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10 de junho - DIA DE CAMÕES, DIA DE PORTUGAL, DIA DA LÍNGUA PORTUGUESA

 
Luís Vaz de Camões, pai da Língua Portuguesa, autor de OS LUSÍADAS - uma das mais importantes obras do Renascimento - escreveu uma obra lírica que reconstitui cenas e quadros da vida popular de sua época através de canções, odes, elegias, cartas e autos-comédias. Abaixo alguns sonetos escolhidos para comemorar o seu dia:
 

SONETO 2 (13-19)
 
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
 
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
 
E se vireis que pode mercer-te
Alguma coisa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te.

  Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou..
 

SONETO 4 (...-81)
 
Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
 
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder;
 
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor
É ter com que nos mata lealdade.
 
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
 
 
SONETO 7 (46-51)
 
Apolo e as nove Musas, descantando
Com a dourada lira, me influíam
Na suave harmonia que faziam,
Quando tomei a pena começando:
 
- Ditoso seja o dia e hora, quando
Tão delicados olhos me feriam!
Ditosos os sentidos que sentiam
Estar-se em seu desejo traspassando! -
 
Assim cantava, quando Amor virou
A roda à esperança, que corria
Tão ligeira, que quase era invisível.
 
Converteu-se-me em noite o claro dia;
E, se alguma esperança me ficou,
Será de maior mal, se for possível.
 

SONETO 45  (53-57)
 
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
 
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve...) as saudades.
 
O tempo cobra o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim coverte em choro o doce canto.
 
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
 
 
 
SONETO 54 (38-43)
 
O cisne, quando sente se chegada
A hora que põe termo a sua vida,
Música com voz alta e mui subida
Levanta pela praia inabitada.
 
Deseja ter a vida prolongada,
Chorando do viver a despedida;
Com grande saudade da partida,
Celebra o triste fim desta jornada.
 
Assim, Senhora minha, quando via
O triste fim que davam meus amores,
Estando pôsto já no extremo fio,
 
Com mais suave canto e harmonia
Descantei pelos vossos desfavores
La vuestra falsa fe y el amor mío.
 
 
SONETO 74 (...-83)
 
- Que levas, cruel Morte? - Um claro dia.
- A que hora o tomaste? - Amanhecendo.
- Entendes o que levas? - Não o entendo.
- Pois quem to faz levar? - Quem o entendia.
 
- Seu corpo quem o goza? - A terra fria.
- Como ficou sua luz? - Anoitecendo.
- Luzitânia que diz? - Fica dizendo:
“Enfim, não mereci Dona Maria”.
 
- Mataste quem a viu? - Já morto estava.
- Que diz o cru Amor? - Falar não ousa.
- E quem o faz calar? - Minha vontade.
 
- Na Côrte que ficou? - Saudade brava.
- Que fica lá que ver? - Nenhuma coisa;
Mas fica que chorar sua beldade.
 

* * * * *
Fernando Tanajura
Enviado por Fernando Tanajura em 10/06/2006
Reeditado em 10/06/2006
Código do texto: T172985
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Fernando Tanajura
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