MATERIALIZANDO LEMBRANÇAS

Um pequeno detalhe, uma fita, um copo, pode ser um mundo. Encerrar um mundo de recordações, trazer para dentro de casa outras casas, casas que já não existem mais, por não haver, nelas, aqueles que lhes traziam vida. Vida, de forma transcendente.

São objetos mínimos, que pouco espaço ocupam - e nem poderia ser diferente, posto que, de forma diversa, não teríamos uma casa, mas um museu.

Minha avó Joaquina tinha um buda. Um buda de seus dez centímetros, como este da fotografia.

Cresci e amei minha avó como jamais amei ninguém. Na sala, não era cultuado, mas parte da decoração.

Minha mãe dizia que, se tivéssemos uma cédula sob o buda, atrairíamos sorte.

O tempo passou, minha avó se foi e, em alguma loja, encontrei um buda muito semelhante, que hoje ocupa um pequeno espaço em minha sala.

Representa uma outra casa, que já não existe nesta dimensão, mas no plano da memória e do afeto. Tem seu lugar guardado, como as flores de cera - as preferidas de meu pai - no jardim, e as camélias brancas de Dona Alzira, minha querida sogra.

Há anos o tenho, para materializar lembranças, e assim cumpre ele bem sua função. Talvez cumprirei eu o dito de minha mãe, para que se realize o vaticínio. Afinal, o que custa?

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