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Aos campeões da Copa de 1970

21 de junho de 1970.

Assim como eu, noventa milhões de brasileiros, estavam radiantes ao final da tarde, após uma memorável batalha com a Itália, bicampeã mundial de futebol, o Brasil conquistava, pela primeira vez na história, o tricampeonato mundial. Por volta das 16h 30min, horário de Brasília, o Brasil vencia a última partida da Copa de 70 por 4x1 contra o time da Itália. Foi um dia inesquecível.

Desde o dia 1º de junho de 1970, antevéspera do primeiro jogo do Brasil,  se uniram numa "corrente pra frente", noventa milhões de brasileiros espalhados por todos os recantos de nosso país, e alguns, no exterior. Todos gritavam juntos, com todas as forças de seus pulmões, a música que também entrou pra história - "Salve a seleção!".
O Brasil conquistava então, definitivamente, a taça "Jules Rimet" e o inédito título em todo o mundo de "Tri campeão mundial de futebol".
Isso não era pouca coisa!

Para quem não vivenciou este momento, um esclarecimento: Até então, havia 3 países, entre os quais o Brasil, que eram bicampeões mundiais de futebol - Brasil (58 e 62), Uruguai (30 e 50), Itália (34 e 38). A taça "Jules Rimet" fora idealizada pelo Presidente da Federação em 1928, quando foi proposta a criação desta taça, que recebeu o nome de seu idealizador. Ficara instituida uma regra com a criação da taça: que ela seria entregue ao campeão mundial de futebol a partir de então e, a cada ano, ela mudaria para as mãos do novo campeão, até que algum time obtivesse o título de tricampeão quando passaria a ser, definitivamente daquele time. Por isso, naquele ano, alguém ficaria definitivamente com a taça pois, tanto o Brasil quanto a Itália, eram bicampeões e estavam na final.

A partir do instante em que o jogo Brasil x Itália finalizou, e mesmo alguns minutos antes, já havia uma festa generalizada em todos os recantos do Brasil. Era a comemoração da vitória, a alegria de ver nosso querido Brasil triunfar mais uma vez, era a satisfação de olhar no televisor a nossa bandeira vibrar nas mãos de nossos irmãos que estavam no México. Tudo era felicidade, festa, alegria! Tudo era motivo de comemoração.

Duas horas antes (tão pouco tempo!) a tensão era quase insuportável naquela mais sólida "corrente pra frente" do mundo. Alguns programas na TV mostravam gols do Brasil em outras Copas, comentavam a atuação segura do Brasil naquela Copa de 70, tranquilizando assim um pouco mais, aqueles que estavam inquietos e pensando como seria desagradável (nós estávamos invictos até então), se o Brasil não ganhasse. E usavam alguns argumentos curiosos, relacionados com o número 3, de tri. Foram enumeradas mais de 20 coincidências desse tipo. Recordo-me apenas de algumas>
1. Nós estávamos no terceiro governo da revolução e 3 é tri,
2. Os nomes de todos os 3 presidentes eram formados por 3 nomes e 3 é tri,
3. Desde a última Copa, em 66 (que por coincidência é múltiplo de 3), o Brasil tivera 3 técnicos, e 3 é tri,
4. O primeiro jogo do Brasil foi no dia 3/6, e 3 e 6, são múltiplos de 3, e 3 é tri,
5. O Brasil estava no grupo 3 e 3 é tri,
6. Haviam, no início da Copa, 3 times em condições de conquistar definitivamente a taça Jules Rimet e 3 é tri,
7. Foi de 3 a diferença de gols no jogo Brasil e Tchecoslováquia e 3 é tri,
8. O Brasil furou 3 gols no jogo com a Romênia e 3 é tri,
9. Furou 3 gols também no jogo com o Uruguai e 3 é tri,
10. No jogo Brasil x Peru houve 6 gols, e 6 é múltiplo de 3 e 3 é tri,
11. O Brasil tinha 3 adversários no seu grupo e 3 é tri,
12. O jogo Brasil x Itália era no dia 21/6 e, 21 e 6 são múltiplos de 3 e 3 é tri.
Com estas e várias outras coincidências semelhantes ficamos um pouco menos intranquilos. Mas sempre vinha a pergunta: e se o Brasil perder?
Mas não era possível. Dizem que Deus é brasileiro e ele deverá nos ajudar, diziam. Mas o papa mora na Itália, contestavam outros.
Mas o argumento mais forte a nosso favor, era que o Brasil estava jogando muito bem, se adaptava melhor ao clima, e era o único time até então invicto.
Mesmo assim, a tensão era muito grande! Todos estavam grudados no televisor e, quem fumava, fumava um cigarro atrás do outro.
Às 5 horas da tarde, o clima era totalmente diverso.
A alegria reinava, o alívio era total, e todo mundo gritava: o Brasil é tricampeão! E se abraçavam os amigos, os desconhecidos e até os inimigos. Eu balançava uma bandeira verde-e-amarela, bebia um copo de cachaça, outro de uísque, outro de cerveja. Dava pulos, corria, soltava fogos e gritava: viva Pelé, Félix, Tostão, Rivelino, Carlos Alberto, Piazza, Clodoaldo, Gerson, Brito, Everaldo, Jairzinho! Gritava com uma alegria imensa: Salve a Seleção!
E tudo foi festa, tudo foi alegria.
Eu, em especial, nunca havia experimentado, em toda minha vida, uma emoção tão maravilhosa.
Tomei aquela cana! E festejei a vitória.

Acredito que nunca mais, aquela emoção se repetirá. Uma emoção tão grande, tão intensa, tão maravilhosa.
É por isso que quero aqui, prestar a eles uma homenagem. A todos os jogadores, treinadores, preparadores físicos, toda aquela equipe que nos ajudou a trazer o caneco definitivamente para o Brasil.
O caneco foi roubado. mas aquele 21 de junho nunca morrerá.

Alberto Valença Lima
Enviado por Alberto Valença Lima em 18/02/2014
Reeditado em 11/05/2014
Código do texto: T4695742
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Alberto Valença Lima
Recife - Pernambuco - Brasil, 66 anos
294 textos (54522 leituras)
2 e-livros (69 leituras)
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Alberto Valença Lima