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A menininha e a centopeia


Ela se chamava Cristina, mas era conhecida por todos como Tininha.
Era uma menininha muito doce e carinhosa, tinha sempre um lindo sorriso de dente falho na carinha cheia de sardas e as tranças grossas sempre bem feitas por sua mãe.
De todas as crianças que a Tininha conhecia, ela era a única que não tinha um cachorrinho, um gato ou qualquer outro animal de estimação.
Como acontece com toda criança ela sonhava em ter um, só que seus pais moravam em um apartamento muito pequeno e por isso ela não podia ter.
Uma tarde ela passeava com a sua mãe e quando elas passavam em frente a uma loja de animais a Tininha falou:

- Vamos entrar na loja mamãe e ver os bichinhos.

- Você não perde a mania de querer ter algum animal, né filha. Está cansada de saber que o nosso apartamento é muito pequeno e que é proibido ter animais de estimação lá no prédio que a gente mora.

- Eu sei mãe, só quero ver os animaizinhos. Vamos entrar só um pouquinho, por favor.

A mãe olhou para o rostinho inocente da filha e, sem poder negar o que ela lhe pedia, resolveu fazer o que ela queria e entraram na loja.
Lá dentro os olhos da menininha brilhavam enquanto ela olhava todos aqueles animais que nela tinha. Eram lindos filhotes de cães de várias raças, coelhos, tartarugas, ratinhos brancos, peixinhos. Tinha uma infinidade de bichos maravilhosos e a menininha passeava encantada entre eles quando sua atenção foi chamada por uma caixa de vidro que tinha no centro da loja. Aproximou-se dela e viu que nela tinha um animalzinho que nunca tinha visto. Era uma centopéia.

- Olha mamãe que bichinho mais lindo, a menininha falou maravilhada. Ele é engraçadinho e tem um montão de perninhas. Eu queria tanto ter um.

- Você sabe muito bem que lá no apartamento não tem espaço e que é proibido ter animais lá.

- Não pode ter gato, cachorro e outros bichos assim. Esse aqui vai ficar numa caixinha no meu quarto e não vai fazer sujeira nem barulho pra incomodar ninguém. Compra ele pra mim, vai mãe, que eu prometo cuidar dele direitinho e nunca mais desobedecer à senhora.

A mãe viu nessa hora, na voz e nos olhos da filha, tanto desejo de possuir aquele animalzinho que não resistiu e comprou a centopéia pra ela.




Algum tempo depois, num dia muito bonito e ensolarado, a mãe da Tininha falou pra ela:

- O dia hoje está maravilhoso minha filha. Vai calçar um par de tênis que a gente vai até um parque passear.

- Oba, que legal. Eu vou levar a centopéia com a gente, posso?

- Pode, mas vai colocar logo os tênis pra gente sair. E não demora.

- Ta bom mãe, a menininha respondeu e subiu correndo a escada que levava até o seu quarto.

Quando chegou lá ela foi até a caixinha de vidro e falou pra centopéia:

- Eu e a mamãe vamos passear lá no parque e ela me deixou levar você.

A menininha calçou os seus tênis e voltou até a caixinha. Perguntou pra centopéia se estava pronta e ela respondeu:

- Falta quarenta e seis.

Ela sentou-se ao lado da caixinha e ficou esperando. Alguns minutos depois tornou a perguntar:

- E agora, ta pronta?

- Espera, agora só falta trinta e dois.

Enquanto isso a mãe, que enquanto esperava pela filha assistia pela televisão ao programa da Ana Maria Braga, estava ficando impaciente e nervosa com a demora da filha.
Lá no quarto cada vez que a menininha perguntava se estava pronta a centopéia respondia:

- Ainda falta dezoito.

-Já to indo só falta quatro agora.

- Estou colocando o último, já vou.

Finalmente ela disse pra menininha que estava pronta e ela desceu a escada com a caixinha da centopéia nas mãos. Quando a mãe a viu ralhou com ela:

- Eu devia era não te levar mais pra passear e te deixar de castigo. Não te falei pra colocar os tênis e descer logo pra gente sair. Por que foi que você demorou esse tempo todo?

- Ué, a senhora não falou que eu podia levar a centopéia? Foi por isso que eu demorei.

- E o que é que a centopéia tem a ver com a sua demora?

- Eu coloquei os meus tênis rapidinho, como a senhora mandou, mas ela teve que calçar cinqüenta pares e fiquei esperando. Foi por isso que demorei.


CARLOS CUNHA o Poeta sem limites
Enviado por CARLOS CUNHA o Poeta sem limites em 06/11/2007
Código do texto: T725272

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Sobre o autor
CARLOS CUNHA o Poeta sem limites
Japão, 63 anos
369 textos (438358 leituras)
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