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Entrevista com João Evangelista Rodrigues

CLEVANE ENTREVISTA:JOÃO EVANGELISTA RODRIGUES

 

1)QUANDO A POESIA ENTROU EM SUA VIDA?E A FOTOGRAFIA?

 

Bem, a primeira vez que  senti vontade  de escrever um poema, tinha  14 anos. Mas a poesia mesmo, acho que esta me acordou bem mais cedo com o cantar dos galos e o cnato dos pássaros. Nasci na roça , em uma pequena fazenda dp interior de Minas. Aprendi bem cedo a liberdade do rio e do vento. Foi assim que  resisti a todas as tentativas  de domesticação, não deixei me metrificar nem pela  escola , nem pela família nem pelas outras formas  de  condicionamen to. Depois voltei a escrever aos 18 anos  e , daí para frente, nunca mais  parei. Vida e poesia  andam juntas  em mim, em cada  coisas que faço e penso, mesmo quando, aparetemente, não estou  pensando  nela  ou a ela me dedicando.Poesia é uma forma de ser.Uma visão de mundo. Forma de  sentir  e de se  manifestar  verbo-voco-visual. É solidariedade e comunhão com os seres, pessoas  e todas as  coisas  do planeta.Do cosmos. Já a fotografia, esta veio mais tarde, com a quase cegueira eo desejo de  pegar as formas, as cores de maneira  mais concreta. Foi a corporificação das imagens poéticas. Da poesia para a fotografia só tive  de aprender a manejar o equipamento.Tudo são maneiras  de escritas.De mergulhar  no mundo e revelar seus  contornos  e abismos  mais  sutis.

 

 

2)SENDO COORDENADOR DO CURSO DE COMUNICAÇÃO DA PUC DE ARCOS MG, COMO VC CONCILIA AS ATIVIDADES ARTÍSTICO LITERÁRIAS (FATOR TEMPO) À PRIMEIRA?

 

Acho que se dependesse  de tempo e de  conciliações , a poesia já teria me abandonado.Sou péssimo  amante, um namorado  afobado com as atribulações  e caprichos  do mundo. Mas  descobri  que a poesia me amava e , desde  então, procuro me dedicar a ela  sempre que posso.Nos intervalos.Acho mesmo que  a a vida  que vale  a pena  é vivida  nos intervalos, nos  vieses, nos  estreitos  dos dias da existência  curta  e demorada  que a  vida  assim tão tragicamente  transitória.Fotografo a poesia.

Diria que procuro  fazer   de cada poema  uma foto e  de cada foto um poema.Pelo menos é o que tenho tentado fazer.

 É esta luta  que me tem mantido vivo.

 

3)DENTRE SEUS LIVROS HÁ ALGUM ESPECIAL?

 Talvez o que  escreverei  algum dia. De verdade mesmo, gosto de todos, cada  um a seu tempo, a seu modo, por razões  as mais diversas. É através  de um que chego  ao outro. Penso , como  Jorge Luis Borges, só exista  um livro , todos os demais são  formas especulares, simulacros, sobras  em espelho  embaçado. São os livros  que  conseguimos realizar, por isso, acho importante amá-los , mesmo imperfeitos.

 

E AGORA,(APENAS SE QUISER FALAR DESSA CIRCUNSTÂNCIA, OK?)O QUE TEM SIGNIFICADO PARA VOCÊ TER PROBLEMAS DE VISÃO E DEDICAR-SE TÃO BRILHANTEMENTE ÀS CHAMADAS DE SUAS VOCAÇÕES(MÚSICA, TEATRO, LITERATURA, FOTOGRAFIA?)NO MUNDO ATUAL, ALGUNS FOTÓGRAFOS VÊM REALIZANDO TRABALHOS INCRÍVEIS, APESAR DA DV(*).VOCÊ TEM ACOMPANHADO ESSA TRAJETÓRIA?

 

Passado o susto inicial  e o período de adapatação levo uma vida normal. Até gosto de  ver as coisas  distorcidas, meio incompletas.Afinal é assim mesmo o conhecimento  humano. Aprendi muito com a promessa de cegueira- tinha trinta anos  e estava  concluindo o curso deJornalismo na PUC Minas e já havia  feito o curso de Filosofia : descobri que era limitado e que  precisava  conviver  com esses  limites. Depois  foi  me acostumando com as noramas formas  de  ver  e de agir  , de  esgueirar-me  por entre  as  quinquilharias  do mundo.As burocracias e os meandros dos podres poderes  são mais tortuosos e traiçoeiros. Recebi  muita  solidarieade  de amigos  e, com isso, nem  no dia  que foii ao oculista e que fiz a sirugira deixei de escrever.Comecei a ir m ais ao teatro, às palestras, às  apresentações muisicais.A conversar  mais  com as  pessoas. Descobri as formas  das  coisas, passei a me  deter mais  nas formas,  nas cores, na textura.Descobri, enfim, que tinha ouvidos, olhos , tato  e paladar.

Mais tarde  descobri Jorge Luis Borges, Milton.Reparei que  vários  escritores  importantes  eram ou ficaram cegos e , portanto, resolvi que a vista  não seria  o problema.O problema mesmo era  a escritura. O texto.

Resisti  ao computador  um pouco como quase todos  de minha geração depois  descobri nele  enermes  possibilidades. Assim, vi nele um aliado. Leio muito todos os dias.Se a letra for pequena  amplio  tanto na tela do monitor  quanto no papel através  de  xerox.Às vezes  tiro xerox do livro inteiro.Compro , tiro xerox ampliado e leio.Adeus direitos autorais, mas , pelo menos neste caso , a razão é justa.,

Não ´é por acaso que existem vários verbos  para  designar  os atos da visão: ver, enxergar, intuir e olhar. Quer souber  ler  que leia.Tenho acompanhado sim e acho  legal que  as  pessoas se mostrem como  são e não se envergonhem  e não se  excluam por si mesmas. Precisamos mesmo abrir as janelas  todas  da  alma e ver  de corpo inteiro a corporificação transfiguradora e tranasfigurada  de tudo que nos rodeia.

É preciso esclarecer, entretanto, que , atualmente, minha visão  pouco me  atrapalha.Só mesmo se as letras forem muito pequenas  ou condensadas, como adora  as editoras ávidas por lucro .No mais faço de tudo ando de bicicleta- e muito – jogo , nado  e corro . Cobro às vezes  das pessoas  arrogantes e auto-suficientes, daquelas  que, por  vários motivos, se consideram muito normais.

Um grande abraço.

 

João Evangelista Rodrigues

 

 

(JOAO,ESSA ÚLTIMA PERGUNTA,RESPONDA APENAS SE O DESEJAR, POIS SEI QUE A DV NADA SIGNIFICA EM RELAÇÃO À EXCELÊNCIA DE SUA OBRA)...

 

UM ABRAÇO CORDIFRATERNO,DA

CLEVANE


 

(*)DV:Deficiência visual

clevane pessoa de araújo lopes
Enviado por clevane pessoa de araújo lopes em 12/10/2005
Código do texto: T58925

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Sobre a autora
clevane pessoa de araújo lopes
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 69 anos
555 textos (176695 leituras)
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