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O Milagre das sementes

O milagre das sementes.


   Marlene B. Cerviglieri


Todos estavam  felizes, pois a tradicional festa da colheita estava perto.
Era muito esperada encerrava um tempo de muito trabalho, que trazia também muita esperança.
Cada fazendeiro apresentava uma amostra do que havia plantado.
Mandavam para os grandes centros, e até mesmo para fora do pais.
Armavam as barracas com diversos pratos da culinária local..É claro que não faltavam os doces e as tortas especiais.
Vendiam geléias feitas com as frutas de seus próprios pomares, queijos frescos manteiga e mel.
Alguns se arriscavam em vender melado também.
Para este dia vinham muitos visitantes de outras cidades todos vestidos a caráter.
Ou seja; camisa xadrez lenço no pescoço e botas.
As mulheres usavam saias longas bem enfeitadas e lenço na cabeça.
Havia a dança tradicional, que nem treinavam  mais pois sabiam muito bem dançar.
A musica provinha dos músicos da igreja.
Era uma festa e tanto!
Neste dia as crianças ganhavam moedas dos pais para comprarem o monte de coisinhas que havia na feira..Desde bolas de borracha , saquinhos de bolinas de gude, caminhões feitos de madeira, trenzinhos e alguma peças de mobília todas em miniatura.Bonecas tinham varias, toda de pano.
Durante o ano as avós e os avôs exercitavam sua habilidade para exporem na festa e naturalmente vender.
Beatriz queria muito uma mobília de quarto para sua casinha.
Guardou as moedas que ganhara fazendo pequenos serviços em sua própria casa. Era uma recompensa que sua mãe lhe dava.
Guardou-as num saquinho de pano amarrou bem e colocou no cantinho de sua gaveta.
Chegado o dia, vestiu-se foi até a gaveta para pegar o saquinho e...nada havia sumido.
Levou um susto tão grande era sua decepção.
Quis falar com sua mãe, mas esta já havia ido para a festa. Tinha deveres lá e foi mais cedo.
O pai também não estava em casa naquele momento.
Sua avó estava!
Correu para o quarto dela e contou o ocorrido.
Estava tão aflita que as palavras não saiam!
A avó não serviu de consolo .pois não sabia de nada.
Poderia lhe dar algumas moedas, e deu. ,mas não seriam suficientes para comprar a mobília que esperara o ano todo.
Aceitou e agradeceu e saiu de casa para ir até a festa.
No caminho que era longo, sentou-se numa pedra grande.
Fitando o céu com lagrimas a escorrer dos olhinhos.
Oh meu papai do céu, eu queria tanto a mobília guardei cada moedinha e agora perdi?
Eu acho que não merecia ter, não é mesmo?
Enxugou os olhos e continuou a andar.
Bem adiante estava uma senhora muito aflita.
-Que aconteceu minha senhora?
-Eu vinha pela estrada de carroça, de repente uma cobra atravessou a estrada e assustou o cavalo.
Consegui pular, mas ele levou minha bolsa e tudo que tinha comprado na feira!
-Beatriz ajudou a senhora a levantar-se e foi buscar a carroça que estava bem adiante longe mesmo na ribanceira.
Conseguiu traze-la tinha pratica com animais e sabia manejar a carroça.
-Pronto minha senhora aqui esta sua carroça, felizmente o eixo esta inteiro e o cavalo não esta machucado.
A mulher abraçou a menina e foi até a carroça.
Mexeu em tudo e felizmente não havia quebrado nada e principalmente a cobra não havia picado seu animal também.
Voltou-se para Beatriz com uma caixa grande nos braços e disse-lhe:
-Minha querida menina, isto é para você!
Oh não minha senhora não é preciso.
Ajudei e sei que a senhora faria o mesmo por mim.
-Faço questão que você guarde isto como lembrança minha.
Dizendo isto partiu em seguida com a carroça.
Beatriz desanimada que estava ficou mais um pouco sentada na pedra.
Ai então, resolveu abrir o pacote, uma caixa grande.
Para seu espanto lá estava a mobília que tanto queria!
Chorou bastante de alegria.
Olhou para o céu novamente e agradeceu muito.
Nem foi para a festa voltou para sua casa.
Lá estava seu pai.
-Não vai para festa, filha?
Acho que não papai, quem sabe mais tarde.
O que trazes ai?
Beatriz contou ao pai o que havia acontecido.
Foi q uando este lhe disse:
Ah, foi para você que ela deu a mobília?
-Como você sabe papai?
Encontrei-me com ela no caminho.
Sabe minha filha ela só faz duas por ano para expor na festa!
Uma deu para você e a outra vai guardar para a filhinha dela.
-Mas papai o devo ficar com este presente?
Sim minha filha, você é uma semente boa.
Ajudou e nem pensou mais em você.
Quando se espalham sementes boas, se colhe frutos bons!
Agora guarde a caixa vamos para a festa sua mãe já deve estar preocupada comigo.
E assim Beatriz teve o que mereceu, de uma outra forma recebeu o que merecia.
Sementes... Sementes... Mágicas.

Abraço;
MBC
Marlene Cerviglieri
Enviado por Marlene Cerviglieri em 29/08/2007
Código do texto: T629413
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Sobre a autora
Marlene Cerviglieri
Ribeirão Preto - São Paulo - Brasil
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Marlene Cerviglieri