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Na vida nem sempre as coisas acontecem como a gente quer ou imagina... 

Pais... Como homenageá-los?!

Dia dos Pais para mim era uma data esquisita, fria, distante, sem nenhuma criatividade ou envolvimento e tão forçada que não cabia na minha concepção de homenagens, festas, presentes. Tenho que confessar que o relacionamento, no meu caso, pai/filha, nunca foi dos melhores. Imaginem um trilho de trens... Andávamos paralelamente, convergência? Jamais. Divergências? Todas. Proibições, sempre!

O desejo era ardente por enxergar esse dia com outros olhos, com outro sentimento e do fundo da minha alma me pus a labutar. Que trabalho!... Envolveu crescer, perdoar, ver qualidades, enfeitar as virtudes e apagar defeitos, rusgas e divergências e, sobretudo perdoar, perdoar, perdoar e amar, amar e amar.

PAIS, todos são homens, feitos de carne, osso, alma, têm sonhos, frustrações, mas, em geral, reza a tradição que PAI tem de ser um cara durão, autoritário, dono da verdade, intransigente. PAI amoroso, docinho, beijoqueiro, nem sempre é visto com bons olhos, mas graças a Deus existe...

Ainda pequenos, não me perguntem por que, transformamos esses homens em super-heróis, figuras idealizadas e ao crescermos somos surpreendidos, pois constatamos que, como nós, eles são seres em constante crescimento, desenvolvimento, sujeitos a tropeços e a vitórias.

Hoje, vejo com muita alegria os resultados embora me sentisse uma órfã de pai vivo reconheço que tenho pais, uns me foram dados pela vida, outros eu escolhi.

Pais, dados pela Vida:

Meu pai, genitor, um ser complicado, rigoroso ao extremo, monologa o tempo todo, e é um tolhedor nato. Mas dele ganhei o maior presente – a vida - e por isso devo-lhe eterna gratidão.

Meu pai, avô materno, a paciência e calma personificada. Acompanhava-o em quase tudo. Acordar cedo, ir à feira, passeios, caminhadas, reparos na casa, limpar o jardim, para contar ou ler histórias e estórias, ah! Não tinha igual. Batíamos asas juntos... Ir à praia do Cassino no final de tarde e ver um enorme queijo se elevando no horizonte (o nascer da Lua) e esticar até as tantas da noite vendo as estrelas... Cruzeiro do Sul, Três-Marias... ao som mágico das ondas quebrando na praia... Um avô como esse desejava para todas as crianças do mundo. O que vivenciei e aprendi com ele, com certeza dariam livros repletos de histórias.

Meu pai, avô paterno, orientador prático, faro para os negócios, gostava das artes, do belo, em vez de representante comercial poderia bem ter sido um artista. Nos sábados à tarde em seu apartamento, em frente ao Guaíba, brincávamos de teatro e ele era o juiz, dava nota e fazia comentários onde poderíamos dar uma melhorada. Tinha também um jeito especial para me trazer à realidade... muita conversa e sempre questionando e fazendo com que eu analisasse os prós e contras das situações, deixar de ser sonhadora e ser mais prática. O que ser quando crescer, por exemplo, devo isso a ele... Falava: - Não adianta ser astronauta, vais fazer o quê na Lua? Não pude lhe contar, pois foi embora antes, mas sou o que sou, em parte, pela orientação recebida.

Pais que escolhi:

Quando não temos nenhuma abertura ou afinidade com o nosso Genitor, nada nos impede de eleger um Pai ou, para nos espelharmos, ou para desafogar a alma, buscar consolo, orientação, amar e ser amado, ou simplesmente jogar conversa fora.

Confesso que utilizei estes LUZEIROS FORTALECEDORES e através destes descobri a fragilidade do ser e passei a ver e entender as dificuldades de ambas as partes, PAIS e FILHOS.

Busquei e encontrei PAIS que me supriram com seu afeto, visão profissional e sugestões em como agir na educação de meus próprios filhos. 

Pais dados ou escolhidos... a minha homenagem é para cada um de vocês, que fizeram a diferença.
Beatriz Knorr
Enviado por Beatriz Knorr em 12/08/2006
Código do texto: T214974
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Sobre a autora
Beatriz Knorr
Cotia - São Paulo - Brasil, 61 anos
43 textos (4482 leituras)
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Beatriz Knorr