Conheci Evaldo da Veiga em 2003 num grupo de mensagens de que ambos participávamos. Ficamos amigos.
Em 2005 eu abri o grupo PoétiKa&Textos (que ainda existe) e convidei-o a participar.
Em 2006 incentivei-o a vir para o Recanto das Letras, pois era um advogado que adorava literatura, escrevera alguns textos de teatro e escrevia poesias.
Veio, fez muitos amigos, fez sucesso.
Esse ano completaríamos 10 anos de amizade.


Não deu certo...
Aos 30 de janeiro de 2013 o amigo Evaldo partiu. Tinha 70 anos. Soube hoje.
Até novembro de 2012 eu sei que ele estava OK, administrando suas questões de saúde, as que ele já conhecia. Terá surgido alguma outra? Não sei dizer. Cumprimentou-me pelo aniversário. Agradeci por telefone, dias depois.
Foi também nessa época que ele publicou um texto pela última vez no Recanto das Letras.
Mas a vida de todos mudou muito de ritmo nos últimos anos e quando me dei conta já fazia quase três meses que eu não tinha notícias do amigo. Foi quando descobri que ele havia mudado de morada... Somente isso.
Não soube como Evaldo morreu. Tentei contato com seu filho Mateus mas não obtive retorno.


O poema abaixo está publicado no Recanto com alterações e outro formato.
Fiz questão de trazer o original. Aliás, amigo Evaldo, se me permite palpitar, gosto mais do original.
Apreciem, amigos. Ele faz parte do meu tributo ao amigo ausente.


        
    

Querido amigo,

Agora que você partiu não haverá quem me chame de "Katita", deseje-me dias lindos nem me trate com o desvelo com que me tratava.
De ontem para hoje entristeci... "a ficha caiu"... você não mais está.
Grandes "viagens" nós fizemos, de todo tipo e jeito, com acertos e desacertos, desde 2003. E como brigamos também!
Desta vez você fez as malas sozinho, catou outros sonhos e estrelas, juntou lembranças e personagens e partiu. Nada me disse.

Boa estada no plano espiritual, amigo Evaldo!
Que esteja  na Luz e na Alegria.
De vez enquanto, poeta, lembre-se de mim.
Um tempo lindo para você na eternidade.
Beijos,
Katita
14/03/2013)

 

     


          SE FORMOS CALMOS, AMIGOS E AMANTES

(poema de Evaldo da Veiga, escrito em 2005, no grupo PoétiKa&Textos)



A imensa escuridão se transforma em azul,
embeleza-se,
dependendo das circunstâncias que criamos.

Se formos calmos, amigos e amantes
a escuridão dará lugar à tonalidade etérea,
que se enquadra nos matizes do amor.

 Mas se surge à expectativa de uma distância iminente,
 se caímos na truculência
 ou na sonegação de carinho,
 nosso mar alegre se transforma em revolto e triste:
 sem movimentos suaves,
 chora a perda do amor,
 chocando-se nas pedras com inútil rancor.

 Em fluxo, espraia suas ondas,
 desejoso do reencontro;
 em refluxo, sente a desilusão...
 mais uma tentativa em vão.

 E nestas idas e despedidas constantes,
 vem o cansaço...
 suas ondas esmorecem,
 não acontece o reencontro.
 Sente ausência de ternura
 e então percebe:
 não cultivou o amor,
 somente a ilusão.

Evaldo da Veiga
2005

 

 

KATHLEEN LESSA
Enviado por KATHLEEN LESSA em 27/03/2013
Reeditado em 29/04/2015
Código do texto: T4209692
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