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"As aventuras de Dumel: a abelhinha fujona"

   Era uma vez uma floresta muito encantadora, era a floresta dos flamboiants vermelhos.
   Lá vivia uma rainha muito poderosa, era a rainha Zanzar. Ela vivia cercada de súditos por todos os lados.
   A rainha tinha uma filha muito encantadora, seu nome era Dumel.
   Dumel passava os dias ao lado da rainha, arrumava suas roupas e cuidava dos seus belos sapatos de ouro, limpava seus espelhos de cristal, arrumava daqui, arrumava dali. Dumel gostava muito de ajudá-la.
   Mas Dumel tinha sonhos e ela queria por que queria voar junto com outras abelhinhas da colméia. Mas a rainha Zanzar não deixava. A rainha dizia sempre a ela.
   _Dumel, você não é e jamais será uma abelhinha campeira minha filha.
   Dumel não podia sair pra lugar nenhum, andava de um lado para o outro, pensativa.
   _Que dia poderei sair? Gostaria tanto de voar com as abelhas campeiras pelo bosque...
   A rainha sabia que Dumel tinha todas as qualidades para um dia ocupar o seu lugar na colméia, ela não era mais uma jovem e mais cedo ou mais tarde isto iria acabar acontecendo.
   Dumel seguia fazendo a limpeza da colméia, todo dia ela acordava cedo e corria pra lá e pra cá de um lado pro outro.
Um dia de repente se ouve a voz da rainha Zanzar:
   _Dumel! Venha até aqui, gostaria que você limpasse minha coroa, mas tenha muito cuidado pra que ela não se quebre meu anjo.
   Ela pega a coroa com todo carinho das mãos da rainha e se encanta com tantos brilhantes. A rainha então lhe diz:
   _Tenha calma minha filha, um dia esta coroa será sua e você será uma bela rainha, terá as melhores sentinelas e as melhores operárias a lhe servir.
   _Mas minha mãe, não sei se serei uma boa rainha.
   _Calma, com o tempo você aprenderá tudo, você ainda é muito jovem filhotinha.
   Certo dia Dumel observava o vai e vem das abelhas campeiras e pensou:
   _Um dia, quando minhas asas forem fortes o bastante, eu voarei com elas...
   O tempo foi passando e Dumel se tornara uma bela e forte abelhinha, suas asas cresceram e com elas crescera ainda mais a sua vontade de voar. Ela passava horas exercitando suas asas escondida em seu quarto, mas como lá não havia muito espaço ela então logo pensou em um plano para sair da colméia.
   Com o plano todo armado ela se aproxima das sentinelas e diz:
   _Por favor, sentinelas! Deixem-me sair! A rainha pedira a mim que eu fosse até as montanhas buscar para ela o néctar de uma certa flor medicinal.
   As sentinelas ficaram desconfiadas e iam averiguar se era mesmo verdade.
   Dumel ficou apreensiva e nervosa, tremia que nem vara verde.
   Neste momento chega um enxame de campeiras e as sentinelas preocupadas em observar se entre elas não havia nenhum invasor, se esqueceram da princesa.
   Ela então se esguia e zás... Se atira no vazio, começa a bater as asas com força, toda sem jeito, voa desgovernada e quase chega a tocar o chão. Aos poucos ela vai pegando o jeito e o vôo vai ficando mais equilibrado.
   Ali perto alguém a espreitava do galho de uma árvore, era um pássaro faminto, e ele dispara como um raio em sua direção. Ela toma o maior susto e foge rumo a mata fechada, ela era muito mais veloz que ele, por isso conseguiu se safar com destreza.
   Era o primeiro perigo que ela enfrentara depois de sair da colméia, não sabia ela que algo muito mais perigoso a aguardava no meio da floresta.
   Na colméia, a rainha Zanzar sente sua falta, ela então pergunta às sentinelas:
   _Sentinelas! Vocês viram a princesa Dumel?
   _Vimos sim, ela nos disse que vossa majestade lhe pedira para ir até as montanhas buscar um pouco de néctar.
   _Tentamos impedí-la mas na chegada do enxame das campeiras não tivemos como vigiá-la.
   _Seus incompetentes! Não viram o que fizeram?! Dumel nunca saiu da colméia, agora ela deve estar correndo sérios riscos lá fora. Nem voar direito ela sabe, ela não deve ter ido muito longe.
   A rainha estava preocupada e furiosa.
   _Rápido seus molengas! Não me voltem aqui sem ela ou irão se arrepender.
   As operárias abanavam pequenas folhas para refrescá-la, mas nada adiantava, ela estava muito zangada.
   _Minha pequena Dumel, por que será que ela fugiu? Sempre lhe dei tudo do bom e do melhor.
   _Conselheira! Gritou a rainha.
   _O que foi rainha? O que posso fazer por vossa majestade?
   _Conselheira, Dumel lhe dissera alguma coisa? Disse pra onde ela iria?
   _Não majestade, ela nunca me disse nada.
   _Tem certeza? Tente se lembrar, talvez ela tenha dito alguma coisa.
   _Espere! Disse a conselheira. Um dia ela me falou que tinha muita vontade de voar pela floresta junto com as abelhas campeiras.
   _Dê o alerta, chame os zangões, chame todas as sentinelas, quero que procurem nas veredas, nos bosques, na floresta, procurem em todo lugar, não me voltem aqui sem ela.
   Neste momento Dumel acabara de pousar em uma flor, pois ela estava faminta. Ao seu lado ela avista uma bela borboleta descansando em uma folha.
   _Oi! Você é linda, disse Dumel. Queria ter asas coloridas assim como as suas.
   _Ah! Obrigada abelhinha, elas são assim para ajudar a afugentar os meus inimigos, vê esses olhões desenhados nelas, eles vêem e fogem assustados.
   _Você deve voar bem rápido não? Perguntou Dumel.
   _Que nada! Eu sou muito lenta, custo carregar o meu corpo, você deve ser nova por aqui, acho que nunca viu uma borboleta antes, não é abelhinha?
   _Sim...!Não...!? Ou melhor... Nunca vi mesmo, é que nunca saí da minha colméia, e eu acho que estou meio perdida.
   _Coitadinha, tome cuidado menininha, há muito perigo por aqui, procure um enxame, assim poderá passear com segurança.
   _Muito bem, pode deixar, tomarei cuidado dona borboleta.
   _Tchau abelhinha! Siga pelo bosque e tome muito cuidado.
   Dumel estava muito encantada com tantas novidades ao seu redor, seu zum zum zum atraía a atenção de todos, dizia alô e olá pra quem ela visse, ficou um pouco dispersiva e não viu que havia um grande perigo à sua frente.
   De repente... Crash! Ela se vê grudada numa enorme teia de aranha, Dumel fica apavorada, um grilo que estava num galho próximo dali ao vê-la gritou:
   _Pare menina!! Fique quieta, quanto mais pular, pior será.
   _Quem é você? Perguntou Dumel.
   _Ora... eu sou o Senhor Grilo, e você?
   _Eu sou a princesa Dumel!
   _Oh!!! Você é uma princesa? Olhe princesa tá vendo aquele buraco, lá mora uma enorme aranha, ela faz estas teias por todos os lados e quando alguém fica grudado nelas, ela vem e os devora.
   _O que é uma aranha Senhor Grilo?
   _É um monstro enorme com muitas pernas e coberta de pêlos por todo o corpo, e além do mais, ela tem um veneno mortal!
   _Você quer dizer que ela vai me devorar Senhor Grilo?
   _É o destino minha pequena, ninguém consegue se soltar destas teias grudentas.
   _Por favor! Me ajude, te darei todo o mel que você puder carregar.
   _Eu não gosto de mel...
   _Te darei néctar então!
   _Também não gosto de néctar...
   _Me diga do que você gosta, a rainha arrumará para você.
   _Rainha? Que rainha?
   _A rainha Zanzar ora...
   _Rainha Zanzar? Da colméia dos Flamboiants Vermelhos?
   _Isso mesmo Senhor Grilo, se me salvar ela te dará o que quiser.
   _Eu só gosto de folhas, as devoro o dia inteiro e aqui eu tenho muitas, não preciso de mais nada. Mas sabe... gostei de você, vou tirá-la daí antes que ela apareça.
   Senhor Grilo foi serrando a teia com suas pernas e nele fazer o vai e vem, toda vez saía um barulhinho: Cri... cri... cri. Nisto a aranha desperta e vendo que sua teia mexia muito, ela pensou:
   _Hum...Parece que chegou o meu almoço!
   _Rápido Senhor Grilo! Estou ouvindo algo, deve ser ela.
   _Calma, fique quieta! Só falta este fio.
   O Senhor Grilo soltou Dumel, mas pobre coitado, ficou com a perna presa na teia.
   _Me ajude princesa, socorro, minha perna ficou presa.
   Neste momento, a enorme aranha aparece na porta de sua toca e avista o senhor Grilo preso, então ela disse:
   _Senhor Grilo, senhor Grilo... Não disse que um dia iria te pegar?
   _Deixa ele sair, afaste-se dele ou irá se arrepender, falou Dumel.
   _Oh!!! Parece que temos mais alguém para o almoço, pena que seja tão pequenininha.
   Dumel se atira sobre ela de ferrão apronto, dona Aranha salta tentando se defender mas não consegue se desvencilhar, Dumel voa rápido como um raio e lhe aplica uma forte ferroada no dorso.
   Ela solta um grito forte de tanta dor.
   Dona Aranha se contorce toda rolando em sua própria teia amaldiçoando-a:
   _Maldita! Você me paga! Você e este grilo idiota.
   Dumel aproveita e rapidamente ajuda o senhor Grilo a escapar.
   Dona Aranha rolou tanto que ficou presa em sua própria teia e com uma raiva incontrolável ela gritou bem alto:
   _Sua abelha insensata! Você vai me pagar, você e este protótipo de folha verde.
   _Dumel foge, mas senhor Grilo não voava tão rápido como ela, então ele prefere se esconder embaixo de um arbusto.
   Dumel sente sua falta e volta para procurá-lo.
   _Senhor Grilo... Senhor Grilo!Onde você está?
   _Estou aqui princesa! Venha, entre debaixo desta folha, mas fique bem quieta, assim ela não poderá nos ver.
   _Tudo bem senhor Grilo, não vou me mexer, ficarei bem quietinha.
   _Cri... cri... cri... cri...
   _Que barulho é esse senhor Grilo?
   _São minhas pernas Dumel, é que estou nervoso, não consigo evitar.
   A aranha passa por eles e desaparece na floresta.
   _Ufa...! Ainda bem que ela se foi, disse Dumel. Temos que sair daqui, ela não demora vai voltar. Xiiii... parece que está vindo uma tempestade por aí.
   Neste instante eles ouvem um som estranho de batidas de pés no chão, seguido de uma cantarola:
   _Um, dois! Um, dois! Um, dois!
   Era um exército de formigas abrindo caminho para um novo formigueiro.
   _Parem! Gritou uma delas para as outras. Tem um grilo e uma abelha no nosso caminho.
   Ela parecia ser a líder das outras.
   _Ei! Vocês aí! Não vêem que estão no nosso caminho.
   _Desculpe-nos formiga, mas porque tanta pressa?
   _Não temos muito tempo abelhinha, já - já chega o inverno e nem casa temos mais, o rio transbordou e inundou o nosso formigueiro, a enchente destruiu toda a nossa reserva de alimento, foi horrível.
   _Que pena, disse Dumel, como é seu nome?
   _Meu nome é Uanda, sou a rainha.
   _Olhe rainha, talvez o senhor Grilo saiba de algum lugar para vocês morarem, não é senhor Grilo?!
   Senhor Grilo chama Dumel e lhe sussurra no ouvido:
   _Princesa! Já pensou se elas resolverem ficar aqui, não vai sobrar nada para eu comer.
   _Calma senhor Grilo, a floresta é muito grande e sempre terá comida para todos.
   _Espere! Tive uma idéia princesa.
   _Pois então nos diga logo senhor Grilo.
   _Por que elas não vão morar numa certa toca Dumel? Disse o senhor Grilo com tom de ironia.
   _Boa idéia senhor Grilo, boa idéia.
   _Senhora Uanda, tem uma toca logo ali, por que vocês não vão até lá dar uma olhada?
   _Onde abelhinha? Onde fica? Há dias nós estamos andando pela floresta e já estamos ficando cansadas.
   _É logo ali naquele enorme tronco adiante.
   _Obrigada abelhinha, obrigada grilo, vamos companheiras, marchem! Abelhinha, se um dia precisar de nós é só pedir nossa ajuda, você também grilo, vamos! Um, dois! Um, dois! Um, dois!
   _Senhor Grilo, já pensou na surpresa que a dona Aranha vai ter quando voltar? Disse Dumel. Você foi muito esperto.
   Enquanto isso, os sentinelas procuravam Dumel incansavelmente junto com os zangões.
   _Onde se meteu essa menina, disse um deles, a tempestade já está se aproximando e à noite vai ficar mais difícil de encontrá-la, tomara que ela esteja em um lugar seguro.
   A princesa Dumel, vendo o céu escurecendo cada vez mais, pergunta ao senhor Grilo se ele não sabe de um lugar onde eles possam se abrigar da tempestade.
   Senhor Grilo responde a ela que perto dali mora um grande amigo seu e que ele certamente irá lhes acolher em sua casa.
   _Venha princesa! Quero que conheça meu amigo, o papagaio Jaburu, esta hora ele deve estar empoleirado na porta de sua casa pois ele adora ver a chuva caindo.
   Os dois voam por entre os raios e os pingos de chuva forte, o vento os empurrava para trás com força mas até que enfim eles conseguiram chegar à casa do velho Jaburu.
   O papagaio Jaburu ao avistá-los começou a gritar:
   _Curupaco, curupaco... Quem vem lá? Curupaco...
   _Calma velho Jaburu, sou eu, o senhor Grilo. Só queria que nos abrigasse dessa tempestade.
   _Curupaco... curupaco... Entrem, entrem e se abriguem meus amigos. Quem é esta menininha senhor Grilo?
   _É a princesa Dumel Jaburu, filha de Zanzar, rainha da colméia dos Flamboiants Vermelhos.
   _O que lhe traz aqui Dumel, está muito longe de sua casa, curupaco...
   _É, eu sei Jaburu, desobedeci minha mãe, agora ela deve estar preocupada comigo.
Ela tinha razão, o mundo aqui fora é muito perigoso.
   _Ela já correu um grande risco Jaburu, ficou presa nas teias da dona aranha, diz o senhor grilo.
   _Curupaco... curupaco, nossa! Aquela dona aranha não tem jeito mesmo hein!
   _É, a sorte é que nós conseguimos escapar e nos escondemos em um arbusto perto daqui.
   Enquanto isso, na colméia a rainha caíra enferma. As abelhas não sabiam mais o que fazer, pois com sua líder acamada elas ficaram desorientadas.
   _Meu Deus! O que faremos? Disse a conselheira.
   _Saíram os zangões e também as sentinelas e agora adoece a rainha, tomara que encontrem a princesa Dumel, assim ela nos ajudará.
   A rainha não suportou, pobre coitada e no outro dia veio a falecer.
   A colméia parou, todos choravam a morte daquela que fora a melhor de todas as rainhas. A notícia correu rápido pela floresta.
   _Morreu a rainha Zanzar! Gritavam desesperados!
   _Morreu a rainha Zanzar!
   A tempestade se fora e Dumel levanta bem cedinho, voa para fora da toca e avista ao longe um enxame. Ela volta e acorda Jaburu e o senhor Grilo.
   _Acordem! Acordem! A rainha está vindo me buscar, olhem...
   _Não parece ser um enxame de abelhas campeiras, estas aí são muito grandes, disse Jaburu.
   _São as sentinelas e os zangões, não precisam ficar com medo. Junto comigo eles não lhes farão nenhum mal.
   O enxame foi se aproximando e Dumel então começou a chamar por eles.
   _Aqui! Aqui! Hei... estou aqui!
   _Olhem! É Dumel, graças a Deus a encontramos, você nos deu o maior susto. Quem são eles? Te fizeram algum mal? Perguntou um zangão.
   _Não! Eles são meus amigos, este aqui é o senhor Grilo, ele me salvou a vida e este aqui é o Jaburu que me abrigou da chuva.
   _Muito bem! Obrigado a vocês pelo que fizeram por Dumel, serão sempre bem vindos em nosso reino. Agora temos que ir, a rainha nos aguarda na colméia.
   Eles partem e Dumel pela primeira vez liderava um enxame.
   _Venham por aqui, chegaremos mais rápido, dizia ela. Os zangões e as sentinelas a obedeciam, sabiam que ela tinha a inteligência de sua mãe.
   Chegando perto da colméia, eles se assustaram ao avistar uma multidão em seu entorno.
   _O que está acontecendo lá? Perguntou Dumel. Por que tantos bichos?
   _Não sabemos alteza, estivemos estes dias fora à sua procura e não sabemos de nada.
   Dumel voa apressada deixando todos para trás, ela entra na grande colméia e se depara com uma tristeza enorme estampada no rosto de todos presentes.
   _O que foi? O que aconteceu? Por quê todos estão chorando? Onde está minha mãe? Chamem-na! Digam a ela que voltei.
   A conselheira se aproxima de Dumel, segura suas mãos e diz:
   _Minha pequena Dumel, tamanha foi a tristeza de sua mãe com a sua partida, pobre rainha, já não vinha bem de saúde.
   _Onde está minha mãe, conselheira? O que você está querendo me dizer?
   _Sua mãe... Sua mãe... A conselheira emocionada cai em prantos.
   Dumel percebe o acontecido e grita desesperada.
   _Minha rainha não está bem? Por favor, me digam! Ela não está bem?
   _Ela se foi Dumel, a rainha nos deixou, fizemos de tudo mais não teve jeito. Antes de morrer ela pediu que eu lhe encontrasse e lhe ensinasse todos os afazeres de uma rainha, ela te amava muito, várias vezes ela me confidenciava:
   _ “Conselheira! Dumel será uma grande rainha, ela tem um grande coração, só precisará aprender a conter os seus ímpetos, pois uma rainha não pode tomar decisões precipitadas.”
   _Me leve até ela conselheira, quero vê-la, quero me despedir dela, pediu Dumel.
   Elas caminham lentamente pelo corredor até chegarem defronte a uma sala enorme, dentro dela estava o corpo da rainha Zanzar. Dumel se aproxima do caixão de vidro e coloca algumas flores sobre ele, ela toca o vidro com uma das mãos e diz: _Minha rainha, eu só queria passear um pouco, me perdoe, juro que não vou decepcioná-la, agora entendo porquê você queria tanto que eu me interessasse pelas coisas do reino; Serei uma boa rainha, honrarei o seu nome e serei justa com todos.
   Os Zangões levam o caixão da rainha e o deposita em uma câmara mortuária, depois eles o lacram e saem emocionados.
   Perto dali, a aranha malvada ao saber da morte da rainha reuniu-se com outras aranhas e disse:
   _Minhas amigas! Nossa honra foi abalada, fui humilhada por uma abelhinha insignificante, agora é chegada a hora da vingança. A rainha delas morreu e sem ela, elas ficam desorientadas, chegaremos de surpresa, elas não terão como fugir de nós.
   Uma aranha bem velhinha com quatro bengalinhas pergunta a ela:
   _Por que temos que ir? Não temos nada com isso, você sim, foi humilhada.
   _Cale-se velha!! Se quiser pode ficar aqui.
   _Vamos amigas! Senão jamais seremos respeitadas de novo e isto não será muito bom para nós, “aranhas”.
   Elas partem em direção à colméia dos Flamboiants Vermelhos. Só não sabia Dona Aranha que o Senhor Grilo ouvira tudo camuflado debaixo de uma folha de orquídea.
   _Preciso avisar à Princesa Dumel, antes que aconteça uma tragédia.
   Senhor Grilo vai até a toca do papagaio Jaburu e lhe conta tudo.
   _Foi bom você ter vindo meu amigo, curupaco, monte em minhas costas, vamos avisá-las agora.
   Os dois partem apressados, mas Jaburu aos poucos vai se cansando, suas asas começam a doer, pois ele há muito não voava, eles param na copa de uma árvore e Jaburu então fala ao Senhor Grilo:
   _Vá meu amigo, sinto muito mas não poderei ajudar vocês, minhas asas só conseguem me levar de um galho para o outro.
   _Tudo bem, não fique triste Jaburu, você tentou e isto é o mais importante, tentarei chegar lá antes delas.
   _Vá Senhor Grilo! Dumel está desprotegida, não perca mais tempo.
   Senhor Grilo voa rápido por entre as árvores, mas como todo grilo que se preza ele sente o roncar de sua barriga e resolve parar para fazer um lanchinho.
   _Que fome! Huuum!!! Que folhas saborosas, comerei um pouco, depois eu pego um atalho e ainda chegarei primeiro do que elas.
   Senhor Grilo come compulsivamente, ele come tanto que não consegue nem movimentar suas asas, ele encosta o corpo em uma árvore e dorme.
   As aranhas chegam à colméia, elas cercam todo o reino e com suas fortes teias vão aprisionando todas as abelhas uma por uma, a conselheira apavorada chama Dumel e a ajuda a escapar do cerco das aranhas.
   _Vá princesa! Fuja para bem longe e veja se consegue ajuda, se não conseguir não se preocupe conosco, agora você já é uma adulta e pode criar o seu próprio reino.
   _Eu não vou abandoná-los! Eu juro que voltarei conselheira, e libertarei todos vocês.
   A aranha malvada vendo que todos foram aprisionados, menos Dumel, grita raivosa:
   _Droga! Aquela abelhinha metida fugiu, mas não importa! Não vamos matá-los agora pois assim evitaremos carregar peso até as nossas tocas. Levaremos elas vivas, mas amanhã cedo, bem cedo, teremos um farto café da manhã.
   Dumel voa sem direção, chora o tempo todo.
   _Onde estão meus amigos?! Onde está o Senhor Grilo?! Jaburu... Jaburu...!!Onde estão vocês?
   Senhor Grilo ao ouvir a voz de Dumel, acorda e vai ao seu encontro.
   _Dumel! Dumel! Grita ele. Estou aqui, temos que ir rápido pra colméia! A aranha malvada está indo pra lá.
   _É tarde Senhor Grilo, todas foram aprisionadas, fomos pegas de surpresa e foi tudo culpa minha.
   _Não princesa, eu é que sou o culpado, eu as ouvi arquitetando um plano de ataque à colméia, chamei Jaburu, mas ele já está muito velho coitado, não conseguiu voar. Eu então tentei ir sozinho, mas essa fome insaciável que não me deixa, mais uma vez falou mais alto, me perdoe princesa!
   _Senhor Grilo, tem que ser mais responsável, milhares de abelhas dependiam do senhor.
   _Me perdoe princesa, por favor, estou muito arrependido!
   _Tá bom Senhor Grilo, mas se um dia alguém precisar de sua ajuda, por favor: esqueça essa fome pelo menos por um instante. Vem comigo, vamos procurar Jaburu, ele pode nos ajudar.
   _Se minha mãe estivesse aqui ela saberia o que fazer; Pensou Dumel...
   _Espere princesa, tive uma idéia! Lembra-se daquele exército de formigas? Talvez elas possam nos ajudar agora.
   _Então vamos Senhor Grilo, a toca delas é bem perto daqui.
   _Espere Dumel, ouça! A aranha ainda não sabe que as formigas foram morar na toca dela, assim, elas devem estar indo direto para lá agora.
   _Muito bem Senhor Grilo, sabia que eu já tinha me esquecido deste detalhe, vamos, vamos preparar uma surpresa para elas.
   Os dois enfim chegam à toca das formigas, só que várias sentinelas fecham a entrada da toca ao avistá-los.
   _Alto! Quem são vocês?
   _Calma sentinelas, viemos em paz, eu sou Dumel e este aqui é o meu amigo Senhor Grilo, precisamos da ajuda de vocês, por isso viemos até aqui.
   _Espere! Agora estou me lembrando! Não foram vocês que nos ajudaram um dia desses?
   Isso mesmo, mas agora nós é que estamos precisando da ajuda de vocês, meu reino foi atacado por aranhas malvadas e elas aprisionaram todos com suas teias, preciso falar com Uanda.
   _Aguarde um pouco, vou pedir alguém para chamá-la.
   _Saú! Venha aqui! Chame a rainha Uanda, diga que alguém quer vê-la.
   Saú, um formigão cabeçudo e todo desajeitado, sai correndo à procura de Uanda. Ele encontra a rainha e quase sem fôlego lhe diz:
   _Majestade, ufa! Tem uma abelha e um grilo enorme lá fora querendo falar com você.
   _Uma abelha e um grilo? Que será que eles querem de mim? Diga a eles que daqui a pouco irei atendê-los.
   _Majestade, acho que é algo muito importante, senti isto no olhar triste dos dois.
   _Muito bem saú, mande-os entrar, verei o que posso fazer por eles.
   Saú vai até a porta e pede aos dois que entrem.
   _Venham comigo! A rainha os aguarda.
   Senhor Grilo com medo disse a Dumel:
   _Acho melhor eu ficar por aqui, elas não são muito confiáveis.
   Senhor Grilo! Esta não é uma boa hora para suas crises de medo, lembre-se que muitas abelhas dependem de nós.
   _Tá bom! Mas depois não diga que eu não avisei.
   Os dois entram pelos corredores do formigueiro acompanhados por Saú.
   A rainha Uanda ao vê-los vem de encontro a eles.
   Dumel lhe estende os braços e de seus olhos cai uma lágrima. A rainha lhe abraça e sentindo seu desespero ela lhe conforta.
   _Que foi? Não chore! Diga-me o que houve!
   _Por favor! Você disse que poderíamos procurar sua ajuda se precisássemos.
   _Tudo bem, pare de chorar abelhinha, eu vou ajudá-los, conte-me o que aconteceu.
   _Minha mãe morreu e enquanto estávamos chorando sua falta, fomos pegos de surpresa. Um esquadrão de aranhas se abateu sobre nós, as teias voavam sobre nossas cabeças, consegui fugir com a ajuda de uma fiel escudeira, mas só eu escapei.
   Senhor Grilo até então se mantivera calado. A rainha vendo seu silêncio pergunta a ele:
   _E você grilo? Que faz aqui? Não acha perigoso alguém com asas tão verdes e grandes poder vir a ser confundido com folhas? Afinal, você está dentro de um formigueiro.
   _Por favor rainha, não deixe que me devorem!
   _Calma, ninguém vai te fazer mal, você foi bom conosco, é nosso amigo agora, eu só estava brincando.
   _Puxa! Que alívio ouvir isso da senhora!
   _Dumel, que posso fazer por você?
   _Olha, elas moravam nesta árvore que vocês estão agora e elas não sabem que vocês estão aqui. Na certa elas devem estar rumando para cá.
   _Elas moravam aqui? Como?
   _Esta é uma outra história rainha Uanda, depois eu lhe explico tudo.
   _Olha, precisamos pensar em alguma coisa, elas são grandes, mas eu tenho muitas sentinelas e elas podem dar cabo delas facilmente, por outro lado temos que pensar nas abelhas presas, pois as aranhas poderão usá-las como escudo e elas podem sair machucadas.
   _Que faremos então? Perguntou Dumel. E você Senhor Grilo, não tem aí nenhuma daquelas suas idéias brilhantes?
   _Espere! Podemos fazer uma vala bem no meio do caminho que elas tem que passar, depois tapamos ela com folhas e quando as aranhas passarem: Tchibum! Cairão direto na nossa armadilha.
   _O senhor é um gênio Senhor Grilo, mas como faremos para elas caírem todas juntas no buraco?
   _Simples! A dona Aranha sempre quis me capturar Dumel, e por você e seu povo eu faria qualquer coisa, eu quero ser a isca, eu atrairei eles direto para o poço.
   _Senhor Grilo! Jamais deixarei o senhor fazer isso! Disse a princesa Dumel. Não acho seguro, elas são muitas e como o senhor fará para se desvencilhar delas? O senhor não terá chance nenhuma.
   _Espere! Exclamou Uanda. Colocarei sentinelas escondidos na mata, eles estarão preparados para atacar a qualquer momento, combinaremos um sinal, basta o Senhor Grilo nos avisar e então atacaremos.
   Rapidamente eles começam a colocar o plano em prática, milhares de formigas cavam freneticamente o poço apressadas.
   As aranhas vêm lentamente por uma trilha na floresta e enquanto isso as abelhas conversavam tristes entre si:
   _ Que será de nós? Que triste fim! Onde estará a princesa Dumel?
   _Ela fugiu, quando nós mais precisamos dela! Não podemos confiar nela, ela é muito jovem ainda.
   _Parem vocês! Disse a conselheira. Nunca ouvi tanta besteira, vocês não conhecem a princesa, eu a ajudei a fugir, pois ela é a única que podia reerguer a nossa colméia outra vez, afinal ela agora é uma rainha.
   A dona Aranha ouve o cochicho das três e diz:
   _Quem cochicha o rabo espicha minhas filhas! Será que eu poderia compartilhar dos seus segredos? Por que não me contam? Vocês devem saber do paradeiro daquela abelhinha atrevida. Vamos fazer um trato; aquela que me contar onde ela está, eu dou um doce, ou melhor, eu deixo ir embora.
   As abelhas ficaram em silêncio, não disseram uma palavra, irritando-a:
   _Ah... Malditas! Preferem ser devoradas por mim, então assim será, serão as primeiras.
   As formigas terminam de cavar o poço e o recobrem com galhos bem finos, depois elas esparramam uma terra bem fininha por cima, para disfarçar.
   _Pronto! Ficou perfeito, agora vamos nos esconder.
   Vocês sentinelas, ficarão incumbidas de jogar esta rede por cima delas quando elas caírem no poço. Dumel ficará no topo daquela árvore observando, e nos avisará o momento que elas estiverem se aproximando.
   Todos se posicionam, cada um em seu lugar.Senhor Grilo fica bem no meio da estrada esperando-as.
   _Elas estão vindo! Gritou Dumel.
   _Preparem-se, disse a rainha Uanda, não podemos falhar!
   As aranhas avistam o Senhor Grilo no meio da rua e ficam surpresas, Dona Aranha toma a frente e fala bem alto para as outras:
   _Vocês estão vendo o que eu estou vendo? Desta vez não vamos deixá-lo escapar, quem conseguir pegá-lo primeiro será gratificada.
   As aranhas ouvindo aquilo, deixaram as abelhas para trás e dispararam atrás do Senhor Grilo, então, seguindo o plano, ele corre em direção ao poço e ao alcançá-lo, alça vôo e salta para a outra margem.
   As aranhas começam a rir, Dona Aranha, vendo tamanho salto diz:
   _Vamos meninas, viram? Ele não consegue nem voar meio metro sequer, tá no papo!
   Na ânsia de pegá-lo, umas trombavam nas outras, e de repente a surpresa, todas despencam buraco adentro.
   As sentinelas rapidamente atiram a rede sobre elas, e com estacas bem fortes elas a fixam no chão. As aranhas se amontoaram lá embaixo. Dona Aranha agora estava mais brava ainda.
   _Era uma armadilha! Fomos enganadas! Isso só pode ser coisa daquela abelha atrevida.
   As formigas cortam as teias e libertam as abelhas, elas movimentam as asas aos poucos e depois vão aumentando as batidas, uma a uma elas alçam vôo, em poucos minutos elas formam uma enorme nuvem escura no céu formando um poderoso enxame.
   A rainha Uanda chama Dumel e o Senhor Grilo e eles então se aproximam do poço.Dona Aranha ao avistá-los começa a amaldiçoá-los:
   _Malditos! Malditos! Eu me vingarei de vocês. Quem é esta coisa feia e cabeçuda? Se ela ajudou vocês, também me pagará!
   De repente, várias sentinelas se aproximam da orla do poço e o céu escurece.
   _Quem é cabeçuda e feia aranha? Perguntaram as sentinelas.
   _Tirem a rede! Pediu o enxame em coro. Queremos vingança!
   _Esperem! Disse Dumel. A vingança só aumenta o ódio nos corações das pessoas, não quero que as machuquem.
   _Afaste-se Dumel! Disse um zangão. Nossa rainha morreu, sua mãe era forte e sabia mas você...você não passa de uma abelhinha insensata que só pensa no seu bem estar.
   Uanda ouvindo isso então intervém:
   _Ouçam-me todos vocês! Se estão libertos agora, agradeçam à valentia e coragem desta garotinha. Eu, rainha Uanda, garanto a todos vocês que ela está pronta para guiá-los para onde quer que vocês tenham que ir. Agradeçam também ao Senhor Grilo aqui do meu lado, ele é o grilo mais valente e bondoso que eu já vi.
   _A conselheira ouvindo-a, voa ao encontro de Dumel, as duas se abraçam, neste momento todos percebem que a partir de agora uma nova rainha reina na colméia dos Flamboiants Vermelhos, seu nome é Dumel, rainha Dumel.


   E todos viveram felizes para sempre!
   







   


   
Belchior Contins
Enviado por Belchior Contins em 08/04/2006
Reeditado em 15/06/2006
Código do texto: T136071
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Sobre o autor
Belchior Contins
Lagoa Santa - Minas Gerais - Brasil, 50 anos
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