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CLIN-CLIN, O BEIJA-FLOR MÁGICO.


Welington Almeida Pinto

ERA UMA VEZ um beija-flor muito especial que vivia numa terra bem distante. Impressionava pela plumagem de muitas cores, pelo enorme bico encarnado, fininho, e pela cauda de longas penas verdes, que mais parecia de um pequenino Quetzal das terras dos antigos astecas. Um príncipe de tão elegante!
Como tinha poderes mágicos, vivia de cartola na cabeça onde guardava uma varinha de condão; presente de Glinda, sua fada madrinha. Clin-Clin, como era chamado, passava o dia inteiro procurando uma flor para beijar. Quando beijava uma flor também estava se alimentando, pois a comida dos colibris é o néctar, produzido por elas.
Certo dia, ao se aproximar de uma margarida do campo não foi bem recebido pela plantinha.
- Atrevido!... Não, não me beije.
Clin-Clin recua, um pouco assustado.
- É assim que acolhe um beija-flor?
- Detesto beija-flores – confessa a margarida.
- Ah é!... Posso saber por quê?
- Não interessa.
- Minha função na Natureza é beijar as flores, não sabe?
A margarida do campo revira a haste, num gesto de pouco caso:
- Papo-furado!
- Não sente nada pelos beija-flores?
- Nadinha de nada.
- Brrr... não sabe o bem que fazemos ao coração das flores!
- Nem quero saber. Chega de baboseira... e vai dando o fora.
– Fala sério?
- Falo.
- Não pode ser.
- Deixe de ser convencido e me deixe em paz. Quer saber, odeio tudo nessa vida, principalmente os chatos – detona a flor, mais irritada.
- Nossa, como você é mal humorada!
- Sou mesmo!
Uma rosa amarela, ao lado, se intromete:
- Deixe de ser bobo, Clin-Clin, não perca tempo com esta desaforada.
- O que está acontecendo com ela? – pergunta Clin-Clin à rosa.
- Nem imagino. Vive o tempo inteiro resmungando... Chiiiiiiiiiiiii!... cansa minha beleza!
Preocupado, o beija-flor acha que deveria fazer alguma coisa pela felicidade da margarida. Beija as flores em volta e sai à toda velocidade, fazendo acrobacias no ar.
- Até que enfim foi embora aquele chato! – suspira aliviada a margarida do campo, ao ver o passarinho sumir no horizonte.
Em vez de ir para casa, Clin-Clin foi se queixar para a fada Glinda. Aquela, que era sua madrinha.
- Bom dia, minha querida madrinha.
- Bom dia, meu querido afilhado. O que traz tão linda criatura ao meu reino?
- Dificuldades com a margarida do campo.
- Ela aborrece você, não é?
- Muito.
- Eu sei.
- Sabe?
- Quero que aprenda uma coisa: quem não quer bem a si mesmo não pode querer bem aos outros. Pode?
- Não.
- Ela vive com a cabecinha cheia de asneiras.
O colibri, com cara de surpresa:
- Meu Deus! Por quê?
- Ela se acha feia como o diabo na cruz. Ao beijá-la, pensa que está zombando de sua feiúra.
- Pobrezinha!...
- Quando essas idéias perturbam o coração de uma flor só existe uma receita.
- Qual?
- Paciência e muito afeto.
- Eu posso...
- Sei que pode fazê-la muito feliz, agindo com sabedoria.
- Então, torça por mim.
- Claro.
- Tiau, querida Glinda.
- Adeus, belo pássaro.
Satisfeito por ter descoberto o segredo que perturbava a vida daquela for, na manhã seguinte, Clin-Clin volta ao campo florido. Ao se aproximar da margarida é recebido com a mesma brutalidade.
- Podemos ter uma conversa? – pergunta o beija-flor.
- Nem pense. Estou por aquiiiiiiiii, com esses beijoqueiros.
- Que pena!
- Vocês só me procuram para caçoar.
- Não é verdade.
- É, sim. Nem flor eu sou.
- Não?
- Isso mesmo, não sou flor. Pareço, mas não sou. Não vê como são mixurucas as pétalas me vestem. Não passo de um ramo qualquer.
- Não, não é.
- Então, você deve ser um beija-flor míope! Minhas pétalas são finas demais e tão brancas que dói a vista de quem olha.
- Está imaginando coisas!
- Olha só!... uma flor tem de ser colorida, pétalas bem perfiladas e vistosas.
- Nada disso. Você é uma linda flor: branca com o miolo amarelo.
- Troçando de mim?
- Não. Suas pétalas brancas são tão puras que nenhuma outra possui igual, até parece que são cobertas de prata. E a corola revestida de ouro.
- Fala bonito assim só para me cativar. Que negócio é esse de corola?
O beija-flor poderia explicar e até rir da Margarida, mas procurou ser amável e compreensivo:
- Corola... corola é a.... Bobagens! Você é linda.
- Jura?
- Juro.
- Então, me acha bonita de verdade?
- Sim. É encantadora como todas as flores do mundo.
A margarida do campo, ao ouvir o beija-flor assim falando, se comove e começa a soluçar. Chora tanto que suas pétalas caem todas. Ao se ver sem elas, entra em desespero:
- Santo Deus, que frio! Acho que não posso viver sem minhas pétalas. Morrerei congelada ou queimada pelos raios do Sol.
E com o coração aos pulos:
- Quero minhas pétalas!
- Calma... calma... Terá suas pétalas de volta em um minuto – garante o beija-flor.
Clin-Clin tira a varinha de condão da cartola, bate com ela três vezes no caule da margarida e, num instante, pétala por pétala, retorna ao seu lugar.
Ao se ver novamente vestida, a flor exclama:
- Que chique!...
- Viu como suas pétalas são importantes?
- Agora estou vendo.
- Promete cuidar bem delas e tirar de sua cabeça os pensamentos ruins?
- Sim, prometo.
E depois de refletir um pouquinho:
- Clin-Clin, esse gesto de bondade e tolerância jamais se apagará de minhas lembranças.
- Fico muito feliz. Agora que está bem, vou beijá-la e partir.
A margarida do campo, transbordando pólens, diz:
- Quantos beijos queira.
- Ai... Ai que romântico! - suspira outra flor, fresca e risonha.
Depois disto, uma alegria contagiante invadiu o coração de todas as flores da redondeza. A margarida viveu muitos e muitos anos de bem com a vida, embelezando e perfumando o mundo.
Naquele dia, o céu estava limpo de nuvens, muito azul. E os raios de sol pousavam nas árvores, onde outras aves cantavam, enchendo o ar de música e contentamento.
Mágica e formosa manhã de primavera!


Conquistando a Linguagem Compreensão do texto Responda em folha anexa
1) Reescreva o trecho em que Clin-Clin usa a varinha mágica. O que você acha que ele falou?
2) Pesquise e monte um painel com desenho e gravura.
3) Professora, formule uma pergunta do tipo que o aluno precisa demonstrar que entendeu o texto.
4) Idem
5) Idem
6) Invente uma história, tendo Clin-Clin como personagem principal.
7) Analise as expressões: transbordando pólens – que chique! 8) Recorte gravuras sobre os pássaros exóticos da América do Sul e monte um mural com seus alunos. Aproveite para descobrir com eles, quais são os pássaros brasileiros em extinção.


Para a Professora.
Reflexão: “Sentei-me sob uma macieira em flor. Aspergiu-me com seu perfume. Fez chover sobre mim suas flores. Entretanto, não me lembro de tê-la algum dia regado com uma gota de água sequer, nem lhe ter jamais trazido um punhado de adubo”. (Mikail Naaimé)
Motivação: Peça aos alunos para contar uma situação engraçada com relação a uma flor. Promova leitura dialogada. Escale crianças para fazer uma dramatização com texto espontâneo. Educação Ambiental: Mostre aos alunos a luta da Natureza para perpetuar a vida. Converse sobre a importância de um simples ramo de mato; cada animal, cada pocinho de água que brota da terra tem um imenso significado no equilíbrio do mundo natural. ** PCNs: história de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ministério da Educação, de acordo com a Diretoria de Desenvolvimento da Educação Infantil e Fundamental da Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais, conforme ofício nº 39/02, de 22 de janeiro de 2002. GÊNERO: aventura. TEMAS TRANSVERSAIS: ética: pássaros em comunidade. * Geografia e Ciências: espécies animais e vegetais do Brasil


FBN© 2004 * CLIN-CLIN, O BEIJA-FLOR MÁGICO/Categoria: Conto Infantil – © Welington Almeida Pinto * Nova redação para substituir o texto do livro publicado, com o mesmo nome, desde 1993 - Edições Brasileiras.
* Quetzal – ave exótica, de rabo comprido, que vive na América Central, sagrada para os Maias, Astecas e Toltecas


** Welington Almeida Pinto é escritor. Autor, entre outros livros, de Santos-Dumont, No Coração da Humanidade e A Saga do Pau-Brasil. Ver a relação de seus livros nos sites www.welingtonpinto.kit.net e www.ieditora.com.br E-mail: welingtonpinto@yahoo.com.br – welingtonpinto@oi.com.br

 

i.PÁGINAS:

* Biográfico:
www.welingtonpinto.blogspot.com
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* POESIA:
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* CONTOS & CRÕNICAS:
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* EDUCAÇÃO:
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* ESCOLA LEGAL/Teatro infantil:
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* LIVROS DISPONÍVEIS NA WEB

* O MÁGICO DE OZ:
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* SANTOS-DUMONT, NO CORAÇÃO DA HUMANIDADE:
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* A SAGA DO PAU-BRASIL(história):
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Welington Almeida Pinto
Enviado por Welington Almeida Pinto em 30/06/2005
Código do texto: T29444
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Sobre o autor
Welington Almeida Pinto
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 67 anos
31 textos (104063 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 07/12/16 22:20)
Welington Almeida Pinto