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Para a minha amiga Josy
Geada

A vida sorria fácil
naqueles tempos distantes
doía os ossos, castigava
mas eu corria e gostava
de ver os campos tão brancos!

Os pés tão amortecidos
e da barra do vestido
caíam gotas geladas
mesmo assim muito eu sorria
sem querer pra mim mais nada.

-Você é besta, menina!
dizia a mãe na cozinha.
-Vem pra perto do fogão
esquenta o rosto e a mão
está roxa a tua carinha.

Mas eu não vinha.
Algum dia eu não teria
minha geada na porta
nas terras da maresia
ela não vem e não volta.

E eu sabia...
decerto que eu sabia!

Que mais dia menos dia
pra ver os campos queimados
tão brancos e tão gelados...
de lá de Flores da Cunha
minha doce amiga menina,
algum dia me mandaria
pra alimentar as lembranças
do meu tempo de criança:
geada em fotografia!

Santos, 24.05.2006


Tere Penhabe
Enviado por Tere Penhabe em 05/08/2006
Código do texto: T209644

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Sobre a autora
Tere Penhabe
Santos - São Paulo - Brasil, 61 anos
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