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Entrevista sugerida pelo boaleitura.multiply.com

1 - Qual o livro que você mais relê?

Tender Is The Night", F. Scott Fitzgerald

2 - E que livro relido ficou melhor?

Qualquer coletânea de contos do Edgard Allan Poe.

3 - Dê exemplo de livros injustiçados que, apesar de muito bons, nunca foram devidamente louvados.

"TO KILL A MOCKINGBIRD", de Harper Lee (o filme é famosíssimo, mas o livro é melhor); qualquer um do H. P. Lovecraft.

4 - Cite um livro decepcionante, que frustrou suas melhores expectativas?

"Paris no Século XX", de Jules Verne.

5 - E um livro surpreendente, isto é, bom e pelo qual você não dava nada?

"The Mists of Avalon", Marion Zimmer Bradley.

6 - Há cenas marcantes na boa literatura. Cite duas de sua antologia pessoal.

Dick Diver no deck do hotel vê sua ex-esposa, agora casada com seu ex-melhor-amigo, andando na praia e os abençoa de longe, discretamente... (tender is the night); a conversa final entre o professor e o personagem principal, filosofando sobre a vida, em "The Catcher in The Rye", de J.D. Salinger).
 

7 - Há personagens tão fortes na literatura que ganham vida própria. Cite os que tiveram esta força na sua imaginação de leitor?

Dick Diber e Nicole (Fitzgerald again), Morella (Poe), Morpheus (Sandman), Gandalf (Lord of The Rings), a boneca Emília (Lobato).
 

8 - Qual o livro bom que lhe fez mal, de tão perturbador?

Qualquer um do Marcelo Mirisola, e isso é muito salutar na literatura dele.
 

9 - E qual o que lhe deu mais prazer e alegria

Toda a série do Sítio do Picapau Amarelo, do Lobato, e a imensa maioria dos livros de Jules Verne.

10 - E o que mais lhe fez pensar?

"A Era dos Estremos", eric Hobsbawn

11 - Cite...

a) um livro meio chato, mas bom

Qualquer um do Machado de Assis - que é chato, mas é bom.

b) um livro que você acha que deve ser muito bom mas que jamais leu

Ulysses, de Joyce, deve ser bom, mas nunca cheguei ao final. O mesmo com Proust, qualquer cousa de Proust.

c) um livro que não é um grande livro, apenas simpático

"A Tree Grows in Brooklyn", by Betty Smith. Um clássico americano do pós-guerra, best-seller na época, não sei se tem tradução em português.
 
d) um livro difícil, mas indispensável

"Dom Quixote", de Cervantes

e) um livro que começa muito bem e se perde

"The Rule of Four", este best-sellerzinho que tá fazendo sucesso hoje em dia...

f) um livro que começa mal e se encontra

"Gabriela Cravo e Canela", de Jorge Amado

g) um livro que valha apenas por uma cena ou por um personagem, ainda que secundário

O superestimado "Catcher in the Rye", pela cena da resposta nº 6.
 
12 - Qual o início de livro mais arrebatador para você?

As cenas da Côte D'Azur em "Tender is the Night", once more.

13 - De que livro você mudaria o final? Como?

De qualquer um que não tenha preparado bem o plot em direção ao final. Não adianta mudar o final, ele "vem" naturalmente. Quando o final é ruim, o livro todo é.
 

14 - Que livros ficariam muitos melhores se um pedaço fosse suprimido?

Quase todos.

15 - Que livros que não têm nada a ver com você, até contrariam algumas de suas convicções e que ainda assim você considera bons ou recomendáveis?

Qualquer coisa de Lutero, Marx e Olavo de Carvalho.

16 - A literatura contemporânea é muito criticada. Cite livro (s), escrito (s) nos últimos dez anos, aqui ou no mundo, que mereça (m) a honraria de clássico (s) ou obra-prima (s).

"The New York Trilogy", Paul Auster. Ou "High Fidelity", Nick Hornby. Com certeza, a série "A Torre Negra" de Stephen King.
 

17 - Por falar em clássicos. Para que clássico brasileiro de qualquer época você escreveria um prefácio daqueles que incitam a leitura?

"Dom Casmurro" é um primor, o único livro do Machado de Assis que dá prá aturar. O resto é só o relato de um bando de burguesinhos babacas e suas vidinhas medíocres no Brasil babaca e medíocre do século XIX. Dom Casmurro é perfeito, mas você só entende quando já viveu um pouquinho mais, sofreu de amor, de desilusão e de dor de corno. Já "Mar Morto" e "Tenda dos Milagres" são a prosa brasileira mais saborosa que já se criou. Todo mundo deveria começar a ler os clásicos brasileiros por eles.

18 - Cite um vício literário que considere abominável.

Ler o final do livro antecipadamente. Por isso coloquei o posfácio de meu livro de contos em minha homepage - só por um tempo, é claro. Quem quiser, que compre. Como o livro só está à venda na web, não dá para folhear, lersó o final e sofrer de ejaculação precoce mental.
 

19 - E qual a virtude que mais preza na boa literatura?

"Nua, a verdade é belíssima, e a impressão que causa é tanto mais profunda quanto mais simples é sua expressão; em parte porque, nesse caso, ela ocupa sem dificuldades toda a alma do ouvinte, que não é distraído por nenhum pensamento secundário; em parte, porque ele sente que não foi corrompido ou iludido por nenhum artifício retórico, e que o efeito inteiro advém do assunto em si."

(Arthur Schopenhauer, “Sobre o Ofício do Escritor”, © Martins Fontes 2003)
 
20 - De que livro você mais tirou lições para seu ofício?

De meu romance ainda inacabado. Como é difícil!

21 - E que a frase ou verso que escolheria como epígrafe desta entrevista?

"Ou melhor: que olhemos pro lado e enxerguemos alegria, que reine a fantasia! acima dos castelos de areia, das metáforas intermináveis, da timidez inapelável, do tesão que assombra amizades, da pressa que corrompe a teia lentamente elaborada das afinidades eletivas, da ansiedade que embota as relações, dos grilhões que definem certo e errado. Boonoonoos. Maravilhoso. Nirvana na terra."  (trecho de meu livro "boonoonoos")
Renato van Wilpe Bach
Enviado por Renato van Wilpe Bach em 10/12/2005
Código do texto: T83447
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Sobre o autor
Renato van Wilpe Bach
Ponta Grossa - Paraná - Brasil
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Renato van Wilpe Bach