DEDÉ JARDINÊRO - Causo Verídico acontecido hoje - Matéria do Cantinho do Zé Povo-O Jornal de Hoje-Natal-RN-Ed. 27.Nov.2010

DEDÉ JARDINÊRO

Se eu souber do nome de batismo desse indivíduo; eu rinche!... Pelas “conseqüências medievais”, como diria o saudosíssimo Cel. Ludrugero, deve ser José. Por aqui, por Morro Branco e pelo bairro de Nova Descoberta, é conhecido como Dedé Jardineiro. Em minha casa, nós; eu, minha mulher e meus filhos; conhecemos como “Mô”; que era como sua ex-companheira que já trabalhou conosco, o chamava. Depois que andaram tendo uns “quebra pau” que culminou com a separação do casal, o danado enveredou por onde eu, infelizmente ou felizmente; também já andei; ou seja, o sub mundo do álcool. Ninguém mais lhe dá trabalho; e muito menos, atenção, a exemplo do que também ocorreu comigo. Mas, aqui na minha casa, não falta nem casa, nem comida, nem o carinho, meu e de minha família. Se êle chegar embriagado, como ocorre na maioria das vezes, tem ele, onde tomar seu banho e onde relaxar seu corpo do sofrimento imposto pela ingestão exagerada da “marvada”... É natural da cidade de Puxinanã, pertinho de Campina Grande-PB. Quando está por aqui por casa, é um verdadeiro “melé” ou “faz tudo”; desde uma simples arrumação no quintal, como limpeza e regulagem de fogão, jardinagem; enfim tudo quanto necessário for. É de um respeito fora do comum para um “alcoólico na ativa”. Já foi ao AA, por “n” vezes; entrando, mas não vingando... Mas é cheio de “presépe e de incriquibulação”. É querido por quem o conhece. Aqui, acolá, sai um presepe de sua massa cinzenta que já mereceu outrora, o nome de juízo. Como hoje, quando ele foi comigo, comprar uma tinta, lá em Nova Descoberta, para limpar minha casa. Vínhamos do Rede Mais, em direção ao Batalhão de Engenharia; e quando passávamos numa das esquinas dessa rua, passou um amigo seu, pedalando uma bicicleta com dois sacos de cimento no bagageiro. E “a fábrica de fazê maimota”, não perdeu tempo, gritando bem alto para seu colega que pedalava a bicicleta, num supremo esforço. Apontando para a parte trazeira da bermuda do ciclista, falou bem alto:

- Tem um buraco na bunda!

O pobre coitado, parou a bicicleta com grande esforço, passou a mão no fundo da bermuda e respondeu a “Mô”:

- Tem não, Dedé; passei a mão na “regada” e num tá discusturada in ninhum lugá, não.

E “Mô”, do mais alto degrau de sua irreverência, replicou:

- Mêrmo assim, procure derêito qui você incontra.

O coitado tornou a passar a mão no fundo da bermuda e disse:

- Você tá ficando é doido; a cachaça cumeu seu juízo; aqui num tem buraco ninhum, não sinhô.

E “Mô” ajuntou, rindo debochadamente:

- Uau; intão você é alêjado, macho; o buraco qui eu tô falando é o buraco do seu c..., seu fela da puta!...

E eu tive que parar o carro, para rir sem atrapalhar o trânsito!...

Bob Motta
Enviado por Bob Motta em 28/11/2010
Código do texto: T2640939
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