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Saudades de minha avó

Sim, você se foi, devagar e silenciosamente, sem exalar nenhum suspiro. E eu a vi partir, toda a vida dentro de você se esvaindo lentamente, sem saber o que dizer. Embora eu soubesse que sentiria sua falta, eu sabia que você não poderia ficar mais entre nós. Seu tempo havia acabado. Há quanto tempo você não mais vivia? Estava sofrendo tempo, sem poder dizer o que lhe doía, incomodava. Você tinha que ir, precisava se desprender desse corpo, que tinha se tornado um fardo, uma prisão. Ao vê-la morta, só Deus sabe o tamanho do buraco que havia sido cavado em mim. Eu não tentei dizê-lo, porque nenhuma palavra serviria para expressar o que eu sentia, o tamanho da saudade e do quanto eu me senti abençoada por tê-la tido em minha vida, por saber que fui especial para você, que você me amou tanto quanto podia, sem esperar que eu fosse perfeita. Acariciei suas mãos mortas e beijei seu rosto frio, sabendo que você não sentia os meus gestos de afeto, mas era tudo o que eu podia fazer. Queria que você tivesse a certeza do quanto foi especial para mim, do quanto eu fico feliz em saber que um pouco de você está em mim e irá para os que vierem depois de mim. Sim, a nossa essência nunca morre. Ela passa para os que conosco convivem, deixando rastros e perfumes que não podem ser definidos, porque não são sentidos com os órgãos do corpo, mas com a percepção do espírito. Fico feliz em ter certeza que sua essência está em mim. Adeus, não esqueça de quem a amou em vida e continuará a amá-la mesmo agora, que foi para além do infinito. Você se libertou do corpo, adormeceu para esta vida e despertou para outra, onde não há mais felicidades passageiras nem ilusórias. A luz que você me transmitiu continuará a brilhar enquanto eu viver.
Maria Cândida Vieira
Enviado por Maria Cândida Vieira em 17/06/2010
Código do texto: T2324788
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Maria Cândida Vieira
Campina Grande - Paraíba - Brasil
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Maria Cândida Vieira

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