ANJOS E MÃES

ANJOS E MÃES

Dona Laurinda onde quer que estejas...

Um beijo, um assopro e pronto, a aflição, a dor desapareciam.

Aquele carinho gostoso, a palavra amiga, a oração conjunta.

Aconchegava-me em teus braços e em paz dormia.

O milagre, só tu e os anjos sabiam como fazer.

Nas angústias mais profundas me abraçavas.

E em teu seio encontrava meu abrigo, meu refúgio.

Minhas mãos espalmadas entre as tuas

Buscavam entre preces e carinhos o consolo.

Das alegrias, as melhores, nem sempre partilhavas.

Não por omissão, ausências ou desamor.

Minha atenção nessas horas te esquecia.

Mesmo assim teu amor era por mim.

Quantos conselhos sabiamente tu me davas.

Ensinando da vida o bem viver.

E eu ingenuamente acreditava

Que nada poderia me vencer.

Que saudades desse tempo tão distante.

Do assopro que curava minha dor.

De teu seio carinhoso que amparava

Nossas lágrimas que se uniam nesse amor.

Busco em vão encontrar tuas mãos

Que entrelaçadas entre as minhas

Eu nunca mais encontrei.

Abençoa, minha Mãe, esta oração.

De teu filho que saudoso te implora.

Faz de novo com os anjos o milagre

De em paz eu dormir pra sempre agora.

Cláudio de Almeida

Maio/2008

Claudio De Almeida
Enviado por Claudio De Almeida em 08/05/2008
Reeditado em 03/05/2017
Código do texto: T980786
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