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O garoto de trás pra frente

       Quando o Márcio soube que iria para o sítio em férias ficou fulo da vida. Só poderia ser coisa de D. Marilda enchendo a paciência de seus pais com toda aquela história de garotinhos rosados e saudáveis se criarem com banha de porco e fruta de pé. Era porque ela com certeza não sabia que o único pé na história toda, era a pegada no seu pé que fariam os primos assim que chegasse por lá.
       Ele bem se lembrava da última vez em que o Marcos e a Mariana vieram para o Rio com a tia Marluci. Crianças mais esquisitas esses seus primos, só pensavam em fazer bagunça. Todos os dias quando ele voltava da escola sua coleção de carrinhos e aeromodelos estava espalhado pelo chão. Não conseguia entender como os dois somando apenas  quatro mãos conseguiam brincar com 47 carrinhos e 22 aeroplanos...
      Ainda bem que a tia só viera para uma consulta rápida e fora embora no final de semana, e mesmo assim, no sábado eles resolveram brincar com ele o dia todo. Foi um tal de esconder nos lugares mais esquisitos e ele nunca encontrava. Quando se cansara da brincadeira e fora para o quarto, foram os moleques atrás a fazer guerra de travesseiro. À tardezinha quando eles foram embora seu pobre quarto estava que era pura pena e deu um trabalhão danado para limpar.
      Mas ainda pior era quando ele ia para Minas. Era um tal de subir em árvores, ferrar lutinha, nadar pelado no riacho e todo diacho de diabruras mais. E tia Marluci e tio Mário o obrigavam a ir atrás dos primos, 'porque você é criança e tem que brincar, mas brincar ali era sinônimo de terra e sujeira, e disso ele não gostava não.
      Dá última vez, pra piorar, no dia que eu ia tomar o ônibus para ir embora, meus primos e o resto daquela molecada inventou o tal de teatro, daí então minha mãe resolveu ficar. A peca ia ser ser Branca de Neve e os sete anões, e eu seria o Mestre. Mas não havia falas, nem sequer umazinha para decorar. Todos falavam de improviso o que vinha na cabeça. Eu entrei mudo e sai  calado. Uma chatice só. Mas aqueles bobões pareciam divertir-se, rindo de racharem o bico.
  E o mais engraçado de tudo é que aqueles meninos sujinhos, que só vivem de pé no chão traquinando suas bagunças e artes ainda 'me' chamam de garoto mais de trás pra frente...
Monique Freitas
Enviado por Monique Freitas em 01/12/2006
Reeditado em 05/03/2009
Código do texto: T306967
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Monique Freitas
Suécia, 37 anos
33 textos (4469 leituras)
2 e-livros (377 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 17/08/17 01:43)
Monique Freitas