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Cometas ou Estrelas

Existem pessoas estrelas... Existem pessoas cometas...


Os cometas passam. Apenas são recordados pelas datas, esquecemo-nos do dia em que os avistamos.
Os cometas são como aves migratórias, as estrelas assentam raízes e em direcção ao sol florescem.
As estrelas permanecem. Os cometas, esses, simplesmente desvanecem.
São corpos que vagueiam no vazio do universo, por eles e pena que meramente sentimos.


Existem muitas pessoas que são meros cometas, num movimento circular eterno...


Pessoas que passam pela nossa vida suavemente como fugazes errantes.
Pessoas que não prendem ninguém a elas, nem ninguém a elas se deixa prender.
Pessoas que vivem só, isoladas, sem amizade, sem companheirismo, sem amor nem saber.
Pessoas que vivem sem iluminar ninguém, sem aquecer ou presença marcar, passam por nos só por uns meros instantes.


Existem muitas pessoas que são meros cometas, num movimento elíptico eterno...


Assim são muitas pessoas, que se dizem ligadas as artes, sejam elas quais sejam.
Todos têm os seus '15 minutos de fama'(Andy Warhol), neste palco a que chamam de vida.
Com a mesma rapidez que surgem, assim também irão desaparecer, deixando o seu rasto de nada.
Desta forma subsistem Homens e Mulheres, apaixonam-se e desapaixonam-se com a maior das facilidades.
Assim são as pessoas que vivem em família, capazes de subsistir dia após dia num cemitério de verdades.
Sem notarem a presença de um ou do outro, assim permanecem, deixam que a vida por eles vá passando, somente para que outros a vejam.


Difícil mas certamente mais importante, e ser estrela, marcar presença, estar junto, ser e ter amigos.
Podem anos passar, podem distancias surgir, mas a sua marca ficara gravada, a ferro quente, em nosso coração.
Coração esse, que não se quer apaixonar, por meros e inconsequentes comentas neste mundo perdidos.
Esses apenas atraem olhares vãos e passageiros, sem constância, sem futuro, alimentam-se da mera ilusão.
Muitas pessoas são como cometas por uns vazios e incipientes momentos vendidos.
Elas por nos passam, batemos palmas, gostamos, e depois desaparecem, esquecemo-nos delas, não passam enfim de inócua poeira deste chão.


Ser cometa significa não ser amigo, ser cometa significa ser companheiro por meros instantes ocos e vazios.
Ser cometa significa explorar sentimentos, ser cometa, significa fazer acreditar para depois ir desacreditando.
A triste solidão das pessoas, resume-se na dura realidade, de que não podemos contar com ninguém, estamos sozinhos.
Nascemos cegos de olhos fechados, crescemos em ilusões embebidos, para morrermos envoltos na escuridão, assim por ela vamos esperando.


A solidão triste e o resultado de uma vida gasta, perdia, a ser cometa num vazio eterno...


Na realidade ninguém fica, todos passam, as pessoas banalmente passam por tudo e todos assim.
E urgente parar este mundo de inconsequentes cometas e criar um eterno mundo de estrelas.
Para que sem medos, todos os dias nos as possamos sentir bem perto e certamente vê-las.
Para que sem medos, possamos contar com elas e elas saberão que nos dizemos presente.
Assim são os amigos, uma luz na vida de todos, pode-se contar com ela e com o seu brilho para sempre.
São terna presença, são aragem em momentos difíceis, são luz que ofusca a soturna escuridão, por fim.


Agora quando se olha para esses efémeros cometas, sabe bem como eles não se sentir.
Nem se desejar deixar-se ir, preso a sua cauda tenebrosa e fugaz, que tudo esmorece.
Agora quando se olha para esses cometas, sabe-se o quanto e bom se sentir e ser-se estrela, que não padece.
Alegra-nos marcar a diferença simplesmente pela presença, saber o quanto e bom existir somente para se ir fazendo sorrir.

Adaptação livre de "Cometas e Estrelas":
Dr.º Flávio Gikovate
António de Almeida
Enviado por António de Almeida em 26/10/2006
Reeditado em 30/10/2006
Código do texto: T273998
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Sobre o autor
António de Almeida
Portugal, 42 anos
12 textos (454 leituras)
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António de Almeida