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O JUIZ

O JUIZ
                                                              Ronaldo José de Almeida

             O Dr. Eustógio era um juiz conhecido como linha dura, como mão pesada, não tinha contemplação, nem misericórdia, todo réu, onde as provas circunstanciais lhe incriminavam, era impiedosamente lançado no calabouço.
Certa vez esse juiz entrou de férias e, ao voltar a trabalhar, mudou completamente seu enfoque e o teor de suas sentenças.
Passou a usar a máxima de na dúvida, “pro réu”. Por mais que as provas incriminassem o réu, ninguém mais ia para a cadeia por sentença desse juiz. Todos os advogados se entreolhavam e ficavam surpresos com tão radical mudança de atitude. Só que o juiz era muito reservado e fechado, não dando oportunidade de ninguém se atrever a lhe perguntar o que tinha acontecido.
             Um dia, contudo, apareceu no fórum o Dr. Leocádio, um velho advogado que tinha sido colega de turma do juiz Eustógio e lhe era íntimo. Os advogados mais jovens cercaram o Dr. Leocádio e lhe relataram o motivo de suas curiosidades. Somente o velho advogado poderia desvendar o mistério. O causídico muito curioso aquiesceu.
-Dr. Eustógio há quanto tempo não conversamos. Vamos tomar um café?
-Claro, meu velho amigo Leocádio.
E assim caminharam juntos para a cantina do fórum.
-Diga-me, Dr. Eustógio, porque é curiosidade de todos, inclusive minha, o que pode ter lhe ocorrido para tão grande mudança? Você se tornou tão liberal com esses criminosos, mesmo às provas circunstanciais lhe sendo incriminatórias.
-Meu velho amigo Leocádio, são coisas da vida, começou a falar o juiz.
-Você bem sabe que desde criança eu queria ser fazendeiro e o destino não me permitiu. Mas nestas minhas últimas férias recebi um convite de um primo que acabou de comprar uma fazenda na Vargem Grande. Não resisti ao desejo de passar uns dias na fazenda e fui com a minha mulher. Lá, um dia, perdi o sono e acordei cedo, eram 4:00 h. da manhã, resolvi ir ao estábulo tirar leite de vaca, outro sonho meu. Acendi as luzes do curral, apanhei um balde e caí no trabalho, só que a vaca era indócil, com a pata esquerda derrubava o balde. Então apanhei uma corda e amarrei sua pata esquerda numa estaca, aí ela derrubava o balde com a pata direita, amarrei a direita também. Sentei num tamborete e reiniciei o trabalho de ordenha, não é que a vaca começou a me chicotear com o rabo, com tal violência, que o jeito foi amarrar sua cauda numa trava do curral. Aí meu caro amigo é que começou o meu problema. Nesse momento eu tive vontade de urinar e foi exatamente quando a minha mulher, que estava á minha procura, entrou no curral e me deu o flagrante. Até hoje eu estou tentando provar á minha esposa que eu estava apenas tirando o leite da vaca.

  As provas circunstanciais indicavam outra situação e ela não me perdoou.

***
RONALDO JOSÉ DE ALMEIDA
Enviado por RONALDO JOSÉ DE ALMEIDA em 02/09/2007
Reeditado em 18/12/2007
Código do texto: T635195

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Sobre o autor
RONALDO JOSÉ DE ALMEIDA
Montes Claros - Minas Gerais - Brasil
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