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Morte por "engasgamento pintal"


O velório ocorria no salão do velho casarão municipal, como todo velório de morto decente quando morria. Uma das paredes desse casarão era erguida de vidro e tinha na frente o verde suave de um jardim, até que muito bonito para um jardim de velório.
Dentro do salão um público de velório ocupava duas dúzias e meia de cadeiras, que logo após a chegada do falecido foram sendo afastadas e agrupadas, dando a essa platéia um clima apaixonado de conversas íntimas. Era um público bastante excêntrico. Não só uma platéia de velório, mas também de "viados".
Nas cadeiras agrupadas, em três ou quatro vozes, as "bichanas" sussurravam histéricas e fazendo a maior algazarra. Eram duas dúzias e meia de “viadinhos” desconsolados, que trocavam lembranças da vida de Bartolomeu Dias - "Bertolda", um gay de classe, um "viado" maduro, um irmão que "elas" perdiam. Comentavam os momentos vividos com a "defunta" e as orgias que tinham feito "juntas", quando "uma delas", toda desconsolada, perguntou:

- Do que foi que "ela" morreu, do que foi?

- Você não sabe "querida", respondeu um negrão que era conhecido como "Maria Lúcia". "Ela" tomou uma cabeçada no céu da boca e BUMBA... Morreu de engasgamento. Há, há,há... Trágico, não é?


CARLOS CUNHA o Poeta sem limites
Enviado por CARLOS CUNHA o Poeta sem limites em 18/09/2007
Código do texto: T657352

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Sobre o autor
CARLOS CUNHA o Poeta sem limites
Japão, 63 anos
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