O que serás?

Vens...

E, quando estás aqui realizas feitos de coisas, sabores, amores.

Dos feitos espargem-se centelhas, às vezes farrapos, às vezes poesias.

Mas, não te vemos fazer tuas coisas.

Teus feitos, às vezes etéreos, às vezes concretos, nada permanentes..., sussurros, em meio às coisas mesmas.

Mas, estás lá, andarilho andante, quase nada, que marca sem ser visto... Precisa ser descoberto por sentir..., que, esvai-se sem deixar-se capturar, mas estás em nós, podemos ter-te.

Ouvimos a ti no farfalhar das folhas secas ao vento, no zumbidos dos insetos, no bater de asas dos passarinhos, no barulho das gotas da chuva, no lusco-fusco da luz – passas – és movimento.

Mistério do ser em corpo sensível que pode ser um transcender.

Como veio, vais...

E do que fizeste ficaram, apenas, indícios, como folhas secas, pra lá e prá cá,

Levadas pelo vento.

Foi-se sem ir, porque estás em algum lugar a nos espreitar... Lendo-nos, possuindo-nos, sem que permitamos – és o mistério. Qual?

Foi-se sem ser para sempre. Voltarás.

Se é que não estás aí.

O que serás?

Francisca de Assis Rocha Alves
Enviado por Francisca de Assis Rocha Alves em 28/12/2013
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