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Seria simplesmente sorte, só?...

Cirilo “sonhador”, era um rapaz pobre que morava na periferia de uma cidade de médio porte. Muito conhecido por sua vizinhança, que o apelidara de “sonhador”, uma vez que sempre que podia, dizia para todo mundo, que um dia ainda ficaria rico. Ninguém o levava a sério, e muitos até o achavam desmiolado. Tirando este sonho de grandeza, no fundo, Cirilo era uma boa pessoa. Morava sozinho num barraco, e fazendo “bicos”, garantia a sua subsistência. Além disso, era caridoso e muito prestativo, seus vizinhos que o digam.
Um belo dia, ao acordar pela manhã, notou que tinha perdido a hora, pois seu velho despertador não havia funcionado. Assustado, levantou-se e foi até a cozinha para tomar um café rápido, pois havia combinado com um vizinho, que ia viajar, de levar suas malas até a estação rodoviária.
Enquanto tomava aquele café frio e dormido, acompanhado de um pedaço de pão seco, começou a se lembrar de um sonho que tivera durante a noite, e forçando então a memória começou a recordar dos detalhes.
Em seu sonho, alguém que ele não conseguia identificar, nem mesmo se era homem ou mulher, garantira para ele que numa casa abandonada, que ficava perto de uma lagoa grande, em cima do fogão, havia uma lata velha e enferrujada. E que debaixo desta, tinha um numero escrito a lápis, que ele deveria joga-los na loteria.
Quando ele chegou, com suas recordações, nesta parte final do sonho, quase engasgou com o pedaço de pão, que estava em sua boca. E mandando o vizinho às favas com suas bagagens, começou em seu pensamento, fazer o rastreamento das áreas em volta da cidade, que poderia se encaixar com a cena que visualizara durante o sono.  E neste embalo, lembrou que próximo à cidade, numa distância de mais ou menos vinte e poucos quilômetros, havia um açude grande e perto dele, uma casa abandonada, cujo telhado, de tão velho, já tinha caído uma parte. Esta casa fora abandonada, porque com a construção da barragem, algumas vezes por ano era inundada, durante a estação das águas.
Imediatamente então, foi para a rua procurar alguém que pudesse levá-lo até ao suposto local. De cara lembrou de um taxista que conhecia e, portanto, poderia lhe fazer este favor. Chegando até ele, disse.
--- Ôi Roberto, tudo bem?...
--- Olá “sonhador”...  Respondeu o taxista.
--- Ô Roberto... Você podia me fazer um favor.  Disse o Cirilo.
--- Se for dinheiro, nem pensar... do jeito que a praça está, eu não vejo a cor dele há muito tempo. Falou  o profissional, tentando descartar do rapaz.
--- Não... Não é isso não... sabe o que é?... É que eu sonhei hoje, que naquela casa abandonada perto do açude, tem um numero escrito a lápis, debaixo de uma lata enferrujada, que está em cima do fogão... e eu preciso ir lá para ver o tal numero... para fazer o jogo...
--- Ah! Cirilo... vai te catar, homem... Quando é que você vai por estes pés no chão?... Se você acha que eu vou ficar alimentando seu sonho, está muito enganado... Tenho mais o que fazer.
E dizendo isso, Roberto começou a passar o pano na pintura do carro, não dando mais atenção ao “sonhador”. Este, muito sem jeito agradeceu e foi à procura de outro. E perguntou a um segundo motorista ali mesmo, que também se negou a ajudá-lo. Dali então foi para o armazém a fim de falar com o dono, afinal fazia muitos favores a ele, quem sabe o ajudaria. Mas, como os outros, também se negou. E a manhã foi passando, e nada dele arrumar alguém para ajudá-lo.
Mas a ganância é uma coisa terrível. Roberto, o primeiro taxista consultado, depois que o Cirilo o deixou, ficou pensando na proposta do rapaz, e depois de muito critica-lo, começou subitamente a mudar sua opinião.
--- E se aquele desgraçado tiver razão?... É... e se for verdade, o que ele disse... pode ficar milionário do dia pra noite... Mas será possível?... Quer saber de uma coisa? Acho que vou dar um pulo lá e verificar isso... e pensando assim, ligou o carro e se mandou pra lá.
Com medo de que o “sonhador” arranjasse alguém para trazê-lo, estacionou rapidamente seu carro na porta da casa, e entrou correndo. E para seu espanto, em cima do fogão tinha realmente uma lata toda enferrujada. Levantando-a depressa, olhou no fogão e depois no fundo da lata, mas nada encontrou.
--- Raios!... Como pude pensar que aquele idiota estava certo?... Aquilo não pensa em outra coisa, senão em ficar rico... Agora quem ficou com cara de tacho fui eu... mas...isso não vai ficar assim não.
E pegando um lápis escreveu os números 11, 17, 23, 25, 44 e 48, no fogão, colocou novamente a lata por cima, e saiu da casa.
Enquanto dirigia seu carro na volta para a cidade, ia falando consigo mesmo e rindo sozinho.
--- Se a intenção dele foi a de me fazer de bobo, tudo bem... ele até que conseguiu. Mas se não, quem vai ficar com cara de tacho agora, vai ser ele. Domingo eu vou dar risada na cara dele... “quem ri por último, ri melhor”.
Depois do almoço, já cansado de pedir que alguém o levasse ao açude, Cirilo resolveu ir a pé mesmo. E foi. Chegando lá, encontrando debaixo da lata, os números que o taxista escreveu, ficou numa alegria incontida.   Anotando-os num papel, se mandou de volta. Chegando na cidade, foi até sua casa e juntando suas economias, correu para a agência lotérica e jogou os números na mega-sena.
E no Domingo então, Cirilo ficou milionário. E Roberto quando soube da notícia, foi na loteria para ver com quais números ele tinha sido contemplado, e ao ver que os números premiados eram justamente os que tinha indicado, enlouqueceu.
João de Assis
Enviado por João de Assis em 17/04/2005
Código do texto: T11697
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Sobre o autor
João de Assis
Cruzeiro - São Paulo - Brasil, 70 anos
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