CapaCadastroTextosÁudiosAutoresMuralEscrivaninhaAjuda



Texto

Dia do Índio - 19 de abril

Considero tão interessante Saber o quanto à cultura indígena está presente em nosso cotidiano. Quantas palavras usamos em nosso vocabulário que são de origem indígena e não sabemos. Pensando nos alimentos, inúmeros são os vegetais e práticas culinárias que herdamos. Brincadeiras e jogos também mostram-nos a forte influência indígena em nossa cultura. Enfim, estamos encharcados de práticas oriundas dos costumes desse povo e precisamos ter consciência disso, reconhecendo o seu valor.
..Todo dia, sem perceber; você fala algumas das 10000 palavras que o tupi nos legou. Do nome de animais, como jacaré e jaguar; a termos cotidianos como cutucão, mingau e pipoca. É o que sobrou da língua do Brasil.
A LÍNGUA DO BRASIL: http://www.nautilus.com.br/~ensjo/tupi/alinguadobrasil.html
..Na perspectiva da inculturação do cristianismo, o padre Anchieta fundava escolas mas considerava-se, com humildade, na escola dos índios em termos de conhecimento da natureza. Para os jesuítas, não havia necessidade dos portugueses inventarem nomes para todos os animais, plantas, lagos e rios do Brasil. Eles já estavam nomeados pelos índios. O esforço dos jesuítas será de trazer para o português esse tesouro lingüístico.
...Para os jesuítas nenhuma palavra indígena deveria perder-se em seu caminho rumo ao português. Eles fizeram do português uma imensa arca de Noé, onde a grande maioria dos nomes indígenas dos rios, lagos, riachos e arroios, córregos e regatos foram salvos no dilúvio da aculturação. E mais, as águas das palavras tupi batizaram, deram um banho na língua portuguesa. Para construir essa arca, a língua geral, os jesuítas estabeleceram, cortaram e pregaram regras como árvores, sugeriram e esculpiram caminhos de transformações fonéticas como tábuas e encaixaram todas essas mudanças gramaticais como hábeis carpinteiros, seguindo normas seguras e replicáveis para que, com poucas alterações, o termo indígena fosse incorporado ao português. Sem sustos, nem tempestades, secas ou inundações. Numa carinhosa aproximação inter-étnica e humana, pela via da natureza. Como um canoa navegando um paranã de águas rápidas na Amazônia. Como na saga de Noé, a maioria dos nomes indígenas de animais, vegetais e de acidentes geográficos e hidrográficos puderam encontrar seu lugar no português do Brasil e serem acomodados, com toda sua sacralidade, nessa imensa e generosa arca lingüística, segura e bem calafetada. http://www.aguas.cnpm.embrapa.br/vida/artigo_jesuitas.htm
Da língua indígena derivam muitos nomes, de muitas cidades e logradouros como: "Igara" designa a canoa e dela , como Igaraçú, Igarapava, Igaratá, igarari, e outras tantas que deram nome a cidades.
" I " significa "água". " Iguá" é outro tesouro da língua indígena, evoca a "bacia fluvial, enseada, bacia, rio amplo". Nomeia municípios e cidades como Iguape e Iguaçu, Iguatinga,  iguaba.
Outro termo é "Ita" que quer dizer "pedra" e nomeia cidades como: Itaquacetuba, Itanhanhém, Itapuí, Itapetininga, Itararé e muitas outras cidades tem o seu nome de origem indígena como: "Itu" que quer dizer "salto, cachoeira ou cascata" é  nome de municípios, Itutinga, Itupeva, Itupiranga, Ituporanga, Ituverava... , "Pira" vem de peixe, Piracicaba, Pirapóra, Piratininga, Piraporã, E mais... Mogi Mirim, Mogi Guaçu, Bocaína, Boracéia, Bariri, Bauru, Avanhandava, Araraquara, Jundiaí, Cumbica, Pirituba, Piqueri, Peruíbe, Ibirapuera...
O Brasil está repleto de cidades com nomes indígenas, todos, sem exceção, provenientes do tupi-guarani. http://www.staff.uni-mainz.de/lustig/guarani/lingua_tupi.htm
Para nós, brasileiros, nada mais vocativo do que a nossa língua Tupi. No brasão da minha cidade, contem a legenda: "IBICA RE IG" - rio que leva para a terra boa - Pode parecer um tanto simples e ingênua, mas essa legenda condiz perfeitamente um dos principais fatores que influenciaram na formação e desenvolvimento da cidade de Jaú (SP), ou seja, faz uma alusão às estradas fluviais, rotas dos Bandeirantes, que levaram os primeiros sertanistas, colonizadores, a descobrir terras férteis e prósperas.
Sempre tive tremenda curiosidade em saber os significados dessas palavras indígenas incorporado ao vocabulário português, como as que segue abaixo, que deu origem aos nomes de cidade.

ALAMBARI (PEIXE DE ESCAMA ESCURA)
ANGATUBA (CASA DOS ESPÍRITOS)
ANHEMBI (RIO DOS INHAMBUS, PÁSSAROS COMUNS NA REGIÃO)
ARAÇARIGUAMA (LUGAR ONDE SE REÚNEM OS PÁSSAROS PARA COMER)
ARAÇATUBA (ABUNDÂNCIA DE ARAÇÁS – FRUTA SILVESTRE)
ARAÇOIABA DA SERRA (ANTEPARO DO TEMPO DA SERRA)
ARANDU (CIDADE DE PAPAGAIOS)
AVANHANDAVA (CORRIDA DO HOMEM/CORRENTEZA FORTE)
AVARÉ (HOMEM DIFERENTE)
BARIRI (ÁGUA AGITADA)
BAURU (FORTE DECLIVE/RIO DAS LAGOAS/CESTO DE FRUTAS)
BIRIGUI (MOSCA QUE SEMPRE VEM)
BOCAINA (ENTRADA DO MATO/DEPRESSÃO NUMA SERRA)
BOITUVA (MUITAS COBRAS)
BORÁ (SOM EMITIDO PELO SOPRAR ENTRE MÃOS UNIDAS)
BORACÉIA (TIPO DE DANÇA/LUGAR DE MUITA GENTE)
BORBOREMA (LUGAR DESERTO)
BOREBI (COURO DE TATUS)
BOTUCATU (BONS ARES)
BRAÚNA (MADEIRA PRETA)
BURI (ESPÉCIE DE PALMEIRA)
BURITAMA (TERRA DE MUITAS PALMEIRAS)
CABREÚVA (ÁRVORE DA CORUJA)
CAJOBI (MONTE VERDE)
CANITAR (COCAR)
CATANDUVA (MATO CERRADO/ESPINHENTO)
CATIGUÁ (BAIXOS DE LEITO FLUVIAL/PLANTA RASTEIRA)
CHAVANTES (NOME DE UMA TRIBO – XAVANTES)
ECHAPORÃ (BELA VISTA)
EMBAÚBA (ÁRVORE COM CÂMARAS OU VAZIOS INTERNOS)
GUAIÇARA (TIPO DE MADEIRA)
GUAIMBÊ (CIPÓ DE AMARRAR)
GUAPIAÇU (ÁGUAS CLARAS)
GUARAÇAÍ (MÃE DO DIA – REFERÊNCIA AO SOL)
GUARACI (SOL)
GUARANTÃ (MADEIRA COMPRIDA/DURA)
IACANGA (OLHO/CABEÇA D’ÁGUA)
IACRI (NOME DA FILHA DO CACIQUE DA ALDEIA DAQUELA REGIÃO)
IARAS (SENHOR/SENHORA DO VALE)
IBIRÁ (ÁRVORE, MADEIRA)
IBIRAREMA (MADEIRA FEDIDA/PAU D’ALHO)
IBITINGA (TERRA BRANCA)
IBITINGA (TERRA BRANCA)
ICÉM (ÁGUA DOCE)
IGARAÇU DO TIETÊ (CANOA GRANDE DO RIO VERDADEIRO)
INDIAPORÃ (ÍNDIA BONITA)
IPAUÇU (LAGOA GRANDE)
IPERÓ (MADEIRA DURA)
IRAPUÃ (MUITAS ABELHAS/ABELHA QUE FAZ CASA DE TERRA)
ITABERÁ (PEDRA BRILHANTE)
ITAÍ (PEDRA DO RIO)
ITAJOBI (PEDRA VERDE)
ITAJU (PEDRA AMARELA)
ITAPETININGA (PEDRA ENXUTA/SECA)
ITAPEVA (PEDRA CHATA)
ITÁPOLIS (CIDADE DE PEDRA)
ITAPORANGA (PEDRA BONITA)
ITAPUÃ (PONTA DE PEDRA)
ITAPUÍ (BICA DE PEDRA)
ITARARÉ (PEDRA QUE O RIO ESCAVOU)
ITATIBA (MUITA PEDRA)
ITATINGA (PEDRA BRANCA)
ITU (CACHOEIRA/QUEDA D’ÁGUA)
ITUPEVA (CACHOEIRA RASA, PEQUENA)
JACI (LUA)
JARINU (PALMEIRA PRETA)
JAÚ (O ESCURO, O NEGRO/NOME DE UM PEIXE DE RIO)
JUMIRIM (SALTO PEQUENO)
JUNDIAÍ (RIO DOS BAGRES)
MACATUBA (ABUNDÂNCIA DE MACÁS, FRUTA SILVESTRE)
MACAUBAL (AJUNTAMENTO DE MACÁS)
NHANDEARA (NOSSO SENHOR)
NIPOÃ (CAMPO REDONDO)
PARANAPANEMA (RIO RUIM)
PARANAPUÃ (RIO VELOZ QUE SE ALTEIA)
PEDERNEIRAS (PEDRA DE FOGO)
PIACATU (PASSAGEM BOA)
PINDORAMA (TERRA DAS PALMEIRAS)
PIRAJU (PEIXE AMARELO)
PIRAJUÍ (RIO DO PEIXE DOURADO)
PIRATININGA (PEIXE SECO)
PONGAÍ (SALTO PEQUENO)
PORANGABA (BELA VISTA)
QUATÁ (ANDAR/ PORÉM, PRESUME-SE QUE A PALAVRA QUATÁ SEJA UMA ALTERAÇÃO FONÉTICA DE “CARAGUATÁ”, PLANTA CUJOS ESPINHOS E FIBRAS ERAM MUITO UTILIZADOS PELOS INDÍGENAS)
SARAPUÍ (ESPÉCIE DE ENGUIA/RIO DE ENGUIAS)
SARUTAIÁ (MACACO DE CAUDA PELUDA)
SOROCABA (TERRA RASGADA)
TABAPUÃ (CIDADE ALTA)
TABATINGA (CASA BRANCA)
TANABI (RIO DE BORBOLETAS)
TAPIRAÍ (TERRA/LUGAR/RIO DAS ANTAS)
TAQUARIVAÍ (TAQUARA FINA DA BEIRA DO RIO)
TARUMÃ (FRUTA ESCURA DE FAZER VINHO)
TATUÍ (ÁGUA/RIO DO TATU)
TEJUPÁ (AGLOMERADO DE RANCHOS)
TIETÊ (RIO VERDADEIRO/VOLUMOSO)
TIMBURI (NARIZ, BICO, FOCINHO)
TUPÃ (TROVÃO)
TURIÚBA (ÁRVORE DE TURI)
UBARANA (PEIXE PAU)
UBIRAJARA (SENHOR DA LANÇA)
URU (CESTO)
VOTORANTIM (ESPUMA/CASCATA BRANCA)
VOTUPORANGA (BRISAS SUAVES)

Outros nomes de cidade:

Piaçabuçu = Palmeira Grande
Maceió : Massayó, Maçai-o-ok = que tapa o alagadiço”
Cariacica – O nome inicial era Carijacica = “chegada do branco”
Jatiúca = carrapato
Aracaju - deriva da expressão indígena "ará acaiú", que em tupi-guarani significa "cajueirodos papagaios". O elemento "ará" significa "Papagaio" e "acaiú", "fruto do cajueiro"
Plínio Sgarbi
Enviado por Plínio Sgarbi em 19/04/2007
Reeditado em 17/09/2010
Código do texto: T455283
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

Comentários

Sobre o autor
Plínio Sgarbi
Jaú - São Paulo - Brasil, 52 anos
240 textos (195344 leituras)
21 áudios (3276 audições)
5 e-livros (487 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 29/08/14 19:08)