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ODE A FERNANDO PESSOA

                                        *   *   *

Homem dos mil rostos, rigorosamente delirante!...
Poeta revolucionário, resignado fatalista!...
Homem – deste e doutros mundos – oculto atrás de inúmeras máscaras!...
Poeta intemporal - de eterna genialidade dramática!...
Homem insatisfeito - um inadaptado às realidades humanas!...
Poeta modernista - em busca dos elos perdidos da vida!

Vivestes duas realidades distintas em obstinado desencanto!...
Adoptastes a língua portuguesa por melhor exprimir os teus sentimentos!...
Descortinastes as várias personalidades da tua Pessoa e, com elas, abristes uma nova janela para o Mundo:
- Fostes Alberto Caeiro, filósofo das coisas simples da vida,  numa perspectiva espontânea e positivista, mas sem falsos materialismos;
- Fostes Álvaro de Campos, outro solitário, mas de grande impetuosidade e de emoções fortes e intransigentes;
- Fostes Ricardo Reis, o homem das odes tristes e resignadas e fostes muitas outras personalidades na tua imaginação prodigiosa, mas todas elas, seres sentidos, como se tivessem corpos e almas próprios.

Em vida conquistaste apenas efémeras vitórias!...
Mas, além de poeta, eras exímio actor e -, apesar do ar austero e de muita timidez - guardavas para ti um sorriso irónico para lançares a este Mundo de vãs glórias:
- Um sorriso dos desencontros provocados;
- Um sorriso dos sonhos desencantados;
- Um rir, apenas por rir, talvez para não chorar…

Ah, poeta impiedosamente lúcido - iluminado pela áurea da genialidade-
fracassaste na vida, dita racional, sendo dela um conformado subalterno…
Para ti, apenas fazia sentido a existência poética...
Os desejos materialistas faziam parte de um qualquer sonho mau – que outros desejaram – como se tudo não passasse de uma miragem patética.

Conquistaste a imortalidade simplesmente vendo, descobrindo verdades que se tentam – desde sempre – ocultar dos sentidos, mas quando toda a névoa se desvaneceu, fez-se Luz em ti, pois nada neste mundo e nesta vida,  deve ter a ousadia de perturbar o destino do ser.

E assim desnudado o Homem...
... Nasceu um poeta para a Eternidade!


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(NOTA: Escrito em 04/7/2005 e publicado nesta data para homenagear a memória do grande poeta português, na passagem do 71º aniversário de sua morte, no dia 30 de Novembro.)


HENRICABILIO
Enviado por HENRICABILIO em 29/11/2006
Reeditado em 02/02/2009
Código do texto: T305070
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
HENRICABILIO
Caldas Da Rainha - Leiria - Portugal, 55 anos
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