3° Capitulo do meu livro: Edward Drake e as Ruinas do Sol

- CAPÍTULO TRÊS –

Saudações viemos em paz

Edward olhava com os olhos arregalados em direção a TV, não podia acreditar nas grandes naves triangulares de cor cinza que passavam ao vivo em imagem full HD, exatamente como no seu sonho.

E, agora, que Edward as podia ver detalhadamente percebia como eram enormes, realmente eram maiores do que cidades inteiras, a câmera nem conseguia mostrar uma imagem inteira das naves, só mostrava partes, era como olhar um teto cinza cheio de detalhes metálicos.

Exatamente como havia ocorrido no seu sonho, os acontecimentos foram se desenvolvendo, logo após as grandes naves se estabilizarem no ar, causando um eclipse nas cidades que sobrevoavam, começaram a abrir um compartimente na sua ponta dianteira, era como um perfeito filme de ficção. Desse compartimento começaram a sair várias naves menores. Estas eram arredondadas, do tamanho de um ônibus, prateadas sem nenhum detalhe mesmo sua superfície era impressionantemente lisa.

As naves menores, diferentes das maiores, estavam pousando por toda cidade, no meio da rua, em cima do telhado, até mesmo em cima de alguns carros estacionados.

Agora, paradas nas ruas começaram a se abrir, como um portão de uma garagem, fazendo Edward engolir em seco, lembrando do sorriso maligno que vira no sonho.

A imagem da TV focalizou perfeitamente nas portas das naves que insistam em abrir lentamente como se quisessem causar suspense. Finalmente, abertas, grupos de seres, de mais de dois metros de altura, emergiram da nave. O câmera men focou no rosto de um deles, não eram tão diferentes dos humanos quanto à estrutura física, duas pernas, dois braços, uma cabeça. Contudo, posuíam duas orelhas, pele cinza e um tipo de cabelo azul que parecia como algo metálico.

A imagem desfocalizou dos extraterrestres e passou a focar em um repórter. O coitado estava todo suado, com seu cabelo coberto de gel completamente desarrumado. Ele ofegava muito e falava apressadamente:

“Estamos presenciando pela primeira vez na história do homem o que parece ser um contato com vida extraterrestre. Naves por todo mundo estão pousando na Terra, ainda não temos informações se esse contato extraterrestre é pacífico” – O repórter parou de falar, colocou a mão no fone de ouvido, fez uma cara de surpresa e voltou a falar – “Temos notícias de última hora, parece que os lideres mundiais estão em Washington se preparando para dar boas vindas aos extraterrestres. Estamos tentando conseguir a imagem, por favor, esperem alguns minutos”.

Edward esperava impacientemente no refeitório amontoado de alunos pelo retorno da imagem, aqueles pareciam os minutos mais longos de sua vida.

O repórter continuava na tela esperando a TV obter a imagem, finalmente, depois de 10 minutos, estavam na Casa Branca.

Edward reconheceu o atual presidente dos Estados Unidos, formalmente trajado com seu costumeiro terno, mas ele usava algo incomum, um estranho chapéu redondo cor de mostarda que enfeitava o topo de sua cabeça.

Do lado do presidente estava um ser cinza de mais de dois metros de altura, obviamente era um líder, usava roupas também de cor mostarda, mas eram mais elegantes. Da cintura para cima, ele parecia usar uma armadura medieval, com peitoral, obreiras, capa saindo das costas e um capacete redondo do formato da cabeça, com fendas apenas nos olhos. Já da cintura para baixo, ele parecia usar uma calça tactel, com chinelos Havaianas.

Eles estavam em um pódio de entrevistas, com microfones na sua frente. No pódio também havia outros homens extraterrestres com roupas cor de mostarda, e alguns humanos, todos usavam o mesmo chapéu que o presidente.

O presidente aproximou do microfone e começou a falar:

- Meu povo. Aqui estamos hoje presenciando um momento histórico, um momento que nossos antepassados cobiçaram assistir, um momento que nossos filmes, nossos livros, nossa imaginação, sonhou. Sim, nós podemos fazer parte desse momento – Vários gritos de alegria vieram da TV.

– Hoje, presenciamos o primeiro contato entre humanos e extraterrestres – Os gritos recomeçaram ainda mais alto. O presidente se virou e apontou para o homem cinza de armadura:

- Este ao meu lado é o general do planeta COROT 7b, como nossos astrônomos denominaram o planeta deles, eles vieram em uma missão universal para nos trazer tecnologia e conhecimento. Sejamos gratos a eles – De novo gritos de alegria vieram da TV – Como presente de boas vindas eles nos trouxeram esses chapéus – O presidente tirou o chapéu e apontou para câmera que o focalizou:

– São chapéus capazes de traduzir para quem usa os sons de qualquer idioma imaginável, até os que nós não conhecemos. – Os gritos de alegria interrompiam de novo o presidente – Então, hoje, eu como representante do povo da Terra dou boas vindas aos nossos amigos do planeta COROT 7b.

Agora aplausos se misturam com gritos na grande plateia que a TV fez questão de mostrar. A TV voltou para o pódio, onde o tal general do planeta COROT 7b aproximou-se do microfone. Edward pensou, será que aquele ser realmente conseguiria falar com o planeta inteiro, a resposta foi rápida. Um ruído grosso começou a sair do capacete do tal general cinza, um homenzinho de óculos com o ridículo chapéu mostarda se apressou para pegar um microfone, aparentemente o homenzinho iria traduzir o discurso do general cinza.

- Saudações, viemos em Paz – começou a traduzir o homenzinho de óculos. – Sou o General Têmis Rokber, como seu presidente citou, venho em uma missão universal, trazendo conhecimento e tecnologia para seu povo, meu primeiro presente é essas roupas com fibras tradutoras, muito famosas no universo inteiro. Essas roupas fazem muito mais que simplesmente traduzir os sons de outro idioma, elas traduzem a cultura de um povo. As roupas definitivamente traduzem tudo. – Vários “ohs” de surpresa se espalhavam pelo refeitório.

– Então pedimos para vocês povo do planeta Terra que trabalhem conosco para tornar seu planeta um lugar melhor.

O discurso aparentemente havia acabado e a imagem retornou ao repórter suado.

Edward ficou pensando, missão universal, trazer conhecimentos, presentes. Ele tinha estudado um pouquinho de história para perceber que aquilo era a mesma coisa que os europeus fizeram com os índios antes de dizimarem sua cultura.

Aqueles povos será que realmente eram bons?

Seu celular começou a vibrar em seu bolso, distraindo-o dos seus pensamentos, olhou a chamada na tela do celular. Era seu pai, Edward assustou. Seu pai ligando era raro até antes de seu pai ficar doente. Atendeu rápido, imaginado o que teria acontecido.

- Alô, pai?

- Edward venha para casa agora. – Seu pai falava alto e apressado. – Agora Edward, rápido.

- Por quê? Qual é o problema?

- Quando você chegar em casa explico. Lembre-se não pare, não converse com ninguém e principalmente seja rápido. Tchau.

Edward ficou encarando seu celular, mas o que estava acontecendo, o mundo tava realmente virando de cabeça para baixo. Seu pai tinha parado de se isolar, mas ficara louco, ele tinha impressão que explodira o isqueiro do diretor, também devia estar ficando louco e, agora, invasão alienígena, que ele tinha visto no seu sonho, definitivamente estava louco. Edward decidiu que estava louco, mas começou a abrir caminho pela multidão decidido a ir para casa.

Depois de muitos empurrões, um deles no diretor Maria, que Edward, na verdade, empurrou de propósito, chegou à saída da escola.

As ruas estavam desertas, lojas fechadas, jornal voando com o vento, chegava até dar arrepio aquela rua completamente abandonada. Edward deduziu que estavam todos assistindo a TV e continuou correndo em direção a sua casa.

A escola não era muito longe de sua casa, já tinha feito mais da metade do caminho, agora era só atravessar esse beco e estaria na casa dele.

Estava quase no fim do beco quando sentiu ser agarrado pelo pescoço por uma mão enorme. Foi puxado por uma força ignorante e encostado na parede.

Edward olhou para quem o segurava contra a parede, era um homem alto de mais de dois metros,com feições rígidas e severas, e um cabelo preto ralo que começava quase no fim da testa.

- Edward Drake você vem comigo.

Edward reconheceu a voz do homem, era a mesma voz do homem que o João do minimercado tinha contratado para pegá-lo, com todos os acontecimentos do dia tinha se esquecido completamente disso. Agora, estava preso na parede pelo um homem obviamente muito mais forte do que ele, mas Edward não ia desistir se conseguisse voltar ao chão tinha chance, provavelmente era mais rápido, bastava não deixar que o homem o acertasse com um soco.

- Seu idiota me solta. – Edward forçava a voz, porque o aperto estava muito forte. – Me ponha no chão.

O homem ao invés de por Edward no chão, simplesmente, tirou Edward da parede, ainda o segurando pelo pescoço e foi andando com Edward pendurado a sua mão, como se segurasse a coisa mais leve do mundo, a força daquele homem era mais do que ignorante.

- Eu falei para me soltar.

Edward jogou a perna para trás, tentando pegar o máximo de impulso possível e deu um chute forte bem no estômago do homem cinza, mas quando o chute acertou o homem foi Edward que gritou de dor.

Edward teve a impressão de ter chutado um bloco de concreto, aquela barriga não podia de nenhum modo ser humana.

- O que é você? – Berrava Edward. – Algum tipo de exterminador do futuro?

O homem que tinha se mantido totalmente sério e quieto, apesar dos protestos frenéticos de Edward pendurado a mão dele, resolveu falar.

- Informações pessoais minhas são irrelevantes, você só precisa me acompanhar.

Edward tentou dar soco no rosto do homem, chute em todas as partes do dorso, mas nada, só conseguiu sair com as mãos e os pés machucados, o corpo inteiro do homem parecia metal.

Edward não ia se dar por vencido. Tinha batido no homem por toda parte mais ainda não tentara uma coisa, se aquele homem fosse um pouquinho homem aquilo daria certo.

Edward jogou a perna para trás e a puxou com o máximo de força que tinha, mirando bem entre as pernas do homem.

Para surpreso de Edward o homem afrouxou a mão e Edward conseguiu escapar. Edward caiu de joelho no chão suas pernas doíam muito, com muita força de vontade se levantou, estava preparado para brigar, dessa vez não se deixaria ser pego, mas quando olhou para o homem mudou de idéia.

O homem continuava sério como se nada tivesse acontecido, agora que Edward olhava frente a frente para ele parecia ainda maior e mais forte.

Não fazia parte da natureza de Edward, mas se virou e correu, tinha certeza de que se ficasse não conseguiria vencer aquele homem.

Edward corria na maior velocidade que podia, o homem o acompanhava, mas já começava a ficar um pouco para trás. Edward riu era mais rápido. Pegou outros caminhos não pretendia levar aquele homem até sua casa, ia aproveitar o terreno, afinal conhecia aquele bairro como a palma da sua mão, finalmente tinha vantagem.

Edward corria pelos becos e jogava tudo que podia no homem atrás dele, lixo, garrafa o que fosse. Finalmente, chegou onde queria uma cerca de metal grande no meio do beco. Edward com sua agilidade já treinada desde criança pulou direto na cerca, com uma facilidade tremenda forçou o corpo por cima em segundos caiu do outro lado e começou a correr ainda mais rápido, apesar das pernas que doíam muito.

Edward só chegou a olhar para trás quando estava bem longe da cerca, pelo jeito tinha despistado o homem, ainda alerta, se o homem aparecesse, rumou para sua casa.

A rua da sua casa, como todas as outras, estava fazia, mas Edward permaneceu alerta, não conseguia tirar da cabeça a força daquele homem de dois metros se ele aparecesse de novo Edward não tinha certeza se conseguiria escapar de novo.

Depois de muitos olhares desconfiados para as sombras, Edward chegou à porta da sua casa, pegou seu chaveiro rapidamente abriu a porta e entrou. Finalmente estava a salvo.

Edward passou pelo hall de entrada e chegou na sala, lá estava seu pai, sentado no sofá de estofado amarelo. Ele fumava um cigarro e conservava no rosto uma cara de preocupado, ele ergueu os olhos e percebeu que Edward estava lá, parado na porta da sala. Levantou-se depressa e abraçou o filho.

- Que bom que você está bem Ed.

- Pai corta essa. – Disse Edward tentando escapar do forte abraço do pai. – O que está acontecendo?

O pai de Edward o soltou, acendeu outro cigarro e foi se sentar no sofá de estofado amarelo.

- Edward você corre perigo.

Edward olhou desconfiado para o pai, seu pai disse aquilo tão rápido e sério que parecia uma brincadeira. Mas não podia ser brincadeira, Edward sabia que seu pai não era uma pessoa de brincar com essas coisas. Além disso ,ele tinha certeza que aquele homem de dois metros que enfrentara há minutos atrás não era apenas um contratado do João do minimercado.

- Como assim eu corro perigo? Mais importante por que eu corro perigo?

O pai de Edward se mexeu no sofá de estofado amarelo, estava obviamente desconfortável.

- Edward, o planeta Terra está sofrendo uma colonização.

Edward não aquentou, interrompeu seu pai.

- Colonização? Que nem aquelas dos livros de história?

- Mais ou menos filho. É quase o mesmo sistema; uma civilização mais poderosa explorando uma civilização mais fraca. - O pai de Edward olhou no rosto do filho. – Mas a grande diferença é que dessa vez a colonização é extraterrestre.

O pai de Edward deu um tempo para o filho absorver a notícia que, na verdade, só serviu para Edward ficar ainda mais confuso.

- Colonização extraterrestre. – Berrou Edward inconformado. – Como assim por quem?

Edward não precisou que seu pai respondesse a pergunta, já sabia as resposta, tinha visto na TV como o resto do mundo.

Edward olhou assustado para o pai que assentiu com a cabeça.

- Os homens cinzas. – disse Edward quase perdendo a voz.

- Correto – disse o pai de Edward como se o filho tivesse acertado a resposta de um jogo. – Mais exatamente estamos sendo colonizados pelos corotenianos, habitantes do planeta COROT 7 b, ou seja, aqueles homens cinzas.

- Péra aí – disse Edward, percebendo que algo estava errado. – O que isto tem a ver com eu correr perigo?

O pai de Edward que já tinha impressionantemente acabado com um cigarro acendeu outro.

– Edward lembra que a colonização deu início a vários mercados qual era o mais lucrativo deles?

Edward pensou, estava forçando sua mente agora mais que forçara em todos os anos de escola.

- Mercado de escravos.

- Exatamente filho.

- Péra aí pai, não me diga que...

- Sim filho, os humanos estão sendo caçados para virar escravos nesse exato momento.

O choque daquela notícia foi tão grande que Edward sentiu as pernas tremerem. Não acreditava que estava vivendo aquilo, um cenário perfeito de ficção científica, não era ele que corria perigo, o mundo corria perigo. Edward virou-se para o pai que fumava seu cigarro.

- Agora chegamos ao ponto onde você corre perigo.

Edward se assustou.

- Como assim onde eu corro perigo, o mundo inteiro corre perigo.

- Não Edward, só os escolhidos correm perigo os outros apenas vão desfrutar das maravilhas tecnológicas dos corotenianos.

- Escolhidos?

- Sim – disse o pai de Edward acendendo outro cigarro, mais alguns acabava o maço. – Eles não vão atrás de qualquer escravo, vão atrás dos mais hábeis fisicamente ou intelectualmente, ou seja, os que ouviram o estranho barulho de explosão de ontem.

- Realmente eu ouvi o barulho. Mas só por causa disso sou mais hábil para ser escravo? – Edward estava indignado. – Isso é ridículo. Para começar como eles vão saber quem ouviu os barulhos?

O pai de Edward se levantou do sofá de estofado amarelo.

- Acredite em mim Edward, eles sabem.

Edward pensou no grande homem que tentou levá-lo, aquele seria um mercador de escravo, mas ele parecia um humano, tirando o corpo que parecia mais de robô.

- Como são os mercadores de escravos?

- Igual a um coroteniano comum.

Edward pensou no homem, realmente a única semelhança era o tamanho.

- E você acha que tem jeito deles se disfarçarem de humanos?

- Nunca ouvi fala deles se disfarçarem Edward, mas com a tecnologia deles é bem possível. – Dito isso o pai de Edward pôs a mão no ombro do filho. – É importante que você entenda que eles são muito perigosos, se colocarem a mão em você não tem escapatória.

Edward olhava para o pai que estava com uma expressão muito cansada e preocupada.

- Por isso Ed, não saia de casa. Aqui é seguro.

O pai de Edward soltou o filho e rumou em direção à porta. Edward ainda estava com a cabeça cheia, mas ainda não sabia como o pai sabia de tudo aquilo.

- Peraí pai como você sabe de tudo isso?

O pai de Edward não respondeu virou a maçaneta e abriu a porta.

- Pai. – Berrou. – Pai. Você não acabou de responder minhas perguntas. Pai caramba, aonde você pensa que está indo?

O pai de Edward parou na frente da porta aberta, virou apenas o rosto que sorria inocentemente.

- Tentar salvar o mundo.

E saiu deixando Edward muito mais confuso. Como assim ele iria salvar o mundo, o que ele estava pensando? Edward olhou para o sofá de estofado amarelo e o chutou com toda sua força, rasgando o estofado. Sentou no chão e colocou a cabeça entre as mãos. Tinha muito no que pensar.

Augusto Ferreira
Enviado por Augusto Ferreira em 22/02/2011
Código do texto: T2807623
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