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Chorume

Chorume sempre foi um “mano” muito querido na favela Ordem e Progresso, onde nasceu, filho de Dita Gororoba e Mestre Bagana, criador e condutor da bateria nota quatro do Grêmio Recreativo e Escola de Samba Unidos do Pavilhão Sete, uma ONG cujo objetivo é recuperar presos condenados a mais de duzentos anos, uma variante da Comissão de Direitos Humanos de um polêmico partido político.      -     Chorume é casado com Nêga Nóia e pai de William Shakespeare da Costa e Margareth O’Brien da Costa.  Um casamento e tanto!  Já lá se vão mais de dez anos e ninguém se esquece: Nêga Nóia, no apogeu de suas quinze primaveras, nono mês de gravidez, tomara-que-caia amarelo-ouro, sapatos vermelhos, óculos de Sol, bolsa a tiracolo... Ele: camisa Volta-ao-Mundo, toda branca – exceto o colarinho – camisa esta que seu pai mantinha há mais de trinta anos, só usando em ocasiões especiais como apresentações em Juízo, enterros e noites de reveillon.  As calças, jeans, eram novinhas, como bem podia atestar a enorme e colorida etiqueta grampeada sobre o bolso traseiro, “descuidadamente” ali deixada para mostrar “status”.  Era uma legítima USTOP!  Um padre, visivelmente embriagado, ajudava a compor o inesquecível cenário.      -     Tinha tudo para dar certo aquele casamento: ele gostava de futebol, ela de bocha; ele gostava de pinga com Fernet, ela de rabo-de-galo; ele adorava Martinho da Vila, ela Waldick Soriano; ele era corintiano, ela palmeirense; ele roncava, ela flatulava.  Não são os opostos que se atraem? Então!     -     Chorume se destacou entre seus ímpares já aos sete anos de idade, não só por sua enorme resistência aos efeitos da cola de sapateiro e uma incrível habilidade em trombar com sexagenários no Vale do Anhangabaú: Chorume foi o melhor “avião” que já passou pela Ordem e Progresso.  Palavra de Tião do pó!     -     Mas voltemos ao casamento, persistente até os dias de hoje, um tanto por ser aberto – uma inovação em favelas paulistanas – e outro tanto porque as ameaças de morte foram sempre acreditadas por Nêga Nóia. Uma relação onde nunca houve cobranças: cada um naquela casa sempre deu pra quem quis, excetuando Chorume, é claro, e provavelmente William Shakespeare.   Às vezes até transam entre si (o casal, obviamente).       -      Há pouco tempo a coisa ameaçou ficar preta.  Nóia descobriu que Chorume trazia teúda e manteúda a popular Brigitte Bibunda, ou BBB, como o Big Brother Brasil, figuraça de metro e noventa, pés quarenta e seis, que muitos juram ser travesti, fato que em nenhum momento perturbou Chorume, fundamentado num ditado por ele mesmo criado: “A cavalo dado, só se olha o rabo!”.  O fato só não terminou em tragédia porque na mesma ocasião Chorume descobriu que Nóia vinha tendo um caso com “Edinanci” cano longo, uma vizinha de curtíssimos cabelos, praticante de artes marciais e halterofilismo.       -      Por mais incrível que possa parecer, foi o casamento e a responsabilidade nele implicante que fizeram Chorume se desenvolver, crescer.  Estudado (quatro anos na EEPG Eva Perón da Silva e três na FEBEM), graças à progressão continuada Chorume sabia ler e escrever, embora com alguma dificuldade: gaguejava nas redações.   Esse bom nível é que o levou, ainda bem jovem, ao invejado cargo de tesoureiro da facção criminosa que controla os presídios de São Paulo.   Status, poder, até o dia em que o pegaram roubando.  De nada adiantou dizer que só estava buscando cem anos de perdão.  Expulsão e castigo: cortaram-lhe um dedo mindinho.      -     Incentivado por Nêga Nóia que assumia o juramento “na alegria ou na tristeza; na saúde ou na doença...” Chorume não se entregou.  Com as portas fechadas para os seqüestros, assaltos a bancos e empréstimos a aposentados, Chô – nome carinhoso usado por Nêga Nóia, teve que se contentar com o roubo de toca-cds e um ou outro assalto a ônibus.      -     E como age o destino!  Numa de suas jornadas de trabalho, estava Chô a caminhar em busca da oportunidade de um “lance” qualquer, quando à frente do Colégio São Luiz, imediações da Avenida Paulista, um aglomerado de pessoas chamou sua atenção.  Realizavam-se ali testes vocacionais.  De graça, condição que entusiasmou nosso herói.  E lá foi ele.      -     A cada descrição de uma habilidade sua, mais abismado ficava o pesquisador.  Este já havia visto de tudo, mas aquilo...     -     Analisados, os testes vocacionais normalmente sugerem um leque de opções, geralmente próximas.  No caso do teste de Chorume o resultado foi único e incisivo: DEPUTADO FEDERAL!  Nem mesmo POLÍTICO, pois isto poderia indicar um início pelo Palácio Anchieta, como um nobre Vereador. Não, para Chorume não era esse o cargo: suas habilidades indicavam nada menos que a Câmara Federal, a casa do Congresso Nacional de onde sai o Presidente da República, no caso de eventual ausência do titular e de seu vice.      -     E É POR ISSO QUE ESTAMOS AQUI.  Eis a razão desta história, da exposição desta saga.  Queremos pedir seu voto para nosso herói, hoje não mais apenas Chorume, mas José Ignácio Chorume da Costa. 24171. Faça dele seu representante, o representante de São Paulo na Câmara Maior.  No dia 1º de Outubro, hora em que vamos trocar o alimento das moscas do Congresso (ou será o contrário?), digite 24171 e confirme.  É novo, é povo, é Chorume.  Você estará ajudando a colocar o home certo no lugar certo, naquilo que deverá representar o início de uma caminhada onde só o Céu será o limite.  Na dúvida entre Peroba e Chorume, deixe falar mais alto seu espírito de paulistanidade: mande o Chorume de São Paulo para o lugar certo. PARA DEPUTADO FEDERAL, CHORUME NELES! 24171
luca mangus
Enviado por luca mangus em 22/09/2006
Código do texto: T246627
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Sobre o autor
luca mangus
São João da Boa Vista - São Paulo - Brasil, 72 anos
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luca mangus