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PUM BAIXINHO E CURTO.

HUMOR NEGRO – PUM BAIXINHO E CURTO.

Eu estava sentado em uma cadeira de espera em um Hospital. A minha esquerda, havia uma cadeira vazia e em seguida, estava um Senhor. Ele estava com a cabeça entre os seus joelhos e suas mãos sobre a cabeça. Ele havia acabado de sair do soro. Bom. Acho eu, pois sua manga estava levantada e dava para ver a picada vermelha em seu braço. Logo a sua esquerda, estava uma Mulher. Deduzi que estavam esperando algum tipo de carona. Ela estava com seu braço direito sobre as costas do Senhor e assistindo a TV concentradíssima. Pudera, estava passando a Novela. Mas acredite, mal dava para ouvir alguma coisa de som. Acho que ela deveria saber ler os lábios. Ou sei lá o que.
Bom. Como ficar esperando em Hospital, é muito divertido, pelo menos para mim, pois são em ambientes sérios que sempre acabo tirando boas histórias de humor.
Sempre levo comigo, uma linda caneta esferográfica de menos de Hum Real e um Jogo de Números. Não cabe aqui, realizar a propaganda de uma revista sem receber o meu cachê. É bom, ajuda pacas a passar o tempo. Já nem levo meu relógio de 10 reais. Vai que um moribundo o confunda com um desses caríssimos e acabo levando uns safanões. Por isso, sempre acabo perguntando as horas para qualquer um. Gastar com bateria e poluir a natureza, porque?
Nossa, já desviei do assunto acima. Mas continuando.....
Nesta cadeira que eu estava, a Porta de Entrada/Saída, estava a minha direita. Havia uma corrente de ar bem expressiva, que até dava umas geladas na espinha dorsal. E esse vento, canalizava em minha direção e consequentemente para a minha esquerda. Coitado do Senhor a minha esquerda. Coitado.
Mas confesso que não deu e não foi de propósito. Juro que não.
Um uma fração de milésimos de segundos, ele saiu. Sem estrondo. Nem sinal de um vacilo de minha parte. Fiquei concentradíssimo em meus números. Apenas as minhas pupilas se dilataram, mas sem que ninguém o percebesse. Não em meus movimentos corporais. Nada. Nenhuma suspeita sobre mim a não ser a corrente de ar que acabou me traindo. Me delatou. Nem vermelho eu fiquei. Concientemente, transferi toda as minhas forças para as pupilas oculares e como uso óculos, para enxergar de perto, não me delatei fisicamente.
Em fração de menos de um segundo, o Senhor a minha esquerda, levantou a sua cabeça que estava entre os seus joelhos e ficou quase que ereto, feito uma estatua olhando para a parede a sua frente.
As outras pessoas que viram, esse brusco e rápido movimento, devem ter pensado que ele se recuperou espantosamente.
Perguntem-me se eu tive a coragem de olhar para lado qualquer que fosse ele.
Ali, eu fiquei com as minhas pupilas tão paralisadas quanto as dele.
Eu por Ter liberado o gaz venenoso e ele, por tê-lo inalado. E ainda mais sem a prescrição médica.
Eu queria pedir desculpas, mas como pedir desculpas em uma situação dessas.
Sabemos que nossa visão é algo fantástica. Mesmo que você esteja olhando fixamente para o sentido da sua frente, mesmo sem mexer seu globo ocular, você acaba vendo os movimentos a sua volta.
Lembro-me que na minha infância, todos nós, Internos de um Orfanato, dizia-mos que o nosso Diretor era de outro mundo. Pois o cara, mesmo olhando fixamente morro acima, ou morro abaixo, ele sabia de nossos movimentos laterais. Quando, cantávamos vitória de estar saindo de fininho pela lateral dele, o Diretor já anunciava os nossos nomes. Ai o castigo corria solto.
Pois bem. O Senhor levantou-se repentinamente e iniciou a sua saída daquele ambiente.
E por ironia, ele teve que passar a minha frente. Pois a saída era para a direita.
Perguntem-me se eu desafixei os meus olhos de meus números.
Nem pensar. Ainda bem que havia bastante espaço, sem que eu necessitasse me movimentar para dar espaço, ou pior, que ele fosse educado o bastante para me pedir Licença para fugir daquele ambiente inóspito que eu criara.
Por minha singela culpa.
Pois bem, ele passou por mim e a sua Senhora caminhou atrás dele.
Só eu sei o porque eles saíram com aquela pressa.
Fiquei aliviado que não havia mais ninguém a minha esquerda.
O vento continuava canalizado para a minha esquerda e a culpa foi toda da minha dieta alimentar.
Me eximo dessa culpa mental.
Foi uma mera necessidade orgânica.
Dizem que segurar, é ruim.
Até que dá para segurar as vezes, mas tem hora que é impossível.
Seja lá a idade que tenha.
Confesso. Foi uns daqueles que sai bem baixinho. Sem alarde.
E diz o ditado que os baixinhos e curtos, são os mais verdadeiros destruidores da camada de ozônio.
Sempre imagino o porque não se fala mal da China. É culpa do mercado. Quem fala mal da China?
Só um louco. Pois então, a mente poluída que todos nós temos, já cheguei a imaginar quando ouvi pela primeira vez, sobre a camada de ozônio:
É culpa dos Chineses, Indianos, Japoneses e Bangladesh, que dá quase os 3 Bilhões de seres, essa preocupação mundial sobre o aquecimento Global.
Imaginem quase 3 Bilhões de Seres Humanos dando aquela escapadinha como a minha.
É claro que a minha mente perversa, imaginou, esses quase 3 Bilhões, soltando ao mesmo tempo.
Coisa feia. Além de.......os outros tipos de Seres Vivos.

Confesso, eu havia jantado e a Salada,..... era de REPOLHO.
ADORO REPOLHO.
Christian Herbert Kulza
Maringá, 18/10/2.007









Christian Herbert Kulza
Enviado por Christian Herbert Kulza em 18/10/2007
Código do texto: T700358

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Sobre o autor
Christian Herbert Kulza
Maringá - Paraná - Brasil, 57 anos
14 textos (2943 leituras)
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Christian Herbert Kulza