, passadas através de gerações, esses ditos populares possuem postura que incita o menosprezo às pessoas de cor (se realmente podemos classificar o Ser Humano com cores). Nesses ditados pode-se até entender como eugenia pelos assíduos praticantes do tal do politicamente correto. Mas a grande questão não é ser de "cor": preto, amarelo, roxo ou cor-de-rosa. A questão em si reside na inexistência da consciência da igualdade universal e não apenas racial ou de classe.
Expressões que no passado eram encaradas com naturalidade, hoje são vistas como preconceituosas.
A expressão “preto de alma branca”, que é usada como um “elogio”, na verdade é uma afirmação muito racista, pois sugere que o negro pra ser aceito, pra ter qualidades deve portar-se como o branco. Também usa-se o oposto, a expressão “branco de alma negra”, usado para pessoas brancas que se portam mal, ou seja, se portam como “negros”, ditos inferiores e desonestos.
Tratar as pessoas com palavras que identificam a cor da pele ou a origem racial passou a ser politicamente incorreto. Com o passar do tempo, curiosamente, dizer que a pessoa era negra, amarela ou branca também passou a ser visto por alguns como tratamento preconceituoso. Então convencionou-se ao tratamento do politicamente correto como: Afro-brasileiro, nórdico, oriental.
Mas... também, se formos levar ao pé da letra o tal do politicamente correto, temos que abolir das redações o uso dos termos; judiar e denegrir, pois também, creio eu, são termos preconceituosos.
Alguém ouviu falar de algum palhaço que processasse um Presidente da República – sociólogo ou torneiro mecânico – por fazer palhaçadas e, assim, manchasse a sua honrada profissão circense?

Preto de Alma Branca
Tião Carreiro e Pardinho

Fazenda da liberdade quando o coroné vivia
Seus empregado e colono gozava de regalia
mas tudo que é bom se acaba cada coisa tem seu dia
foi numa tarde de maio o coroner falecia
um preto véio choro na hora que o caixão saía
era o peão mais antigo, que na fazenda existia

Com a morte do coroné seu filho ficou patrão,
mas não herdou do seu pai aquele bom coração,
mandou chama o preto velho e falo sem compaixão,
vou manda você embora, não tenho mais precisão,
preciso de gente nova pra cuidá das criação
foi mais um gorpe doído, na vida desse cristão, ai

No palanque da manguera o preto véio encosto
ali de cabeça baixa o seu passado relembro
de quantos boi cuiabano nos seus braços já tombô
quantos potro redomão sua chilena quebrou
um estalo na portera neste momento escutô
um pantaneiro furioso, na manguera penetrô, ai

A filha do fazendero sua prendinha querida
aquele anjo inocente brincava muito entretida
o preto saiu correndo com suas perna enfraquecida
parou na frente do boi quando ele deu a investida
Já na primeira chifrada a sua força foi vencida
pra sarvar a sinhazinha, ele arrisco sua própria vida

O fazendero correndo, cinco tiro disparo
derrubou o pantaneiro mas já não adianto
Abraçando o preto velho o coitado ainda falo
mande benzê a sinhazinha do susto que ela levo
eu preciso ir-me imbora minha hora já chego
e o preto de arma branca, desse mundo descansou, ai
Plínio Sgarbi
Enviado por Plínio Sgarbi em 17/04/2008
Reeditado em 18/04/2008
Código do texto: T949313
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Plínio Sgarbi
Jaú - São Paulo - Brasil, 52 anos
240 textos (197021 leituras)
21 áudios (3278 audições)
5 e-livros (488 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/10/14 15:52)
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