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Avesso e diverso

posso muito bem ser avesso
ou ser bem diverso e também desconversar
- ser ave de gesso

posso alçar vôo só num verso lento
um verso devagar de momento
divagar sobre uma nuvem de sentir
ou passar veloz submerso em mim
posso até um que outro divertir
por este ou por aquele fim

bem mais difícil seria divergir
deste outro que me é sem eu ser
deste que é diverso ao meu verso de rimar
deste que se constrói sobre palavras
aversões desassentadas de suas terras

bem mais difícil seria dissecar o espírito ora difuso
enxugar essas letras úmidas de mergulho raso
declinar deste impulso que toma ares alheios
pousar bem no meio deste signo que indica o tesouro

poder não ter certas contradições
mas as contradições certas
poder perder a voz mas não a vez
ser um paradoxo flexível
com loucuras de embriagar
e asas de também repousar

poder até usar a rima
assim, como lazer
poder dizer por cima do pescoço
eu não sou de gesso
escolher que poder mereço
Rômulo Arbo
Enviado por Rômulo Arbo em 07/11/2006
Código do texto: T284836
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Sobre o autor
Rômulo Arbo
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 33 anos
12 textos (472 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 16:14)