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A Mulher Fantasma da Ilha Fit - Capítulo III - Surge a Mulher Fantasma

A rotina da tribo dos engenheiros era estranha. Durante a manhã ficavam diante de computadores, entretidos com o que chamavam de diagramas de circuitos, estranhos desenhos, como joguinhos de armar, ligando bonequinhos de diferentes formatos. Passavam horas pesquisando sobre caixinhas cheias de perninhas, como estranhas aranhas. Num dado momento reuniam-se e discutiam seriamente sobre onde caçar a refeição do meio-dia, e após muita confusão iam sempre para os mesmos lugares, o que era muito irritante. Todos carregavam telefones celulares que nunca tocavam. Pareciam extremamente inabilidosos em diálogos triviais, mas ficavam muito à vontade ao discutir sobre coisas das ciências exatas. À noite os engenheiros se reuniam em torno da fogueira e contavam lendas sobre seres de seios salientes, que eles não conheciam, e que vinham a ser as mulheres, que eu não entendo mas conheço relativamente bem. Dizia a lenda que um dia a ilha também fora habitada por fêmeas, mas que elas, as fêmeas, não apreciavam a falta de graça dos engenheiros, e partiram de maneira não esclarecida, de modo que não restou nenhuma, ou quase nenhuma... Aí todos se calavam e ficavam muito sombrios. Um a um iam dormir, e tinham um sono muito agitado, pensando nas criaturas de curvas generosas e seios arredondados.
Numa dessas ocasiões fiquei a sós com Maúr, o outro estranho da ilha, e lhe perguntei sobre o assunto tabu.
- Meu irmão, não tem mulher nesta merda? Nem pagando? Eu tenho um dinheirinho aqui no bolso que já secou...
- Rapaz, pelo jeito não. Fugiram todas, porque os engenheiros transam mal, não sabem conversar e ainda queriam rachar as contas.
- Ohhh...
- É verdade, difícil de acreditar mesmo. E não era meio a meio não. Proporcional ao que consumiu, e todos andam com calculadoras científicas. Teve um deles que fez um programa pra calculadora HP pra calcular o valor relativo entre consumo de cerveja e de refrigerante...
- Porra, essa tribo vai se extinguir. - disse eu, desanimado.
- Vai, a não ser que eles engravidem as folhas, a areia, os lençóis... Porque nem uma cabritinha tem por aqui, infelizmente. Eu temo que fiquemos aqui pra sempre. Dizem que a ilha tem uma maldição, que faz você começar a esquecer como as mulheres são...
- Não!!!! Será verdade? Será que no final não vamos nem poder fazer justiça com nossas mãos? Ou vamos fazer pensando em tijolos de seis furos e julgando que são a nossa cunhada, ou a vizinha da frente? - fiquei transtornado.
- Acho que sim, porque um dia desses um dos engenheiros começou a descrever Vera Fischer, e do meio pro fim ele estava a falar de um Maverick 74, sem nem perceber. E ainda disse que a mulher tinha quatro portas.
- Meu Deus!!! Então é verdade! Daqui a uns 10 anos vamos estar nos masturbando pras plantas, pros camelos, pros...
- Caminhões basculantes.
- Jesus Cristo! Isto é pior que a morte...
Fui dormir abalado, e me afastei um pouco do círculo formado pelos outros. Não entendia porque eles procuravam dormir tão próximos, e já estava com uma certa paranóia de boiolice generalizada, embora nenhum deles desse sinal disso na verdade. Adormeci com dificuldade, pensando bastante em formas femininas para retardar o efeito da maldição do esquecimento, mas comprovei que a maldição era real, porque houve dois momentos em que me vi pensando em bicicletas e geladeiras.
Então aconteceu: De dentro do sono ouvi um ruído, e abri os olhos. Qual não foi meu espanto quando vi à minha frente uma mulher!!!!! Era morena clara e de longos cabelos negros, o que muito me agradou. Tinha seios de belo tamanho e formato, e usava um curto vestido. Seu corpo era bastante agradável, e àquela altura do campeonato ela me pareceu uma deusa. Por um momento nos encaramos, até que cometi um erro fatal; tentei levantar. Ela assustou-se, e em questão de segundo afastou-se do fogo e desapareceu na escuridão. Só então acordei totalmente. Teria sido uma visão? Talvez. Eu tinha visto pela primeira vez a misteriosa mulher fantasma da ilha Fit.
Artur Silva
Enviado por Artur Silva em 27/11/2007
Código do texto: T755292

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Sobre o autor
Artur Silva
Recife - Pernambuco - Brasil, 49 anos
10 textos (278 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 18/08/17 21:17)