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Zé Zarôi


Meu nome é Zé Zarôi, vô contá uma históra qui cunteceu cumigo uns mês atrás, irguazim a um rumance de novela, prestenção, viu? Eu tinha ficado cuma nega num brega duma cidadezinha aqui pertim, e mermo troncho de cachaça eu me pixunei pela quela quenga. Cê sabe que a birita faz milagre, né? Pois a infiliz num paricia quera bunita? Êta cachaça bem tumada! Aí gastei todo dinhero queu tinha e fui simbora pá casa, passou uns mês e eu num isquici a meritriz. Juntei uns dez real pá gastá to-di-nho cáquela nega. “Vô me declará”, pensei. Mermo sem lembrá eu sei que a noitchada foi boa e que ela também se pixunô purêu. Aí parti, inchi o tanque da condução, meu jumento chamado carinhosamente de Fiofó e fui pela estrada, duas légua de distança da minha roça era o famoso brega, aí eu cheguei, estacionei o Fiofó no poste e entrei na ispelunca. Tasquei a prucurá pela quenga, home cadê essa danada? Foi aí que me dissero: - Zumira zôi brigado num tá qui não, foi pro centro. Peguei o indereço, saí, tasquei o chicote no Fiofó que ele saiu sortano puêra. Pense numa carrera! Aí eu cheguei, ô lugarzim fêi! Achei o indereço, bati na porta e uma mulhé abriu... eu olhei pra cara dela e fiquei tentano imaginá cum qui  bicho paricia. Pense numa bicha feia! A mulhé era muito estragada, rapaz. Dexe eu descrever: os zói era um prum lado e otro po otro, daí vem o nome Zumira zôi brigado; o sorriso, Ave Maria, num inzistia, prusquê só tinha um dente pirdido no quintal da boca; cês já viro um macaco chupano limão? Pois ela ganha dez vez na feiúra. Quando eu olhei pra baixo tinha um bucho que paricia ter uns oito minino lá dento. Uma lágrima desceu do meus ói, afinal a muié qui eu amava tava prenha e tinha se amigado cum anão cotó duma perna, que logo depois queu cheguei chamou a isquisita pra jantá: - Muié, vem terminá de cuzinhá o cassaco queu tô cum fome! Ô tristeza! Saí de lá disolado, sem rumo, meu amigo Fiofó sente quando eu to tristonho, os pobrema parece que bria na minha alma, o Fiofó fica apertado de emoção, isso é qué amigo, rapá, o resto é suvaco de cobra. Entrei no primêro bar que avistei, meti a mão no borso, “Me dê uma mêota”, “ôtra”, “mais uma”, só deu prumas vinte, eu si retei logo, quebrei um vasiame de barro no quengo do moço que sirvia as bibida, levei uma pisa dos homi que tava perto e acordei cum as carça arriada e a bunda dueno, e sem lembrá de nada, pode um negoço desse? Se eu pega o safado que tirô minha inucença, ai se eu pego, mas foi bom istravasá, eu tava pricisano, é bom passá por essas coisa que a gente aprende a não se inamorá por pessoas que não cunhecemos direito.
Passei por muitas barra na vida, mas hoje eu tô bem casado cuma mudinha que era minha vizinha, eu sei que ela me ama, toda vez que eu pergunto ela fica calada e todo mundo sabe que “quem cala consente”. Ah, Fiofó tá bem, tá cumeno direitim, eu amo o meu quirido Fiofó, por isso ele é o bicho mais filiz do mundo.

Danilo George
Enviado por Danilo George em 13/03/2006
Código do texto: T122846
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Sobre o autor
Danilo George
Paulo Afonso - Bahia - Brasil, 31 anos
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Danilo George