MEU PAI

Eu era muito pequenininha e ainda lembro dos conselhos de meu pai. As suas palavras eram dóceis, seus movimentos delicados e a voz mansa. Aprendi com meu pai a valorizar cada minuto da vida, pois vi nele, a pessoa que sabia ter o bom senso de ouvir, de falar e até de gritar.

Os anos foram passando e com ele fui aprendendo que, o melhor da vida, quem nos dar somos nós mesmos, abaixo de Deus. Meu pai era sábio! Eloquente nas palavras, decisivo nas atitudes e brincalhão nas horas de lazer.

O tempo passou mais ainda, me vi mocinha, e me vi acompanhando meu pai. Acompanhando no seu gesto nobre de saber ouvir, de aconselhar e também de ser enérgico nas horas necessárias. Somos sete mulheres, pois é, sete mulheres!!! E quem sabia lidar com elas? Meu pai. Sabedoria de Deus! Ele sabia. Nunca esqueci dos lençóis levantados sobre mim em altas horas da noite, porque ele sabia que tínhamos pessoas estranhas em nossa casa. Sábio meu pai.

Nós, as sete mulheres, que soubessem fazer com que não virássemos escravas de nossos maridos. Por que? Porque nosso pai sempre os defendia, com maestria, nos dizendo: "respeite-o, é seu marido". Fomos sábias também, aprendendo a ouvir e tentar seguir os caminhos de nosso pai.

Pai, daqui a três dias todos os filhos farão uma homenagem aos seus pais, se tu não estiveres mais presente nas nossas vidas terrena, eu vou chorar, sei que vou, mas, vou te admirar ainda mais pela força que você teve de seguir em frente com seus doze filhos. Vou te admirar por saber que você foi meu herói, meu companheiro de cachaça, de comer carnes exóticas, e também pai, de saber ouvi-lo e entender que você só queria o melhor para mim e para meus irmãos.

Ah! pai, como você foi especial para Telma, quando tu assinava os "cheques" para ela, para bronquinha (Roberta), que sempre vivia dodoi, tu sabia dar nome a tudo, para Carlinhos, que eu sei, é teu herói secreto, para Rosana, tua caçulinha, para o encrequeiro do Zéca, para mim, que salvou meu filho Nicholas na hora que mais precisei, para chamar Otacilio de "coronel", para Luiz, hoje, teu enfermeiro, para Kekel, a tua danadinha, que vivia fugindo, para Rosinha, tua espanhola, tu sempre dissestes que os cabelos dela eram iguais ao de tua mãe, nossa vó Eutália, para Dayse, teu xodó, até hoje né? Para tua mulher "Zézé", a tua paixão, encrenqueira, mas sábia também, que aprendeu a lidar com tudo, para Jorge e Marconi, que sempre te acompanham ao longo de tua vida.

Ah! pai, são tantos nomes: Teus netos: Camila, Renata, Flávinha, Cinthia, Paty, Carine, Cibele, Suzana, Marquinhos, Toninho, Netinho, Vinicius, Eduardo, Rafaela, Gabriela, Miguel, João, Pedrinho, Cacai, Flavinha, Luiz Paulo, Otacílio, Nicholas, Tatiana, Tarciso, Taciano, Edinho, Carlos, Flavia, Marcela, Mariana e Juliana, Edinho.

su angelote
Enviado por su angelote em 23/09/2014
Código do texto: T4973480
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