Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Zè Zarôi, a história

Zé Zarôi, a história

  Clássicos em todo o mundo retratam a beleza estonteante de histórias amorosas que fazem qualquer ser insensível apresentar sinais de humanidade. Sabendo-se que histórias de amor são sempre emocionantes, abrem-se as portas para um dos mais incríveis e tocantes romances já vistos, este nunca será comparado a nenhum outro, não pelos seus enredo e ação, mas pelo seu incrível plantel de personagens que com certeza emocionarão a todos os leitores.
José Galego é o protagonista do romance, filho de Epitáfio Galego e de mãe desconhecida, pois seu pai nunca revelara a verdadeira identidade dela. Moradores da vila onde moram dizem que o menino nasceu de um cruzamento entre Epitáfio e uma velha cabrita que eles possuem há muitos anos na roça, na qual José mamou nas tetas até seus dezoito anos.
José é um rapaz branquelo de cabelos crespos e nariz extremamente avantajado, seus olhos verdes e bonitos são tão amigos que tentam ficar o mais próximo possível um do outro, fato que caracteriza seu apelido “Zé Zarôi”. De corpo franzino e um charme que mataria qualquer mulher de rir, Zé destaca-se entre seus colegas de turma na pequena vila dos Segregados. Ele possui o dom de atrair objetos para seu corpo, quando entra na sala de aula copos, cadernos e bolinhas de papel voam em sua direção, até os professores sentem uma força estranha que os obriga a atirar as maçãs que os alunos dão na cabeça do pobre rapaz. Todos tentam melhorar a auto-estima dele, dizem que vai ser doutor um dia, doutor da quarta série, que repetiu oito vezes seguidas.
Assim que completou vinte anos José ganhou de presente do seu pai um filhote de jumento, “Fiofó, este é o nome”, disse ao pai que orgulhoso deu um abraço apertado no filho e largando-o logo em seguida devido ao forte cheiro proeminente das suas axilas. Fiofó logo adaptou-se ao dono, gostava de passar as horas ouvindo as belas cantigas de Zé:
“Sô bunito e atraente,
Na cama sô muito quente,
Se as muié diz oxente,
Eu quebro o catolé,
Os pai delas vêm correno aí é cebo nos pé, ié ié ié ié.”

Dos vinte aos vinte e cinco anos seu Epitáfio tentou sem sucesso explicar ao filho como nascem os bebês, frustrado o singelo pai resolveu levá-lo a uma casa de moças largadas, lá ele saberia como se inicia uma relação entre homens e mulheres. Nos primeiros dias Zé Zarôi ficou amedrontado com aquelas mulheres tentando tocá-lo de maneira diferente, mas logo se acostumou e aprendeu direitinho a lição. Aprendeu tão bem que queria até ensinar aos seus amiguinhos de sala o que via na cidade. Logo foi expulso por fazer sinais obscenos durante a aula, pura ingenuidade, seu pai foi tão espontâneo ao ensiná-lo que ele achou normal compartilhar suas experiências com seus colegas. Mas não ficou triste, direcionou todas as suas energias para o trabalho e seu divertimento favorito, ir com Fiofó ao cabaré. Seu pai se assustou quando ele chegou em casa com uma carteirinha de sócio do clube, “Pai eu sô sóci vip”, “Que porra é sóci vip, minino?” indagou o pai.
Zé só iniciou a puberdade ao completar trinta anos, foi nessa época que nasceram os primeiros pêlos do seu corpo, sua voz engrossou e aconteceu tudo o que tem que acontecer. Pareceria até um homem falando se não fosse gago e fanhoso. “Im, im, im dê um, uma êrveja, ur avôr”, isso é o Zé pedindo uma cerveja no balcão do animado meretrício.
Certa noite, depois de tomar muita bebida, José olhou para um canto do bar e avistou uma linda mulher, sensual e com um olhar paralisante. Neste momento começa a mais incrível e apaixonante história de amor já escrita. Via-se que a donzela era difícil de se conquistar, Zé depois que a viu demorou uma eternidade para levá-la para o quarto, o tempo de uma piscada de olho. Mas mesmo depois de tanto tentar ele não desistiu e conseguiu o que queria, foi uma noite inesquecível, parecia que a pobre e inocente menina sabia fazer amor como uma profissional, eles se encaixavam perfeitamente, mas a noite passou rápido, porém o coito foi duradouro, três giros completos do ponteiro grande do relógio. A menina ficou extasiada com tamanha performance de Zé, que dormiu orgulhoso e cansado de tanto amor. Ao acordar ele não viu ninguém no quarto, ficou apavorado só de pensar que tinha perdido a mulher da sua vida. Correu por todos os cômodos do lugar abrindo as portas dos quartos dos outros clientes, derrubando tudo que encontrava pela frente. Chorou que nem criança ao ver que sua amada havia desaparecido. Chegou em casa desolado e seu pai tentando acalmá-lo disse: “Filhim de pai, num chore não, essas coisa é assim mermo e a gente temos é que infrentá, o mundo é chei de preda, ispinho e buraco, nóis têm é que passá pro cima dos pro, dos probre, dos pro... arre que palavra difirci, pro-bre-ma”. Depois dessas belas palavras do seu pai Zé Zarôi pensou bem e juntou tudo que tinha para iniciar uma busca pelo seu grande amor, mas por onde começar? Foi aí que ele encontrou um bilhete dentro do bolso da sua calça com um nome escrito, Zumira, ele pulou de alegria, mal sabendo o difícil caminho que ainda iria percorrer em busca da sua felicidade. Vendeu o seu estilingue, seu pião, mas disse “O Fi, Fi, Fiofó eu num vendo de jeito nenhum”. Montou no danado do jumento e partiu em direção à cidade. Percorreu todos os lugares em busca de uma linda mulher com o nome de Zumira, não encontrou nenhum vestígio de sua amada porém, resolveu viajar pelo mundo numa verdadeira Epopéia dos tempos modernos. Passou por Todos os países das Américas, mas foi na Espanha que encontrou uma cigana que lhe disse: “Ella es uma perra, olvídese ella”(ela é uma cadela, esqueça-a), que Zé entendeu docemente: “Ela é uma pêra, ouça ela”. Ele saiu com mais vontade ainda de encontrá-la para dizer o quanto a amava. Passou por França e Alemanha e só ouvia mensagens ruins, “c’est um fait de filles de la garce”, “dies ist eine Tatsache der Hündinnenmädchen”, que significam “isso é coisa de quenga”. Mas para ele essas mensagens não valiam de nada, ele não as entendia mesmo.
Para se manter Zé Zarôi recebia auxílio de algumas pessoas que sentiam pena dele, vendo tal criatura à procura do seu grande amor lembravam-se do Quasímodo (o corcunda de Notridame) em busca de uma felicidade impossível. Tamanha comoção o levou a uma surra e muitos perigos na Faixa de Gaza, ao entrar em uma casa para pedir um pouco de água José foi pego por um barbudo e seus capangas, eles bateram tanto no pobre rapaz que ele perdeu a gagueira e deixou de ser fanhoso, “Socorro! Socorro!”, gritava desesperado enquanto era maltratado. Passou vários meses junto daqueles homens e acabou aprendendo sua língua, foi aí que descobriu o perigo que estava correndo, o velho barbudo era um tal de Bin Laden, daí para frente foi só desgraça na vida do pobre Zé, amarraram uma bomba no corpo do coitado e disseram “explode menino!”, ele correu o mais que pôde, tentou tirar os explosivos, foi em vão, policiais pensando que ele era um terrorista de verdade começaram a atirar e o infeliz corria alucinadamente aflito com tamanho perigo, depois de correr por vários quilômetros caiu, acordando horas depois com Fiofó bem na sua cara, lambendo-o. O incrível jumento havia desarmado a bomba, o momento foi muito marcante na vida dos dois, um forte abraço selou a amizade entre eles. Fugiram daquela iminente ameaça, foram do Japão para a Austrália de canoa, enfrentaram muitas tormentas e tiveram que parar em uma ilha no meio do caminho. Uma ilha desconhecida, nunca vista no mapa, quando avistaram comida em demasia, muitas frutas, correram e se fartaram de toda aquela riqueza, dormiram... Zé Zarôi sonhou lindamente com sua paixão, levando-a para o altar, tendo seu segundo encontro amoroso, mas no êxtase do momento foi acordado por Fiofó que procurava desesperadamente um meio de se desgarrar de Zé, que tentava possuí-lo pensando que fosse sua amada. Passado o mal entendido Zé explicou a Fiofó seu sonho e o nobre jumento o perdoou da sua quase primeira vez. Seguiram viagem, aportaram na Austrália, lá encontraram a primeira pista de Zumira, dez anos depois de tanta procura Zé iria encontrar o que procurava, o amor de sua vida. Era uma carta rasgada que ele encontrou no chão em meio a vários cangurus, Fiofó teve que distrair os animais que se mexiam sem parar tentando defender seu território de estranhos. José Galego passou quase o dia todo para juntar a carta que havia sido rasgada em dois pedaços, mas finalmente conseguiu. Porém não entendia a letra de quem escreveu, o que o afligiu ainda mais.
 Resolveu partir para a Grécia, onde habitava uma velha chamada Medusa, diziam que ela tinha um olhar petrificante e que possuía poderes além da imaginação, Zé pensou que ela poderia ajudá-lo a desvendar o mistério da carta. Chegando lá andou por muitos dias até encontrar um homem chamado Lampião, ele dizia-se um deus grego, “Num inziste um deus mais brabo que eu, encontre que eu quero ver, corto-lhe os zói e dô pros urubu cumê”, Zé então perguntou se ele conhecia a tal Medusa, Lampião disse que sim, mas iria ter um custo a informação, ele queria passar uma noite com a tal Zumira, aí Zé ficou muito bravo, “Venha com suas puia pa cá, sapeco-lhe a mão no seu pé d’uvido”, “Olhe o respeito, minino, veja cum quem que ocê ta falano, meu nome é Lampião”, “ é... minha mão no seu oião”, para que Zé disse aquilo, o cangaceiro pulou no pescoço dele e a briga começou, era tapa para um lado, mordida para o outro, beliscão, pontapé, mas no único instante que Zé vacilou Lampião deu-lhe uma rasteira que o coitado caiu igual a uma rã, todo arreganhado, o cangaceiro então puxou sua reluzente peixeira e quando fez menção de acabar com a vida do nosso herói, Fiofó deu-lhe uma mordida no fundo que ele ficou paralisado, Zé aproveitou a chance e amarrou as mãos dele a uma árvore e após horas seguidas de tortura conseguiu tirar a informação que desejava, o paradeiro da Medusa. Deixou-o amarrado e partiu rumo à sua jornada.
Medusa morava em uma caverna no alto de uma enorme montanha, cheia de obstáculos. A aventura de Zé e seu fiel Fiofó tornava-se cada dia mais emocionante, mas sua angústia crescia juntamente com sua vontade de encontrar sua amada.
Dias subindo e enfim chegaram ao cume, “A porta do discunhicido”, sábias palavras ditas pelo agora culto Zé Zarôi. “Vamo adentrá”, disse Zé a Fiofó, mas este respondeu com um relincho desconfiado, que o valente Zé logo reconheceu e percebeu que aquele momento teria que ser protagonizado por ele mesmo. Estufou o peito de coragem e foi em direção ao seu destino. Estava escuro, mas ele não hesitou, caminhou em direção ao nada, sem um único fio de luz, seu coração estava a mil, “Ai! Bexiga! Topada da peste!”, o pobre machucou seu dedão do pé, mas isso era pouco para sua valentia. “Achei um palito de frósco”, que alegria o Zé sentiu ao perceber que tinha um palito de fósforo em sua algibeira, acendeu-o e com certeza ele desejou que aquele momento nunca tivesse acontecido. A imagem que veria a seguir seria a mais aterradora de sua vida, é claro que depois da sua refletida no espelho. Mas quando as pessoas olham para Medusa não viram pedra? Essa pergunta com certeza passou pela cabeça de todos, mas Zé tinha uma coisa que a Medusa não esperava, seu incrível poder de visão, ele era zarolho então não conseguia olhar diretamente para a imagem do monstro, porém o Zé não sabia disso e continuou correndo desesperadamente, até que deu de cara com uma pilastra, caiu e foi capturado, Medusa pensando ter vencido o poderoso Zé deixou-se levar pelo orgulho da vitória então o nosso herói saltou e iniciou-se uma surra que ficaria para a história, Medusa bateu tanto no coitado que ele esmoreceu, só que restava uma última alternativa para Zé, e ele não deixou passar, deu no pé, correu o mais que pôde gritando por socorro, Medusa foi atrás e sem perceber caiu na armadilha que Zé preparara sem nenhuma intenção, a luz do sol transformou-a em  pedra...”Que diacho eu vou fazer agora? Diga Fiofó! Hein!? Diga! A infiliz virou preda e só ela pudia dizê ondé que a Zumira tá!”, Zé tinha razão, pela primeira vez na vida teve um pensamento lógico. O sábio Fiofó deu um coice na estátua e ela se quebrou, revelando mais uma pista, um cristal de cor avermelhada, com a seguinte frase escrita: “Made in Egypt”, após horas tentando desvendar o mistério do cristal Zé disse: “Que danado é Egipite?”, mas para sua alegria o sábio Platão estava em Atenas. Assim que soube da vitória de Zé sobre a Medusa, Platão foi ao encontro do guerreiro, cumprimentou-o e explicou que aquela frase representava um caminho a mais a perseguir. Cansado de tanto procurar, porém ainda esperançoso, Zé estendeu a cabeça e disse: “Eu já tô é cansado dessa miséra!”. Após dias e dias caminhando no deserto Zé avistou uma pirâmide, “Eita! Triango grande da peste!” Indagou admirado pelo tamanho da construção. Procurou a entrada e finalmente encontrou, “Fiofó! Tá iscuro! Fiofó! Ô Fiofó, infiliz! Uai! Que negoço é esse? Tira a mão do meu fundo seu fresco! Até aqui tem baitola. Ai!” O pobre Zé cai desmaiado não se sabe por quê. Passadas longas horas ele acorda todo amarrado em meio a escarvelhos famintos, “Bichiga qué bisôro, véi!” De repente pula uma múmia em cima do nosso pobre herói, pega-o pela gola da camisa e começa a estapeá-lo sem dó, bateu, bateu que deixou mole, eita Zé que apanha! Mas Zé sempre tem um truque, nunca se deixa perecer diante de uns poucos socos, pontapés, pauladas, pedradas e chicotadas pelo corpo, engana-se quem pensa que ele não sabe o que está fazendo. Ao ver o coitado desacordado a múmia fica nervosa e tenta reanimá-lo com mais uns tapas na sua face, um simples vacilo que levou a ingênua múmia a seu túmulo eterno, de um salto seguido de um coice, Fiofó transformou-a em pó. Zé foi acordando aos poucos, olhou ao redor do local onde estava, a sala do poderoso faraó Tutancamon, no alto de um altar ele avistou uma imagem, era uma mulher com roupas cobertas por rosas, “Eita mulé boa da porra!” Retrucou o seco Zé, que até a estátua estava desejando agora. Foi chegando perto do monumento e avistou aos pés da estátua uma cavidade, esperto percebeu que era ali o local onde deveria colocar a pedra escarlate. Ao colocar a estátua começou a se mexer, Zé começou a correr com medo, Fiofó relinchando, aquele sufoco e os dois só pararam quando a mulher falou “Zééééé, sua procura está próxima do fimmmmm, sua amada está onde você menos espeeeeeera. “A istauta falou, tu iscutô, Fiofó?” Indagou com um ar de receio. A mulher começou a brilhar e de repente um estrondo ocorreu...Zé foi acordando aos poucos... abriu os olhos e viu que estava exatamente no cabaré. Agoniado levantou às pressas tentando saber o que tinha acontecido, mas logo percebeu que havia tido um sonho depois da sua longa noite de amor. Voltou para casa. Ele entrou em depressão, seu pai quando o viu naquele estado disse: “drepessão é coisa de rico, rapaz, tu ta é cum frescura!” Zé foi atrás de sua amada, agora repare bem na carta que Zé mandou para a rádio contando exatamente tudo que aconteceu naquela noite, a causa de sua agonia e como está sua vida de sucesso atualmente:
Meu nome é Zé Zarôi, vô contá uma históra qui cunteceu cumigo uns mês atrás, irguazim a um rumance de novela, prestenção, viu? Eu tinha ficado cuma nega num brega duma cidadezinha aqui pertim, e mermo troncho de cachaça eu me pixunei pela quela quenga. Cê sabe que a birita faz milagre, né? Pois a infiliz num paricia quera bunita? Êta cachaça bem tumada! Aí gastei todo dinhero queu tinha, drumi, sonhei uns negoço istranho, quando acordei vi qui meu love tinha disaparicido, então fui simbora pá casa todo tristonho. Passou uns mês e eu num isquici a meritriz. Juntei uns dez real pá gastá to-di-nho cáquela nega. “Vô me declará”, pensei. Mermo sem lembrá eu sei que a noitchada foi boa e que ela também se pixunô purêu. Aí parti, inchi o tanque da condução, meu jumento chamado carinhosamente de Fiofó e fui pela estrada, duas légua de distança da minha roça era o famoso brega, aí eu cheguei, estacionei o Fiofó no poste e entrei na ispelunca. Tasquei a prucurá pela quenga, home cadê essa danada? Foi aí que me dissero: - Zumira zôi brigado num tá qui não, foi pro centro. Peguei o indereço, saí, tasquei o chicote no Fiofó que ele saiu sortano puêra. Pense numa carrera! Aí eu cheguei, ô lugarzim fêi! Achei o indereço, bati na porta e uma mulhé abriu... eu olhei pra cara dela e fiquei tentano imaginá cum qui  bicho paricia. Pense numa bicha feia! A mulhé era muito estragada, rapaz. Dexe eu descrever: os zói era um prum lado e otro po otro, daí vem o nome Zumira zôi brigado; o sorriso, Ave Maria, num inzistia, prusquê só tinha um dente pirdido no quintal da boca; cês já viro um macaco chupano limão? Pois ela ganha dez vez na feiúra. Quando eu olhei pra baixo tinha um bucho que paricia ter uns oito minino lá dento. Uma lágrima desceu do meus ói, afinal a muié qui eu amava tava prenha e tinha se amigado cum anão cotó duma perna, que logo depois queu cheguei chamou a isquisita pra jantá: - Muié, vem terminá de cuzinhá o cassaco queu tô cum fome! Ô tristeza! Saí de lá disolado, sem rumo, meu amigo Fiofó sente quando eu to tristonho, os pobrema parece que bria na minha alma, o Fiofó fica apertado de emoção, isso é qué amigo, rapá, o resto é suvaco de cobra. Entrei no primêro bar que avistei, meti a mão no borso, “Me dê uma mêota”, “ôtra”, “mais uma”, só deu prumas vinte, eu si retei logo, quebrei um vasiame de barro no quengo do moço que sirvia as bibida, levei uma pisa dos homi que tava perto e acordei cum as carça arriada e a bunda dueno, e sem lembrá de nada, pode um negoço desse? Se eu pega o safado que tirô minha inucença, ai se eu pego, mas foi bom istravasá, eu tava pricisano, é bom passá por essas coisa que a gente aprende a não se inamorá por pessoas que não cunhecemos direito.
Passei por muitas barra na vida, mas hoje eu tô bem casado cuma mudinha que era minha vizinha, é a muié do meu sonho, eu sei que ela me ama, toda vez que eu pergunto ela fica calada e todo mundo sabe que “quem cala consente”. Hoje eu sô um home dos negóço, vendo rapadura e tô quase montano uma nova tenda na ôta rua, dá dinhêro dimais, rapá! Ah, Fiofó tá bem, tá cumeno direitim, eu amo o meu quirido Fiofó, por isso ele é o bicho mais filiz do mundo.
 
Essa é a carta de Zé galego para os ouvintes da rádio Ouva Fm 907.
 A verdadeira paixão de Zé estava na casa ao lado, sua vizinha, a qual o coitado nunca havia reparado, os sonhos realmente dizem coisas importantes, ela estava onde ele nunca procurara. Olha só, a mudinha que Zé casou é cega, por isso aceitou o casamento. E ele pensa que ela anda com um pedaço de pau para sapecar nas costas dele “Eita muié braba! É assim qui eu gosto!”, a coitada bate nele sem querer para não esbarrar nas coisas.

(Danilo George)

Danilo George
Enviado por Danilo George em 16/09/2006
Código do texto: T241504
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Danilo George
Paulo Afonso - Bahia - Brasil, 31 anos
3 textos (182 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 13:13)
Danilo George