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PREMONIÇÃO

                           
                                                            Ronaldo José de Almeida


Elesbão como sempre fez antes de dormir, foi ao quarto de seu filho Vilibaldo de apenas 12 anos, para dar-lhe boa noite.
Ali encontrou o garoto tendo um pesadelo, o pai o acordou e perguntou-lhe se estava bem.  O filho respondeu que estava com medo porque sonhou que o tio Beto havia morrido, o homem assegurou-lhe que o parente estava muito bem, mandando-o voltar a dormir.
No dia seguinte a família recebeu a triste notícia da morte do tio Beto.
Alguns dias depois, quando Elesbão foi novamente dar boa noite a seu filho, percebeu que este enfrentava outro pesadelo. O pai o acordou; o filho assustado garantiu-lhe ter tido outro pesadelo, no qual vira morto o avô Quizinho.  Elesbão tranqüilizou o filho:
- Fique calmo, Vili, você teve apenas um pequeno pesadelo. Tome um copo de água e volte a dormir, o seu avô está bem.
O menino deitou e voltou a dormir.
Assim que o dia amanheceu o telefone tocou. Elesbão atendeu e recebeu a informação da morte do avô Quizinho, tal e qual descrevera Vilibaldo no seu sonho.
Uma semana depois, Elesbão foi de novo ao quarto de seu filho para dar-lhe boa noite, e o surpreendeu tendo outra opressão durante o sonho. Já assustado com os acontecimentos o pai o acordou indagando sobre o sonho.
- Sonhei com a sua morte, papai, estou com medo.
 Elesbão, agora preocupado, ciente dos acertos das premonições anteriores, assegurou para o menino que estava muito bem. Nada havia que justificasse qualquer preocupação.
O homem foi para a cama e não conseguiu dormir, durante toda noite ficou a virar-se na cama.
No dia seguinte ele estava apavorado, tinha certeza da morte, o filho Vilibaldo não errara das vezes anteriores com suas premonições.
Sequer conseguiu almoçar, receava que a comida estivesse envenenada ou estragada. Temia ser assassinado.
Não afastava o temor de um assalto na rua. Via cada esquina como uma incógnita, pois que ali poderia estar posicionado um bandido a aguardá-lo.
Ao retornar do trabalho encontrou a esposa, a qual abraçou como se fosse uma despedida. Do alto de sua angústia disse-lhe:
- Hoje foi o pior dia da minha vida, meu amor. Meu Deus, o que fiz para merecer tamanho sofrimento.
- Fique calmo, querido. Tome um banho e relaxe. Hoje também tive um dia difícil. E de mais a mais, tomei o maior susto quando o Salatiel, o nosso vizinho, caiu na nossa porta. Ele foi levado imediatamente para o hospital, porém não resistiu e morreu. Coitadinho! Era uma pessoa tão boa! Eu fiquei tão triste!







RONALDO JOSÉ DE ALMEIDA
Enviado por RONALDO JOSÉ DE ALMEIDA em 17/10/2007
Reeditado em 18/12/2007
Código do texto: T698825

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Sobre o autor
RONALDO JOSÉ DE ALMEIDA
Montes Claros - Minas Gerais - Brasil
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RONALDO JOSÉ DE ALMEIDA