Parabéns - para quem?

Dia 11 de dezembro completei 47 anos.

Quando eu era criança, alguém de 25 era considerado velho.

Segundo meu pai, uma mulher de vinte e cinco anos, se não fosse casada, não seria boa coisa. Ou porque teria "se perdido" ou porque ninguém a quisesse.

Era uma coisa bastante hipócrita dizer-se que a mulher precisava de um homem, casado com ela, para ser considerada honesta.

Mas era outra a realidade.

Trabalhar, no tempo da minha mãe, somente com a autorização expressa do marido. E ele teria direito, inclusive, a receber o salário dela.

Minha avó foi uma exceção. Um maravilhoso exemplo de dignidade, trabalho e dedicação. Para mim e muitas gerações.

Os tempos mudaram, ou mudaram as pessoas e os conceitos, através dos tempos.

Alguém de 30 anos era velho, quando eu ainda tinha 20 anos.

Hoje, com quase cinqüenta anos, não sou jovem, mas também não sou velha, assim como a geração de minha idade.

Temos mais saúde, cuidamos da aparência e do intelecto. Estudamos, trabalhamos, somos pessoas ativas.

Senhores e senhoras de 50, 60 anos, são mais jovens e atraentes que muita garotada de antigamente.

Os cônjuges ou companheiros são mais amigos, cúmplices, um do outro. Não existe mais a tal subordinação.

Respeito é outra coisa, que não implica em obediência.

No ano que agora inicia concluo a graduação em Direito. Com notas muito boas, até agora, e sem "colar" nada. Nadinha mesmo.

Passei em um concurso disputado, há três anos.

Tenho uma família maravilhosa, planos, e me sinto viva.

Será que tenho a comemorar?

Sim, e muito.

Mas não somente eu.

Todos temos.

Os jovens de hoje também permanecerão jovens e ativos por muito mais tempo, e isso é uma conquista incomparável: qualidade de vida.

Não falo da qualidade de vida de índices e estatísticas, mas do sentir-se vivo.

Do poder dirigir sua vida, sonhar e planejar.

Mais, até: executar esses planos.

A experiência de vida conta, afinal. O que aprendeu, o que estudou, o que sentiu, o que viu, o que trabalhou.

E a somatória de tudo isso acaba sendo altamente positiva.

Depois desse balanço, tenho muito a comemorar.

Correção: nós temos.

Maria da Glória Perez Delgado Sanches

Membro Correspondente da ACLAC – Academia Cabista de Letras, Artes e Ciências de Arraial do Cabo, RJ.

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