HOMENAGEM A FLORBELA ESPANCA

Que me desculpem os amigos Recantistas mais ortodoxos pela ousadia de interagir com este soneto de Florbela Espanca, talvez o poema mais lindo que alguma vez li.
Não resisti...
Perdoem-me, sim?

 

Por ti sonho, vagueio cego
És meu ar, minha pele, meu chão
Sofrendo com teu desapego
Implorando que me dês a mão

Enlouquecido para aqui estou
Imagino-te de mim esquecida
Sou aquele que sempre te amou
E  tantas vezes te chamou querida...

A dor da perda é triste sofrimento
Que de nada vale um só lamento
É tortura viver amargura assim...

Olhando o teu meigo retrato fiel
Recordo teus lábios doces de mel
E morrendo aos poucos, perco-me de mim...



Inédito - Escrito em 20/08/2012




FANATISMO

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”



Florbela Espanca - Livro de Soror Saudade