TENÓRIO, O HIPOCONDRÍACO

Tenório, que já era de idade, vivia com sua mulher, Dona Zeferina, bem mais nova, e seus três filhos, em uma pequena cidade do interior. Levavam uma vida razoavelmente boa, os filhos estudavam na melhor escola, ele era dono do mercadinho, Dona Zeferina cuidava das crianças e fazia trabalhos manuais. Enfim, era uma vida tranqüila, não fosse a hipocondria de Tenório, que vez ou outra surpreendia a todos com uma doença diferente.

Dona Zeferina, que conhecia muito bem o marido, sempre tinha o "remédio" certeiro para cada desconforto que ele arranjava. Dor de cabeça, dor de barriga, tonteira, dor de estômago, lá estava ela com a "cura". Tinha remédio pra qualquer mal que pudesse incomodar Tenório, com efeito imediato.

Mas o que ele não sabia era que os "medicamentos" eram de mentirinha. Isso mesmo, Dona Zeferina, que não era boba nem nada, tinha sempre em mãos uns comprimidinhos de polvilho, coloridos com anilina, uma cor para cada doença, que ela mesma "fabricava" para essas ocasiões.

Porém, certo dia, num desses ataques de hipocondria, o velho apareceu com uma dor pra lá de estranha, bem diferente de todas as outras já "praticadas" por ele. Tenório se dizia com dor de dente, e, aos berros, mandava que a mulher lhe desse um daqueles "calmantes".

Mas para azar de Tenório, nesse dia Dona Zeferina não estava de bom humor. Sua paciência havia se esgotado na secretaria da escola, numa discussão com a diretora por causa das travessuras de seus filhos. Quando então ouviu os berros do marido, já cansada de tolerar os fingimentos do velho, deixou aflorar toda sua ira, e com um tom de voz bem áspero, lhe disse:

- Tenório, pra essa dor não tem remédio,

Deixa logo de frescura!

Como está com dor de dente,

Se você usa dentadura???

Nádia Mourão
Enviado por Nádia Mourão em 17/03/2007
Reeditado em 17/10/2008
Código do texto: T416096
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