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Lágrimas nos olhos de uma borboleta azul



Um belo entardecer. Não, belo é um adjetivo muito vulgar para mostramos aquele fim de tarde. Deslumbrante, maravilhoso, um entardecer mágico, delicado e glorioso talvez explicasse melhor.
Uma linda casa de madeira, pintada de amarelo claro; nos fundos um quintal atapetado de trevos molhados pela fina chuva de verão que havia caido.  Voejando sobre aquele tapete verde estava uma linda borboleta azul. Ela planeava sobre as folhas minúsculas e em sua dança encantada ia para um velho pé de camélias vermelho púrpuro. Era belo... Quem visse aquela cena não acreditaria que havia maldade no mundo. A borboleta azul, em seu bailado celestial, voejou até o galho mais alto do pé de camélias, pousou e começou a chorar. Dando beijos doces, em cada camélia existente naquele arvoredo, um delicado beija flor bailava em volta dele e louvava a liberdade em que vivia. O seu vôo bailado foi bruscamente imterrompido quando ele viu a borboleta azul. Tão bela, aquela criatura criada por Deus para com a sua beleza mostrar o que havia de mais puro e delicado na natureza, estava prostrada sobre o galho de um arvoredo com as lágrimas escorrendo pelas suas asas.    O sol fraco do entardecer batia no azul delas e tornava brilhante o seu refletir nas lágrimas grossas que por elas rolavam. Uma maravilhosa borboleta azul chorando em um belo entardecer cheio de paz, algo que nem a poesia e nem os Deuses saberiam explicar. Pensando assim o beija flor perguntou a ela:

- Bela borboleta, por que choras?

Aquela borboleta azul,  que só as suas lágrimas e a sua mágoa se deslocavam daquele  cenário  divino,  respondeu:

- Choro porque sofro por causa daquele canário que está preso em uma gaiola  que está pendurada na parede daquela casa amarela. Somos livres, ele não. Também porque sinto pena do homem que o prendeu e que em sua ignorância não percebe que ao tolher a liberdade de uma criatura faz chorar a Deus e a natureza.


CARLOS CUNHA o Poeta sem limites
Enviado por CARLOS CUNHA o Poeta sem limites em 27/08/2007
Código do texto: T625906

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Sobre o autor
CARLOS CUNHA o Poeta sem limites
Japão, 63 anos
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