Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

O Natal Dos Bichos

(Esse conto faz parte do livro: Coleção Graziela. Confira em: http://www.clubedeautores.com.br/book/139796--Colecao_Graziela).

Era uma noite calma na floresta quando o papagaio se aproximou do urubu para conversar:
- Seu urubu, estou recolhendo contribuições para fazermos uma festa de natal na floresta.
- Natal é coisa de gente rapaz! E de gente rica! Não é coisa de bicho, muito menos de bicho pobre.
- Deus é o criador de natureza, e o natal é a festa de todos os seus filhos.
         - Qual é seu papagaio?! Com esse papo de Deus você está é aprontando alguma, conte pra mim vá ; quanto você vai ganhar com essa festa?
- Meu lucro é ver todos unidos comemorando o nascimento de Jesus cristo.
- Olha só gente! O louro virou crente!.. seu papagaio o senhor não me engana. Um dia desses, o senhor e o macaco estavam pela floresta a distribuir uns livrinhos de piadas indecentes, agora quer dar uma de santinho é?
- A gente muda seu urubu!.. mas não tenho tempo a perder. O senhor vai ou não vai colaborar? Quem não tem nada para dar, ajuda com trabalho.
Nesse instante a preguiça surgiu irritada:
- Quem está dando palavrão tão feio na floresta? Não se tem mais respeito por aqui?
- Que palavrão dona preguiça? - Perguntou o papagaio.
- Trabalho! Quer palavrão pior que esse?
- Deixe de preguiça dona preguiça, vamos fazer nossa festinha. - Convidou o papagaio.
 -
- O macaco já tinha me falado dessa festa. Eu tô fora.
- Vocês é que sabem. Mas se mudarem de idéia nos procurem; o gambá já está cuidando da decoração.
Com ar de desprezo, o urubu foi perguntando:    - Aquele preto fedorento?!
O gambá, que passava ali por perto, ouvindo o que dizia o urubu a seu respeito,  reagiu alucinado:
- Eu ouvi isso! Eu ouvi isso seu descompreendido! Por acaso, não é o senhor que vive na carniça? Quem ouve o senhor falar, pensa até que o senhor é branquinho; e que importância tem ser preto, branco, azul?.. caráter não tem cor!
O papagaio, concordando com o gambá, recriminou o urubu:
- Que coisa feia seu urubu. Somos todos iguais diante de Deus.
Até a preguiça, ficou contra o urubu:
- Aí você pisou na bola meu nego, racismo é um palavrão muito pior do que trabalho.
 
Nesse momento, chegou o macaco:
- E aí pessoal?! Vão ficar aqui parados conversando? Daqui a pouco está na hora da festa.
- Eu estava aqui convidando seu urubu e dona preguiça, mas eles não querem participar. - lamentou o papagaio.
- Mas que bobagem é essa pessoal? Vamos nos unir, lembrar o presépio de Belém.
 
        -  Lá não tinha urubu, papagaio, gambá... - disse o urubu.
 -  Nem preguiça! - completou a própria.
- Lá só tinha o intrometido do burro, a metida da ovelha, com seu casaco de lã e outros bichos chatos. - finalizou o urubu.
E a preguiça:
- Natal não é para nós, eu vou é dormir!..
Decepcionado, o macaco chama os amigos para irem terminar os preparativos da festa:
- Olha pessoal, vamos deixar esses dois aí, se eles não querem, o que podemos fazer?
- E você, conseguiu falar com o leão lá na Disney? - perguntou o papagaio.
- Falei, mas ele não poderá vir, sabe como é vida de artista não é?
- É... Mas vamos ao trabalho! - convocou o gambá.
Enquanto os outros animais alegremente preparavam a floresta para a grande festa o urubu e a preguiça se escondiam nas sombras da noite em um canto isolado e triste.
Quando a festa começou, uma grande estrela apareceu no céu, iluminando a todos que se confraternizavam na alegria e na paz.
 
No seu canto escuro e triste, só restava à preguiça e ao urubu o lamento de quem não quis a felicidade de repartir com os outros a alegria do natal.
         - Olha como eles estão felizes, dona preguiça.
- E nós aqui, feito dois bestas.
- Nós erramos, Vamos lá pedir desculpas!
- Eu não seu urubu, tenho vergonha. Nós não ajudamos em nada.
- Eu não devia ter falado aquelas besteiras.
- Agora não adianta chorar pelo leite derramado...
Para surpresa dos dois, naquele instante todos os bichos da floresta se aproximaram trazendo presentes.
- Nós não merecemos. - disse o urubu envergonhado.
- Meu Deus, que vergonha, nunca mais vou ser tão preguiçosa. - choramingou a preguiça.
 
Uma bela jovem, surgiu de dentro de uma grande luz e falou:
- Eu sou a fraternidade
quero a amizade e a união,
pois Jesus Cristo ensinou
que o amor é maior que tudo.
De Belém
um canto novo
diz que todos são iguais,
ninguém é melhor que o outro!
Quem diz é Deus, nosso pai;
• amor que dele emana
• é a luz que nos irmana
na poesia do natal.
Antonio Pereira APON
Enviado por Antonio Pereira APON em 26/11/2006
Reeditado em 21/01/2013
Código do texto: T301829
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (http://www.aponarte.com.br). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Antonio Pereira APON
Salvador - Bahia - Brasil, 52 anos
158 textos (33962 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 05/12/16 18:48)
Antonio Pereira APON