Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

O MENINO QUE ENCONTROU UM ANJO

Ali em meio à praça de uma grande cidade, havia um menino sentado abaixo da árvore, de cabeça baixa,  ele chorava triste e sozinho.
As pessoas passavam de lá e para cá e nem percebiam sua presença, pois ele era um entre dezenas de outros garotos que viviam na praça.
Pensava em sua mamãe e papai, em como ele gostaria de estar ao lado deles.
O sol era forte naquela tarde e mesmo a sombra que lhe era oferecida pela árvore deixara de ter importância naquele momento, porque o que desejava mesmo era ir à escola ter amigos, estar em segurança com seus pais como a maioria das crianças.
Mas tudo era sonho, a realidade para ele era outra, aos 10 anos fugiu de casa, fugiu da violência do seu próprio lar. Seus pais consumiam álcool e drogas e sempre perdiam o controle surrando-o sem motivos. Agora abandonado nas ruas, lutava para sobreviver...
Seu estômago doía de fome ai então lembrou que só tinha tomado um copo com água e já passara ao meio dia, Ainda triste levantou e uma tontura o fez cair de novo sentado no chão, olhou para os lados na esperança que alguém percebesse sua fraqueza e o ajudasse, e ninguém olhou para ele quando alguém o percebia Afastava mantendo distancia.
Devagar novamente se levantou e a tontura passara. Caminhou pela praça depois pelas ruas em volta, pedia a Deus que alguém de bom coração lhe desse um alimento ou algum trocado para comprar, mas era difícil conseguir as pessoas com medo de serem agredidos ou roubados e nem sequer olhava para sua cara.
Desanimado sentou na calçada e ficou ali por algum tempo, seu estômago roncava então procurou por alguma lata de lixo que ficavam a frente das lanchonetes. Quando de longe avistou um homem na porta da lanchonete do outro lado da rua acenando para ele como se tivesse o chamando. Rapidamente levantou da calada onde estava sentado e correu até ele.
Enfim o bondoso senhor deu-lhe um prato bem servido de comida com um delicioso filé
Feliz e aliviado não deixou nenhum grão do alimento no prato, agradeceu ao homem e ergueu a cabeça para o céu dizendo:
- Obrigado Papai do Céu, por esta comida gostosa!
“Se pelo menos vovó fosse viva” – Pensou
A avó era a pessoa que mais amou, ela lia a bíblia todas as noites antes de dormir, ensinou-lhe que sempre devemos agradecer a Deus por tudo porque ele olha por nós e sempre coloca seus anjos para proteger seus filhos.
Imaginou um anjinho com lindas asas brancas pegando em sua mão e brincando com ele Satisfeito, andou alegremente pelas ruas
... “ meu querido, Deus é muito bom. É só acreditar nele e sempre praticar o bem, que ele estará sempre ao seu lado para protegê-lo”...
Começou a escurecer e ele preparou-se para ir dormir.
Tinha muito medo da noite. Rezou para amanhecer logo, e rapidamente pegou um pano velho que achou no lixo e deitou-se em um cantinho da praça.
Permaneceu quietinho para que ninguém o notasse, principalmente os garotos mais velhos, que aproveitavam a escuridão para consumir drogas, que compravam com o dinheiro que era roubado das pessoas nas ruas da cidade.
Quando acordou já amanhecia, faminto, levantou-se para mais uma batalha em busca de comida. Mas até ao meio dia não havia conseguido nada para comer. Voltou para a praça triste e parou, ao ver os mesmos meninos da noite anterior, deitados no centro da praça, sob o sol escaldantes totalmente drogados.
Em pé, diante deles, lembrou-se de seus pais, depois que consumiam as drogas, de como ficavam violentos.
Ficou apavorado. Seu corpo começou a tremer, ao imaginar que um dia poderia ser como aqueles meninos.
No mesmo instante, olhou para o céu e disse:
- “Meu Bom Deus, sei que o Senhor existe, cresci acreditando no Seu poder, pois minha vovó dizia que quando a gente sente medo precisa pedir a Sua ajuda. E eu estou morrendo de medo, não me abandone! Nunca vou querer usar drogas. Quero é estudar, trabalhar igual a essas pessoas – apontou para as pessoas de boa índole que passavam pela praça”.
- “Proteja-me Senhor deste mal e liberte esses meninos também”.
De repente, um dos meninos acordou e se assustou ao vê-lo parado olhando para eles; então se levantou e disse:
- O que pensa que vai fazer? - empurrando-o insistentemente.
O menino, trêmulo e chorando, correu para debaixo daquela árvore que lhe servia como abrigo e deitou-se encolhidinho, com medo do que estava por vir.
O grupo de garotos levantou-se do chão e seguiu em sua direção, apavorado e sem ação, ficou ali esperando pelos chutes e pontapés.
- Ei, levante! - um dos garotos gritava. - Vamos logo!
Ficou em pé por um momento, fechou bem os olhos, achando que os meninos lhe dariam uma surra. Aí ouviu um deles dizer:
- Nós estamos cansados, trabalhamos muito ontem à noite. E você - apontou para o menino - vai nos ajudar nesta noite.
- Ajudar? Como assim? - Perguntou indignado o menino.
- Ao anoitecer, saberá. Não seja louco de fugir da gente. O grupo de garotos afastou-se olhando para trás e rindo.
Sem alternativa, sentou-se novamente no chão e colocou a cabeça entre os joelhos. Ali pedia a proteção de Deus, acreditava de verdade que ele o ajudaria como nas outras vezes.
Ao anoitecer, o grupo retornou à praça para buscá-lo e lhe ofereceu um pedaço de pão recheado com mortadela.
- Toma aí, cara. Precisa se alimentar - riam.
Inocente e sem maldade estava satisfeito, parecia que eles não eram tão maus como queriam demonstrar; e conversavam entre si enquanto comia seu lanche. A fome era tanta que nem sequer prestou atenção no que estavam planejando. Os garotos o chamaram e o fizeram acompanhá-los.
Feliz, chegou a achar que a partir dali sua vida mudaria, teria companhia e não estaria mais sozinho. Em grupos, eles andavam por todos os lugares e o menino simplesmente os seguia.
Pararam em frente de um supermercado, observaram a região e começaram a sacar alguns estiletes e facas: logo entraram e assaltaram os caixas. O menino, desesperado, não sabia o que fazer. Ficou ali estático diante da confusão quando, de repente, levou um tapa no rosto.
- Mexa-se, ô meu! Vamos lá, segure isto - falou um dos garotos, entregando-lhe uma sacolinha de plástico do próprio mercado, cheio de dinheiro.
- Vamos gente, corram! - ordenava o líder do grupo.
As sirenes dos carros de polícia vinham de toda a parte, em meio àquela correria de crianças fugindo. Eles se afastavam uns dos outros.
Ninguém foi pego, conseguiram fugir. Ficou somente o menino que, com medo, entrou em uma loja e se escondeu debaixo de um balcão, tremendo e chorando. Mas nesse momento apareceu uma bondosa senhora que, mesmo sabendo que ele era uns dos fugitivos, ajudou-o jogando sobre o balcão um lençol branco que pôde cobri-lo, os policiais entraram na loja deram uma rápida olhada e saíram. Esperou até o perigo passar, então deu a mão para o menino se levantar e disse:
- Escute filho, não seja um marginal, não é uma vida boa. Você ainda tem a chance de vencer na vida. Acredite em Deus e em você mesmo e sempre haverá alguém para ajudá-lo. Seja um bom menino para tornar-se um cidadão digno,  seja educado, que você conseguirá sair desta vida - aconselhou a mulher.
Aquelas doces palavras o fez  lembrar de sua avó quando ela dizia:
... “ meu querido, Deus é muito bom. É só acreditar nele e sempre praticar o bem, que ele estará sempre ao seu lado para protegê-lo”...
Com a sacolinha na mão, o menino correu em direção à praça, onde os garotos já o aguardavam impaciente.
- Pô, cara, achei que tivesse sido preso - falava o líder, enquanto arrancava de suas mãos a sacolinha.
- Esperto, o menino! - um outro garoto do grupo o elogiava. - Voltou e ainda trouxe nosso dinheiro.O menino nada dizia, ainda trêmulo do susto. Quietinho, afastou-se deles indo para debaixo da árvore. As palavras da bondosa mulher não lhe saíam da mente e pensava: “Palavras doces como açúcar. Mamãe, por que não me quer nesta vida? Sinto tanto sua falta...”
Passava por ali uma mulher com seu filho nos braços, beijando-o inúmeras vezes. E o menino soluçava e dizia:
- “Oh, Deus, por que a minha mãe não me quer? Por que não tenho lar? Morar na rua é tão ruim!”
Sentia-se angustiado. O medo de ser descoberto e preso perseguia-o, preferia mil vezes a surra que imaginou que levaria dos garotos a se envolver no crime.
Na madrugada daquele dia, o grupo de garotos voltou à praça com mais lanches, e desta vez bem melhor. Um pouco mais aliviado relaxou e ria um pouco com as piadas que eles lhe contavam. Foi quando um deles tirou do bolso um pouco da droga e, ao consumi-lo, obrigava-o a fazer o mesmo. Desesperado, imaginando a cena dos garotos deitados durante o dia debaixo do sol quente como lixos, chorava e dizia:
- Não! Não! Não!
Os garotos malvadamente chutavam-no e expulsavam-no da praça. Embora seu corpo estivesse dolorido não se importou, estava feliz, estava salvo daquele horror que era a droga. No meio do caminho, sentou-se em uma calçada e olhou para o céu, dizendo:
- “Perdão, Deus, pelo roubo. Eu não queria participar daquilo” - falava, sentindo em seu interior que estava seguro. Era só ter paciência que Deus enviaria até ele um anjo para tirá-lo das ruas. Seria educado e bom, teria paciência; sabia que sempre encontra-ria alguém que lhe daria uma refeição. Acreditava na alegria do dia seguinte e, assim esperava por um caminho bom e bonito.
Os dias passavam e o menino, mesmo com fome, continuava com fé..
Em uma noite chuvosa, enquanto dormia dentro de uma casa abandonada, sonhou com sua mãe e o seu pai eles surgiram sentados ao lado de uma cama em que dormia confortavelmente. Acariciavam sua cabeça e ofereciam-lhe uma farta  mesa com  frutas, carnes, um frangão assado, uma cestinha repleta de chocolates e balas. Nesse dia, acordou feliz procurando por seus pais, pois tudo parecia real. No entanto, olhou em volta e nada encontrou.
E seu estômago doía, seu corpo doía, havia dormido no chão de concreto, sua pele estava fria, nada tinha para se cobrir. Olhou para as pessoas que moravam com ele e elas ainda dormiam - sorriu e suspirou fundo. O importante era que em seu coração a paz reinava.
Então lembrou do roubo, da fuga, do desespero, do medo, da angústia. E disse em voz alta:
- “Graças a Deus, tudo passou. Nada compensa o sentimento do medo. Ah, é tão bom não ter medo! A fome é passageira; sempre haverá o socorro de Deus”.
E pôde compreender a diferença entre o bem e o mal. Ajoelhou-se no chão e começou a rezar:
- “Deus, um dia o Senhor me trará um grande presente. Serei paciente”.
Lembrava de sua avó que lhe ensinou que, cada vez que pedisse algo teria de acreditar de verdade, que conseguiria que seu desejo fosse realizado. Continuou, então acreditando que este dia chega-ria.
Agora estava feliz por estar bem, vivo e sem maldade no coração. Pedia proteção também para aqueles garotos, que aceitavam aquela situação, e se entregavam à desgraça.
Na noite seguinte, enquanto dormia, um grupo de voluntários que sempre ajudava os moradores da praça entrou na casa trazendo consigo bastante alimento e roupas. Felizes, todos se levantaram disputando a oferenda. No meio dessas pessoas, uma mão acariciou sua cabeça, assustado, olhou em direção ao carinho. E viu aquela mulher, aquele rosto tão familiar, a mesma que o ajudou um dia e o aconselhou com palavras doces como açúcar. Ela o pegou em sua mão e o levou consigo.
- “Venha menino, vou arrumar um lar para você”.
Seu coração disparou de tanta alegria. Ouviu uma voz que vinha de dentro de si dizendo que aquela maravilhosa mulher era o anjo que Deus enviara para socorrê-lo.
Levou-o para uma escola. Lá ela conversou com algumas pessoas pedindo para acolhê-lo, deram-lhe roupas limpas e, final-mente, uma cama confortável.
Na escola, ele ajudava a cuidar das crianças mais novas. Estava muito feliz por Deus ter-lhe presenteado com a grande oportunidade de se tornar uma pessoa digna. Para essas crianças ele contava a sua experiência nas ruas, sobre a fome que passou, a luta que foi para se livrar dos meninos que usavam drogas. E a alegria de ter acreditado no Deus que enviou seu anjo para tirá-lo da rua. Entendia de uma vez por todas que o anjo esta na bondade dos seres humanos.
ELISETEDUARTE
Enviado por ELISETEDUARTE em 25/04/2006
Código do texto: T145017
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
ELISETEDUARTE
Barueri - São Paulo - Brasil, 49 anos
2 textos (412 leituras)
2 e-livros (248 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/12/16 18:39)