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Os ‘pobrema’ dessa Língua ‘istão’ nas tantas ‘opção’

Ai que essa Língua nos mela a todos! E a você, não? Ontem recebi um comentário supimpa, comentário do tipo que eu adoro receber (falo sério, sem ironias), desses que eu chamo de ‘comentário produtivo’, porque estimula a pensar, pesquisar e escrever mais e melhor. Se bem que todo e qualquer comentário que me faça ‘ler’ meus textos com outros olhos é sempre muito bem-vindo e que venham muitos, muitos mais! Obrigada, Américo Paz.

Pois bem, a seguir o texto original, o comentário e algumas considerações no meu processo de auto-revisão:

Bluemaedel no Face

Esta semana, abri uma conta no Facebook; a contragosto, claro, mas tive que fazê-lo. Queria ter acesso a certas coisas que estão lá dentro e divulgar mais o meu trabalho, coisa imprescindível pra quem só publica na Internet, como eu. Quando comecei a escrever no Bluemaedel, entre 2007 e 2008, eu não tinha nenhuma pretensão literária. Daí comecei a fazer cursos na área, fui me interessando cada vez mais pela arte e, aos poucos, fui vendo minha escrita e propósitos se transformarem. E se antes eu não pensava tanto num público, agora tenho que pensar mais. Escrever é bom, o chato é ter que divulgar o que se escreve e como Isabel Allende gosta de declarar: no me gusta hacer gira de libros. O escritor que faz tudo sozinho - cria, edita, revisa e publica - tem que também passar pela prova da divulgação. Daí a necessidade das mídias sociais. Por outro lado, sociabilidade em demasia pode pôr a arte em risco: quanto mais introspectivo o autor, melhor é sua escrita, ou seja, tudo tem que se balancear, meu escritor interno é um ermitão convicto e eu não posso querer mudá-lo, sob pena de não ter mais razão para escrever. Bom, é isso! E já que não posso abrir mão das mídias sociais, tentarei aproveitá-las o melhor. Vamos ver se consigo!

04/09/2012 15:43 - Americo Paz
Obrigado dona "SEITA", você bem que podia ler os outros também, né? Agora pensando em retribuir, APENAS isso, ok? "Esta semana, abri uma conta no Facebook; a contragosto, claro, mas TIVE [OBRIGAÇÃO, NECESSIDADE] DE fazê-lo. Queria ter acesso a certas coisas que estão AÍ e divulgar mais o meu trabalho, coisa imprescindível PARA quem só..... (fui me interessando cada vez mais pela arte e, aos poucos, fui vendo minha escrita e propósitos se transformarem. FUI interessando-me). [Sugestão agora] "Fui interessando-me cada vez mais pela arte e, aos poucos, VI minha escrita e propósitos SE TRANSFORMANDO) "...agora TENHO DE pensar...,o chato é TER DE divulgar... o escritor É QUE faz tudo sozinho....TEM também DE passar pela prova.... tudo TEM DE .... sob pena de JÁ NÃO TER razão para escrever....." (Eu a aguardo nas minhas páginas de Gramática e Ortografia).Mais uma vez obrigado.

Agora, uma análise informal sobre algumas destas questões:

I) Quanto ao uso de ‘TER QUE’ ou ‘TER DE’ encontrei um ponto de vista muito interessante no endereço:
http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/consultorio/ter-de-fazer-ou-ter-que-fazer/

Parece que tanto um quanto o outro podem ser considerados corretos, tanto faz. Porém TER DE soa arcaico e parece mais regionalismo do que TER QUE, sei lá.

Como estudante na área de Lingüística, sei que as línguas são sistemas dinâmicos, portanto o que era considerado correto em mil novecentos e carne de sapo não significa que ‘tenha que’ ou ‘tenha de’ permanecer como era, está ou foi (exageros exagerados, só pra acordar o leitor). Lembrando que, quem realmente manda nas línguas são os povos que as usam, quer queiram os puristas, quer não. Esse é o caso nos 'causos' de regência, em minha humilde-simples e estudantil opinião.

II) “(...) fui me interessando cada vez mais pela arte e, aos poucos, fui vendo minha escrita e propósitos se transformarem.” VERSUS “(...) fui interessando-me cada vez mais pela arte e, aos poucos, VI minha escrita e propósitos SE TRANSFORMANDO)"

O que, de fato, eu quis dizer com essa frase? Vejamos:

1) “Fui ME interessando” ou “fui interessando-ME”, a segunda também me soa melhor. Aceito!

(...) , fui interessando-ME cada vez mais pela arte e, aos poucos, fui vendo minha escrita e propósitos se transformarem.

2) “VI” ou “FUI VENDO”
a) “Vi” destaca a ação, concluída, passada, pontual e eu não sei quando exatamente passei a ver as mudanças na minha escrita, só sei que foi lentamente.

b)“Fui vendo” destaca o processo, iniciado no passado em momento não determinado. Esta construção nos dá idéia de gradação ou continuidade, não é mesmo? E se isto estiver mesmo correto, ‘fui vendo’ traduz melhor o que eu pensei na ocasião.

3) "Se transformarem" ou "transformando-se"?
Fui vendo O QUÊ se transformar EM QUÊ? Fui vendo MINHA ESCRITA se transformar - infinitivo pessoal - EM ALGO NOVO, oras.

Mas não foi só a escrita, foram os propósitos também, daí ‘se transformarem’, infinitivo pessoal flexionado.

Porém, o uso do gerúndio parece mais elegante, e não altera o que eu quis dizer. Estaria correto?

a) (...) , fui interessando-ME cada vez mais pela arte e, aos poucos, FUI VENDO minha escrita e propósitos SE TRANSFORMANDO (em algo diferente).

b) (...) , fui interessando-ME cada vez mais pela arte e, aos poucos, FUI VENDO minha escrita e propósitos TRANSFORMANDO-SE (em algo diferente).

Mas eu não quero a continuidade. Daí, opto, outra vez, pelo infinitivo pessoal:

c) (...) , fui interessando-ME cada vez mais pela arte e, aos poucos, FUI VENDO minha escrita e propósitos SE TRANSFORMAREM (em quê? Em algo diferente, claro).

III) Em “o escritor É QUE faz tudo sozinho....”, o colega, ao que parece, leu muito rapidamente:

“O escritor QUE FAZ TUDO SOZINHO - cria, edita, revisa e publica - tem que também passar pela prova da divulgação.”

Quem tem que passar pela prova da divulgação? O ESCRITOR, esse coitado que não tem com quem contar.

Há vários tipos de escritores: aqueles que têm ajuda de outros profissionais - editores, revisores, agentes etc –, fato que me faz seriamente duvidar de que sejam mesmo escritores, e aqueles que não contam com ninguém, arcam com tudo sozinhos; refiro-me a escritores do segundo tipo, ou seja, não pude fugir à qualificação.

IV) “JÁ NÃO TER” soa mais elegante que “NÃO TER MAIS”, bem como tanto faz ALI ou LÁ, naquele lugar. Aceito!

Mais alguma coisa? Nossa, como eu queria ter mais tempo para escrever... Como não tenho, vai uma citação:

“Do ponto de vista do autor, as boas traduções de seus livros são aquelas que ele não pode ler, em meu caso a imensa maioria. Negação que sou para línguas, a começar pelo português — escrevo em baianês, língua decente, afro-latina — só posso ler em francês e em espanhol, em italiano com dificuldade, dicionário à mão, e acabou-se o que era doce.” Jorge Amado, Navegação de Cabotagem.

Não esqueçamos, escritores, que as línguas são para os homens e não os homens para as línguas – e as mulheres também!

Em se tratando de línguas, há casos e ‘causos’ e em caso de erro crasso, a gramática é amiga e nos poupa discussões. Mas em se tratando de estilo, discutir é muito bom - para isso servem as 'oficinas de escritores', não?

E o texto? Por enquanto, uma nova versão fica assim:


Bluemaedel no Face

Esta semana, abri uma conta no Facebook; a contragosto, claro, mas VI-ME OBRIGADA A fazê-lo: queria ter acesso a certas coisas que estão ALI e divulgar mais o meu trabalho, coisa imprescindível PARA quem só publica na Internet, como eu. Quando comecei a escrever no Bluemaedel, entre 2007 e 2008, eu não tinha nenhuma pretensão literária. Daí comecei a fazer cursos na área, fui interessando-ME cada vez mais pela arte e, aos poucos, FUI VENDO minha escrita e propósitos SE TRANSFORMAREM. E se antes eu não pensava tanto num público, agora TENHO QUE pensar mais. Escrever é bom, o chato é TER QUE divulgar o que se escreve e como Isabel Allende gosta de declarar: "no me gusta hacer gira de libros". O escritor QUE faz tudo sozinho - cria, edita, revisa e publica – NÃO ESCAPA À prova da divulgação. Daí a necessidade das mídias sociais. Por outro lado, sociabilidade em demasia pode pôr a arte em risco: quanto mais introspectivo o autor, melhor é sua escrita, ou seja, tudo DEVE SER BALANCEADO, meu escritor interno é um ermitão convicto e eu não posso querer mudá-lo, sob pena de JÁ NÃO TER razão para escrever. Bom, é isso! E já que não posso abrir mão das mídias sociais, tentarei aproveitá-las o melhor. Vamos ver se consigo!

Repito: obrigada, Américo, de verdade! :-)


P.S.: não sou especialista em Língua Portuguesa, sou apenas uma escritora que vem tentando escrever cada vez melhor.
Helena Frenzel
Enviado por Helena Frenzel em 05/09/2012
Código do texto: T3866874
Classificação de conteúdo: seguro

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