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Funções da Linguagem

      “Pra que tanta coisa pro mesmo assunto?”, Me perguntam quando esse assunto chega.
      Muitos insistem em ver as coisas da forma mais difícil... Então, Para essas pessoas confusas, tentarei mostrar o atalho para o outro lado.
      Basicamente, para que uma fala se torne uma conversa, você precisará do CREMe ReCa:
      Código;
      Receptor;
      Emissor;
      Mensagem;
      Referente;
      Canal;
      Não dá até vontade de passar esse creme no corpo todo? [¬¬’]
      Explicando cada um deles:
      Para que se tenha uma conversa, é preciso de alguém para falar (ou fazer sinais), ou seja, precisamos de um agente EMISSOR;
      Se alguém fala, deve haver outro para escutar, é aí que entra o RECEPTOR;
      Se falamos, precisamos falar sobre alguma coisa... Precisamos de um assunto... Precisamos de um REFERENTE, que será passado na forma de uma MENSAGEM;
      Uma mensagem deve ser organizada para ser entendida, então usamos o CÓDIGO;
      E tudo isso é transmitida por um CANAL.
      Calma! Agra pare um pouco e respire... Isso... Muito bom.
      Até aqui tudo bem?
      Então sigamos em frente:
      Cada ingrediente do creme possui uma função... Que é o tema dessa “aula”.

      Função Emotiva / Função Expressiva
      Quando a conversa está focada no EMISSOR, temos a Função Emotiva, ou Função Expressiva (escolha qual te agrada mais). Ela está baseada em “achismos” do Emissor, que não pára de falar de si mesmo. Ex:
       “Você está bravo?”
      Pode parecer que o enfoque é no Receptor, mas é apenas uma opinião do Emissor. Poderíamos redizer como “Acho que você está bravo.” sem perda alguma de efeito. Tanto é que podemos receber a resposta: “Impressão sua.”.
      Como é o caso da música Detalhes do Roberto Carlos:
       “Não adianta nem tentar
      Me esquecer
      Durante muito tempo em sua vida
      Eu vou viver
      Detalhes tão pequenos de nós dois
      São coisas muito grandes pra esquecer
      E a toda hora vão estar presentes
      Você vai ver.”
      Apesar de parecer que está falando do outro, na verdade, o narrador não para de falar dele.

      Função Conativa / Função Apelativa
      Mas se a conversa está com a luz no RECEPTOR, criamos então a Função Conativa ou Função Apelativa (tembém fica a seu critério). Essa função tem a intenção de despertar uma emoção ou um efeito. Ex:
       “Vá para o...!” ou “Vá tomar...!” ou “Morra!” ou “Compre x!” “Faça y!”...
      Muito utilizada na publicidade (embora esse tipo de abordagem está deixando de ser usada diretamente), a Função Conativa tenta fazer com que o Receptor desperte certa emoção em si.
      Quem não se lembra da antiga propaganda do chocolate da Garoto: “Compre Batom”, que ficava ecoando até o fim dos tempos?

      Função Referencial
      Mas, vamos supor que o foco não está nem em mim, nem em você. Digamos que fazemos como o jornal faz: leva o foco para o REFERENTE (assunto). Surge, então a Função Referencial.
      Como exemplo, lembre-se das fofocas (as grandes amigas fofocas). Quando você conta, conta sobre alguém, sem intrometer a mim, nem a você (geralmente).

      Função Metalinguística
      Sempre que temos uma coisa falando dela mesma, temos a Função Metalinguística, que está sempre focada no CÓDIGO.
      Dicionários, manuais de instrução, críticas... São todos exemplos de metalinguagem.
      Outro exemplo bem bacana de Metalinguagem é quando falamos uma coisa, mas o outro não entende e nos pede para explicar de novo, então falamos da MESMA coisa, mas com outras palavras...
      Essa repetição foi a Metalinguagem.

      Função Fática
      Pense em algo que não tem importância nenhuma. É a Função Fática.
      Essa função acontece quando estamos focados no CANAL... Para saber se estamos tendo contato. Ex:
       “Oi.” “Alô?” “Bom dia.” “Tá frio, né?”
      Não venha me falar que “bom dia” não é pra testar! Se você está indo para algum lugar importante, passa pela rua, diz bom dia a alguém, e essa pessoa para pra falar com você, você VAI ficar bravo, ou impaciente, pensando “foi só um cumprimento... Vá embora...”.
      Esse tipo de linguagem é apenas para saber se estamos sendo ouvidos (se está havendo comunicação): “Oi”, seria: “está me escutando?”; “Alô”, “tem alguém que pode me ouvir do outro lado?” etc.
      Tudo bem, não é algo TOTALMENTE inútil... Só não tem importância.

      Função Poética
      Aqui, a MENSAGEM está na mira.
      Como já disse, a mensagem é a forma como organizamos um Assunto. A Função Poética é a forma como organizamos a Mensagem. Quando o modo como as palavras constroem o texto ocupa o primeiro plano de nossa atenção, desabrocha a Função Poética. Ex:
       “Sonhei com o mar, sonhei com Omar.”
      Vale lembrar aqui que não é toda poesia que possui essa Função. Há MUITAS que não a contém.
     
      Então terminamos com:
      Código [Função Metalinguística (uma coisa fala dela mesma)]
      Receptor [Função Conativa ou Apelativa (modo publicitário)];
      Emissor [Função Emotiva ou Expressiva (achismos de quem fala)];
      Mensagem [Função Poética (modo de organização da mensagem)];
      Referente [Função Referencial (modo jornal)];
      Canal [Função Fática (inútil)];
      Alguma dúvida?
      Não? Ótimo.
      Até a próxima.
Jowjow
Enviado por Jowjow em 03/10/2010
Reeditado em 03/10/2010
Código do texto: T2535743

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Sobre o autor
Jowjow
Birigui - São Paulo - Brasil, 22 anos
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