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O MACHÃO

                                                             Ronaldo José de Almeida


Tião Melado era o tipo do sujeito rude e grosseiro. Mecânico de máquinas pesadas, falava muito alto, quase gritando.
De temperamento agressivo, por qualquer motivo iniciava uma discussão. Se não houvesse intervenção de terceiros, certamente haveria luta corporal.
O rapaz residia sozinho num antigo prédio de apartamentos de quarto-e-sala, tendo a solidão como companheira.
Todo final de tarde, ao encerrar o expediente na sua oficina, Tião Melado corria para o bar do Valdo, no mesmo prédio onde morava, ficando por ali até altas horas bebendo e provocando os fregueses pacatos. Sempre falando alto e bêbado, provocava temores nos demais que ali se encontravam.
As moças moradoras das imediações conheciam a fama daquele sujeito, e sequer se aproximavam do estabelecimento comercial, evitando assim as suas piadinhas indecentes.
Certa noite apareceu no bar de Valdo uma morena muito bonita, tipo índia, O mecânico, como sempre embriagado, olhou-a de cima a baixo, ficando boquiaberto com tanta beleza.
Ela comprou uma garrafa de água mineral e deu meia volta para sair, quando o bêbado beliscou levemente o seu “bumbum”, falando-lhe a seguir:
 - Gostosa!  Você é a nora que a minha mãe pediu.
A morena assustou-se, desferindo-lhe um tapa no rosto, saiu pisando alto.
Todos os freqüentadores do bar ficaram estarrecidos, olhando para o mecânico muito sorridente, que a todo o momento passava a mão pela face esbofeteada e vermelha.
A seguir, Tião Melado correu para fora do bar, tentando ainda ver aquela mulher, mas sem êxito.
O mecânico perguntou a Valdo, dono do bar, se a conhecia:
- Você conhece a fera, Valdo? - Não, Tião. Eu sempre a vejo passar por aqui, mas nada sei sobre ela.
- Alguém conhece a moça? – perguntou o mecânico.
- Eu conheço, é a Margô, mora aqui mesmo – respondeu Quinquinhas.
- Então me diga companheiro, quem é ela? – insistiu Tião Melado.
- Não sei muito sobre a moça, não. Sei apenas que ela se chama Margô e mora aqui mesmo no prédio, no segundo andar - respondeu Quinquinhas.
- Ela mora aqui no prédio, no segundo andar? Então é minha vizinha. E eu nunca a tinha visto. Meu Deus! Preciso encontrar essa moça!
Saiu com andar trôpego e foi embora.

Quiquinhas deu um sorrisinho maroto e também foi embora.
Dias depois, Quinquinhas, que morava no outro bloco de apartamentos cuja janela dava para o apartamento de Tião Melado, chegou correndo no bar de Valdo e chamou os amigos para ver uma cena inusitada do seu apartamento.
            Os amigos se agruparam na janela da sala e viram Tião Melado com os joelhos e as mãos apoiados no chão, usando coleira, em postura semelhante a de um cãozinho, dando pequenos latidos e com a língua para fora, sendo puxado pela morena que estava seminua.
Era uma cena patética e mesmo hilária, ante aquele homem que demonstrava tanta truculência agora posicionado daquela forma tão servil aos pés da morena bonita.
Tião Melado não mais apareceu no bar, Quinquinhas afirmou que o namoro com a moça estava sério, o mecânico agora era outro homem.
No sábado pela manhã, a morena do Tião Melado entrou no bar. Antes mesmo de falar qualquer coisa, foi logo avisada pelo proprietário: - Dona Margô, “aquela pessoa” está esperando a senhora - falou indicando um rapaz humildemente vestido que se encontrava na outra ponta do balcão.
Margô olhou rapidamente e reconheceu Ricardinho. Caminhou até ele:
- Como vai, meu irmão? Vindo me procurar é porque aconteceu alguma coisa grave. Algum problema?
- Realmente Tião temos um grande problema. Vim para avisar que o nosso pai faleceu esta noite. Vamos para casa que a nossa mãe quer falar com você.  Mas vista roupa de homem!


RONALDO JOSÉ DE ALMEIDA
Enviado por RONALDO JOSÉ DE ALMEIDA em 28/10/2007
Reeditado em 04/02/2010
Código do texto: T713220

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Sobre o autor
RONALDO JOSÉ DE ALMEIDA
Montes Claros - Minas Gerais - Brasil
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