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azar eterno ou a morte? qual seria o melhor?


O sujeito se chamava Nibal, o mais azarento já conhecio na história mundial. Já deu muito azar quando nasceu, quando o médico o deixou cair dos braços e se arrebentou todo no chão. Hoje ele é manco de uma perna. O dia mais azarento de Nibal será narrado por mim a partir de agora.

Era um domingo diferente. Nibal levantou-se e pisou no seu cachorro que se encontrava sobre suas sandálias. O cachorro lhe deu uma mordida que perfurou um centímetro na sua carne. Nibal deu um grito tão alto que chegou a perder a voz. Agora estava mudo parcialmente. Saiu correndo do quarto e pisou no rabo de seu gato. Este lhe arranhou a perna no mesmo lugar onde o cão havia lhe mordido. Pôs então a correr mais desesperadamente ainda atrás de um remédio no seu armário. Quando ia descendo as escadas escorregou numa merda que o mesmo gato que lhe arranhou deixara minutos antes em um dos degraus. Nibal desceu rolando. Ao tentar se levantar percebeu que uma de suas pernas não queria se mover. Era a perna que não mancava. Agora estava se movendo apenas com uma perna manca. Abriu o armário e deu de cara com uma aranha que lhe picou na mão. A aranha não era venenosa, mas lhe causara uma enorme dor. Procurou então o remedio para seus ferimentos mas não encontrou. Decidiu então ir até a farmácia, que só ficava a três quilometros de sua casa. Ainda de pijamas, ele foi em direção ao carro e se lembrou que havia esquecido a chave dentro dele. Os vidros estavam todos fechados e ele não podia tentar pegar. Lembrou-se também que a cópia da chave ele tinha perdido no mesmo dia que a fez, no meio da rua. Então decidiu quebrar o vidro. Pegou uma pedra e o estralhaçou. Sua mão começou a sangrar e percebeu que havia um enorme pedaço de vidro grudado nela. Gritou de dor por dentro, já que não tinha mais voz. No mesmo momento, enquanto chorava de dor, engasgou-se com sua própria saliva e aí foi a loucura. Começou a sufocar e rolar pelo chão devido a agonia que passava. Sufocado e tossindo desesperadamente, entrou no carro pela janela e colocou a chave. Mas o carro não pegava de jeito nenhum. Desceu do carro e saiu correndo pela rua com a mão sangrando, tossindo como louco, com a outra mão picada por uma aranha, com a única perna manca e ainda arranhada no mesmo local de uma mordida de um centímetro de perfuração. Começou a chover e Nibal, agora todo molhado, corria até o hospital, que só ficava a dois quilômetros dali. Como era seu maior dia de azar, ninguém passava pela rua para lhe prestar socorro. Quando passava  correndo por uma casa, um cachorro saiu da mesma e começou ir pra cima de Nibal. Não conseguia correr mais que aquilo, então o cachorro lhe alcançou a lhe deu umas cinco mordidas no mesmo local que seu prórpio cachorro havia lhe mordido também, além dos arranhões sofridos pelo seu gato. O cão saiu feliz da vida abanando o rabinho, enquanto Nibal, caído ao chão, se contorcia de dor. Foi-se arrastando até o hospital. Chegou lá depois de duas horas. Entrou e todos ficavam olhando para ele mas nenhum infeliz o ajudava. Deviam achar que era algum louco. Quando o único médico que se encontrava vinha se aproximando para lhe dar atendimento, este começou a ficar tonto e sentir umas dores no coração. Teve um infarto e morreu, caindo em cima de Nibal, mais precisamente em sua perna arrebentada. Então todas as pessoas pegaram o médico e o levaram para outro hospital, que ficava a mais de dois quilometros dali. Nibal ficou só, apenas na companhia do faxineiro, que quando o viu achou que era um bêbado drogado e chamou a polícia. Os policiais então o pegaram e decidiram levá-lo até o outro hospital. Mas no meio do caminho avistaram um ladrão que tinha acabado de roubar um carro e começaram a persegui-lo. A perseguição durou quase uma hora até os policiais pararem o carro numa descida. Desceram do carro todos, e para o azar de Nibal esqueceram de puxar o freio de mão. O carro então começou a descer rapidamente e bateu violentamente contra uma parede. Nibal se arrebentou mais ainda e agora já não conseguia mover mais nada, só a cabeça. De repente o carro explodiu devido a batida tão forte. Morreu então Nibal Ferreira dos Santos.

Eu diria que depois de tanto azar, a maior sorte que Nibal poderia ter era a morte.
Benilo Berzerk
Enviado por Benilo Berzerk em 07/08/2006
Código do texto: T211045
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Sobre o autor
Benilo Berzerk
Salvador - Bahia - Brasil, 30 anos
5 textos (197 leituras)
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Benilo Berzerk