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A Arca de Zândrus - Vol. 1 - O Guardião - Capítulo 6

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Capítulo 6
AS ESCADAS DE KIRA

A chuva continuava, mais forte, tornando todo o terreno um imenso lamaçal que acabava retardando os passos do grupo, o qual ainda estava dentro do bosque. Volano seguia na frente, juntamente com Meliel.

– Agora não teve como você escapar de um banho, Tóro! – brincou Cogles.
– Volano, você não pode dar um jeito nessa chuva? – perguntou Roguinil.
– Tenho poderes sobre o Elemento do Ar, não sobre o Elemento da Água. – respondeu o mago.
– Alguém poderia me explicar melhor esse negócio de demônio? – pediu Síva.

Kalena fez um ar zombador. A caçadora de recompensas aproximou-se da princesa como que a desafiasse para um combate corporal. Mas, depois de ver os dois palmos de mão a mais em altura que a dilamésia tinha, resolveu afastar-se. A jovem bruxa sentiu algo estranho em sua cintura e percebeu que o Tripon havia sumido. Procurou pelo chão e não o encontrou. Quando se virou para Síva, viu que a mesma contemplava a Arma. Kalena ergueu sua mão com a luva e atraiu o Tripon. A caçadora apenas sorriu-lhe.
Cogles aproximou-se de Síva e começou a contar-lhe toda a história da Arca.

– Há muitos anos, um demônio, esse tal de Guardião, que é a sombra que você viu, saiu do Portal de Roncox e começou a trazer outros demônios do Mundo das Trevas. Três deles foram presos nos Templos Sagrados. Um poderoso mago, Zândrus, criou essa Arca, que é melhor que os Templos, para aprisionar o Guardião. Tudo ficou bem até você aparecer e libertar o Guardião, que agora pode libertar os demônios presos nos Templos e abrir o Portal de Roncox para que outros entrem em nosso mundo.
– Espere um instante! Não me culpe por nada disso! Se esse mago, o Zândrus, era tão poderoso assim, por quê ele não destruiu o Portal ao invés de criar essa Arca?

Cogles parou por um instante. Refletiu e chegou à conclusão de que aquela pergunta era pertinente.

– Você tem razão... Volano, por quê aprisionar o Guardião na Arca se o Portal podia ser destruído?
– Porque, simplesmente, ele não pode. Já se tentou diversas vezes. Diversos magos com diversas magias, fortes guerreiros com poderosas armas. Tentou-se de tudo. O Portal é indestrutível. – respondeu Volano.
– E a Arca? Por que Zândrus, após aprisionar o Guardião nela, não a destruiu? – insistiu Cogles.
– Se a destruísse, libertaria o que estivesse preso. No caso, o Guardião. – afirmou Volano.

O grupo já havia saído do bosque fazia algum tempo. A chuva ficou fraca e logo acabaria. O clima estava frio.

– O inverno está chegando... – observou Tóro.
– Senhores, antes de chegarmos ao Templo, preciso contar-lhes sobre a sua idealizadora. – afirmou Meliel. – Os irmãos Pontrofo foram um trio de poderosos magos que antecederam Zândrus há muitos séculos. Kira, Kerun e Koranus. Kira foi uma das poucas mulheres que ingressaram na vida de magias e foi a mais poderosa de todas. Casou-se com um ferreiro chamado Zilon, o qual mantinha um caso secreto com uma artesã. Essa artesã desenhou o modelo de algumas Armas, que foram confeccionadas por Zilon e encantadas por Kira. As poderosas Armas de Zilon. Quando Kira descobriu a traição de seu amado marido, amaldiçoou-o, transformando-o em pedra e o banindo para uma região ao norte do Castelo Muntal. Lá, Zilon, petrificado, daria origem a uma árvore, também petrificada, para cada beijo que dera em sua amante. Vocês viram a extensão da Floresta Petrificada...
– E o que aconteceu com Kira? – perguntou Kalena, com um ar curioso.
– Trancou-se em casa e amaldiçoou-se. Um degrau de escada surgiria em volta de sua casa para cada vez que lembrasse de seu marido e do ódio que sentira dele ao descobrir a existência de uma amante. Para cada degrau que surgisse, Kira envelheceria um ano, mesmo que se levasse apenas um dia para isso ocorrer. Apenas quando o milésimo degrau surgiu, é que ela foi capaz de perdoar Zilon e livrar-se de sua própria maldição. Morreu solitária, desgastada, desafiando várias leis do cosmos, mas livre de qualquer rancor. – respondeu Meliel.
– Mas os degraus não ficaram livres do ódio e da mágoa de Kira. – completou Volano. – Eles estão cheios de pensamentos rancorosos...
– E o que aconteceu com a artesã? – indagou Síva.

Os magos entreolharam-se.

– Morreu. – respondeu Meliel.
– Não exatamente... – contestou Volano.
– Como assim? Morreu ou não morreu? – perguntava Síva confusa.

Os magos baixaram os olhos e continuaram a caminhada sem dizer mais nada. O grupo chegou ao topo de um monte, de onde o Templo de Kira podia ser avistado.

– Estamos a poucos minutos agora. Rápido! – ordenou Volano.
– Síva... explique-me uma coisa... Como você conseguiu enganar a magia do salão onde a Arca estava? – perguntou Cogles à caçadora, ambos atrás do grupo, num tom de voz onde os demais não pudessem ouvir.
– Que magia? – sussurrou a caçadora no ouvido do guerreiro.

Cogles olhou incrédulo para aquela jovem. Sim, uma jovem. Não sabiam a sua idade e nem ela respondera ao guerreiro quando este indagou, mas a sua aparência revelava que mal chegara à fase adulta.

– Quer me dizer que você não sabia da magia?
– Não sei do que está falando. – respondeu, aproximando-se do guerreiro.

Cogles percebeu algo estranho. Colocou a mão na cintura. Tomou um susto. O chicote! Olhou e não o viu. Teria deixado-o cair? Procurou à sua volta e não o encontrou.

– Como funciona isso? – perguntou-lhe a jovem, de posse da Arma, tentando manuseá-la.

Cogles aproximou-se e pegou-a de volta.

– Como você fez para entrar na Impenetrável Maravilha? – perguntou, com a cabeça baixa, guardando a Arma na cintura.

O guerreiro não ouvira qualquer resposta e percebeu que a caçadora não estava mais ao seu lado. Olhou para frente do grupo. Não estava lá. Olhou para trás. Nenhum sinal. Deu um leve sorriso, como se já tivesse entendido. Olhou para o alto, na certeza de que Síva estaria, de alguma forma, flutuando. Enganou-se.
“Onde está essa mulher?”, pensou. “Está me procurando?”, ouviu a voz da caçadora. Virou-se para todos os lados, mas nada.

– Tudo bem, você ganhou. Ouço você, mas não te vejo. Já entendi. Você consegue ficar invisível e foi assim que entrou no Muntal e roubou a Arca...
– Invisível? Apenas para olhos desatentos. – respondeu a caçadora.

Cogles deu um pulo de susto. A cabeça da jovem estava numa moita ali próximo.

– Como... como você fez isso!?
– É uma capa feita de pele de camaleão. Com ela, posso ficar camuflada em qualquer ambiente. – falava com todo o corpo descoberto pela capa.
– Incrível! Então... claro! Você foi se esgueirando pelas paredes com essa capa. Escalar a torre não foi nenhuma dificuldade. Por isso ninguém te viu!
– É, foi mais ou menos assim. Mas tinham uns guardas e... Bom, foi divertido.
– Mas... ainda assim, não entendi como você conseguiu entrar no salão...
– Da maneira mais óbvia: abrindo a porta! – respondeu com um leve sorriso.

Volano parou repentinamente. Seus olhos, cerrados, percorriam cada ponto à sua volta. Estavam agora há poucos passos do Templo. “Ali!”, gritou o Mestre dos Magos ao avistar uma sombra passando rapidamente rumo às escadas frontais.

– Ele está aqui! Vamos! – ordenou.
– Um momento, meu amigo. Quero reforçar a todos do perigo que encontraremos nessas escadas. Eliminem de suas mentes qualquer ódio, rancor, desejo de vingança, frustração, mágoa. Os degraus podem ver dentro de vocês e usar seus próprios sentimentos como um meio para conduzi-los à morte. Qualquer coisa que venham a ver ou ouvir, será sua própria raiva personificada. Terão de ser fortes para combaterem a si mesmos. – alertou Meliel.
– Vamos logo pegar esse demônio e botá-lo dentro da Arca! – esbravejou Tóro, erguendo sua mais recente arma, o braço do ser de pedra.
– Há mais uma coisa! – interrompeu Volano. – Isso é válido para meu filho, Meliel e sua aluna. O Guardião é um demônio. Apesar de fraco se comparado a outros, ainda assim é um demônio. E como tal, possui uma característica universal aos seres das trevas. Eles sentem quem é que se envolve com magia. Não importa se ainda é um aprendiz ou se é um Mestre dos Magos. Eles têm um incontrolável impulso, um inevitável desejo de nos matar. Sentem que somos uma ameaça. Deixariam qualquer coisa de lado para vir em nossa direção e nos eliminar. O Guardião é um espectro, e como tal não tem matéria, não pode tocar nem ser tocado. Não é capaz de fazer nenhum mal a nós. Mas... caso ele... caso ele consiga... libertar Gorak... Tenham cuidado! – informou o mago, baixando os olhos com essas últimas palavras.

O Templo de Kira era formado por um conjunto de cinco escadas, cada uma com duzentos largos e compridos degraus. O aglomerado de escadas convergia para uma casa de quatro andares no alto de uma colina. Tanto as escadas quanto a própria casa eram feitas de uma pedra levemente esverdeada. O que já foi a moradia de Kira possuía uma porta de madeira escura no primeiro andar e duas janelas, da mesma madeira, em cada uma das quatro paredes, em todos os andares.
O grupo alcançou o primeiro degrau da escadaria frontal. Meliel aconselhou que deveriam manter-se unidos, ao invés de percorrerem separadamente as escadas.

– Já que é perigoso passar por esses degraus, por que vocês não levitam a todos nós, como fizeram com a jangada?
– Somos muitos. Precisamos poupar cada fragmento de energia para nos mantermos alertas caso o pior aconteça, senhor Cogles. – respondeu o Mestre.

Volano foi o primeiro a colocar seu pé no degrau. Olhou à sua volta. Apenas uma leve brisa naquela noite pouco iluminada pela lua crescente. Deu o segundo passo e começou a subir a escada, sendo seguido pelos demais.
Por um instante, Kalena tivera a impressão de ter visto a sua irmã Katrina quando olhou para trás, em direção a Síva. Após piscar os olhos várias vezes, constatou que era um mero engano.
Cogles estava ao lado da caçadora de recompensas. Para ele, Roguinil parecia, de costas, com um falecido irmão seu.
Tóro olhava diversas vezes para Valmiro, mas só conseguia ver nele as feições do rei Endoro.

* * * * *

Volano, após ter ultrapassado cinqüenta degraus, olhou para o filho, que se mantinha logo atrás.

– Você tem se mostrado bravo e resistente, meu filho. Estou orgulhoso de você. Sua mãe também teria orgulho...

O jovem olhava estranho para o pai. Aquelas palavras soavam-lhe como um deboche.

– Eu nunca a conheci... – disse o jovem. – Você nunca me contou nada sobre ela. Nunca me disse se ela está viva ou morta. Nunca me disse seu nome, nem quem ela é... ou era...

O mago olhava surpreso para o filho.

– Controle-se, Valmiro. São os degraus. Seja mais forte do que eles!
– Você não sabe o que é crescer sem uma mãe. Você não sabe o que é ver todos os seus colegas terem uma mãe, menos você! Vê-los sendo cuidados por elas, chamados por elas para o banho, para uma refeição, para um carinho. Você não sabe o que é sentir-se um estranho!
– Tudo isso eu lhe dei! Não lhe faltou nenhuma dessas coisas! Não há por que ter se sentido diferente dos outros garotos!
– Mas faltou-me uma mãe! Você não me deixou ter uma mãe! Você não me deu essa escolha!
– Já lhe disse que um aspirante a feiticeiro deve ter absoluta dedicação aos seus estudos! – esbravejou o mago.
– Por isso não ficou com ela, não foi? Apenas fez um filho nela e a abandonou, como se fosse uma coisa, um objeto, um lixo! – o rapaz esbravejava furiosamente.
– Eu não fiz isso! – gritava Volano, como nunca fizera com o filho.
– Sim, você fez... – interrompeu Meliel.
– Meu amigo, são os degraus...
– Não me chame de amigo!!! Não depois do que você fez comigo!!!
Volano não entendia uma palavra sequer do que o mago lhe dizia.
– Não se faça de desentendido. Você a tirou de mim! – gritava Meliel, com os punhos cerrados.
– O que... o que você está falando?
– Estou falando de Zadhima, a mãe de Valmiro, a mulher que eu amava e que você tirou de mim!
– Você a amava?! – expressou Volano, após surpreender-se com a revelação do amigo.
– Sim, eu a amava! Eu a cortejava! Eu tinha planos de uma vida com ela! Com Zadhima e com nossos futuros filhos! Mas você se aproveitou daquela minha viagem às Terras do Sudoeste para seduzi-la e tirá-la de mim!
– Você conheceu a minha mãe?!
– Sim, eu conheci. Era uma das mais belas mulheres que eu já tinha visto. Mas seu pai a roubou de mim! A seduziu e aguardou o momento do seu nascimento para mostrar o que ele verdadeiramente queria com ela: nada. Nada além de um herdeiro para perpetuar seu maldito sangue!
– Eu não sabia dessa sua paixão por Zadhima! Agora entendo o motivo de você ter se afastado de mim... Se eu soubesse... Jamais colocaria em risco uma amizade, especialmente a sua! Mas... entenda... eu também me apaixonei por ela!
– E a deixou! Você simplesmente a deixou, não foi? – gritava Valmiro.
– Sim, a deixei! – Volano estava irritado. – Mas também deixei toda uma vida gloriosa por causa de você! Por sua causa, abandonei trabalhos! Para dedicar-me a você, abandonei novos estudos! Abandonei o sonho de tornar-me o mais poderoso mago de toda Fesgra, de toda a história, até mesmo mais poderoso do que Zândrus foi! – o mago se exasperava. – Por você, deixei tudo de lado. Abdiquei de qualquer coisa que pudesse ocupar o meu tempo ou me impedisse de lhe ensinar, de lhe educar, de lhe preparar... de me dedicar à você!
– Não... não... em nenhum momento você pensou em mim! Só pensou em você mesmo! Eu te odeio por isso!

* * * * *


Cogles olhava na direção de Roguinil, mas só conseguia ver a imagem do seu irmão.

– Brengon? É você? – o guerreiro olhava incrédulo. – Não pode ser, você está morto! Eu vi você morrer nas mãos daqueles soldados!

O olhar do guerreiro parecia estar fazendo uma viagem no tempo, retornando ao momento em que vira o irmão sendo brutalmente esfaqueado por soldados dilamésios.

– Por todos esses anos, não houve um só dia em que eu tenha lamentado. – Cogles já estava com lágrimas nos olhos. – Lamentado por eu mesmo não tê-lo matado, seu traidor! – sua tristeza transformara-se em raiva. – Por sua causa, nós perdemos! Você procurou o rei Endoro e avisou-lhe dos nossos planos de unificar os pequenos povoados em um reino. Um grande reino capaz de fazer frente à tirania de Dilames!

O guerreiro tentava se acalmar. Respirou profundamente. Mas as imagens não saíam de sua mente.

– Você disse onde guardávamos nossas armas, nossos mantimentos. Por sua causa, nossas mulheres e crianças foram massacradas naquela noite... – Cogles soluçava e ajoelhou-se no chão. – Não sobrou quase nada... vilas inteiras foram queimadas, muitos homens foram esquartejados e seus pedaços arrastados pelos cavaleiros de Endoro por todo o sudeste de Fesgra!

O líder militar da Federação de Povoados estava miúdo, recolhido, inconsolável.

– E você fica aí calado! Não vai me dizer nada? Nem mesmo agora? – fez uma pausa. – O que teria a dizer? “desculpe por eu ter desonrado nosso povo”? Eu impedi que nossos homens matassem você quando descobriram da sua traição. Mas me arrependo profundamente disso! Eu mesmo devia tê-lo matado!!!

* * * * *

Roguinil sabia que era Cogles quem estava ali, mas a imagem que via era a de seu tio.

– Tio Sorbo! É você?
– Sim, Roguinil, sou eu. Vim aqui para dizer-lhe que desista dessa jornada. Volte para casa.
– Não, não é real. São os degraus... Meliel avisou-nos.
– Seu pai vivia dizendo o quanto você é teimoso. Nunca ouve ninguém. Se tivesse ficado com eles ao invés de ir lutar contra Endoro...
– Eu fiz o que tinha de fazer! Precisava ajudar nossos homens. – o kan-potrense irritou-se. Tentou se acalmar. – Mas, realmente, se eu tivesse ficado... talvez você não tivesse a oportunidade de assassiná-los!
– Sim, eu os matei!
– Você aproveitou a minha ausência, os matou e tornou-se rei, já que eu ainda não tinha idade para isso.
– Sim, e você continuou liderando tropas contra Endoro...
– Aí você fez um acordo com ele, não foi? – o príncipe esbravejava. – Mudou nossas leis para que eu só possa assumir o trono quando você morrer! E com isso ordenou que nossas tropas abandonassem o campo de batalha. Endoro reconheceu imediatamente você como o novo rei de Kan-Potras. Você traiu nosso povo! Vendeu nossa independência pela coroa!
– Sim, eu fiz tudo isso. E o que você fará agora?

* * * * *


Por mais que não quisesse acreditar em seus olhos, Kalena só via sua irmã Katrina toda vez que olhava para Síva. “São os degraus, são os degraus, isso não está acontecendo, são os degraus...”, repetia para si mesma, tentando convencer-se de que aquilo era irreal.

– Vai fugir de mim?

A princesa espantou-se ao ouvir aquela voz. Ver a imagem de sua irmã já era um absurdo, ouvir a sua voz, então, era uma loucura! Virou-se e confirmou suas suspeitas.

– Você sempre faz isso. Sempre foge de mim. Do que tem medo, minha querida irmã?

Kalena não respondeu nada. Sua respiração estava ofegante. Olhava ao redor, mas não via mais ninguém além de Katrina. Tentava concentrar-se de que aquilo não passava do efeito da escada, que não era real, mas seus sentimentos de rancor com a irmã lhe eram mais fortes.

– Fraca... É isso que você sempre foi, uma fraca. Por isso eles preferem a mim.

Kalena se esforçava para não ceder à provocação.

– Foi assim com Mendeluke. E agora, o príncipe Roguinil. Você viu a maneira como ele me olhou? Quando vocês voltarem, ele virá correndo para os meus braços e será meu, como Mendeluke foi, como todos os outros foram.
– Você nunca gostou de Mendeluke. Só o quis por que eu estava me envolvendo com ele. Ele e todos que o antecederam! Você nunca gostou de nenhum. Só queria competir comigo, mostrar que podia tirá-los de mim! – esbravejava Kalena.
– E você, afinal de contas, acabou ficando sem nenhum deles. E acabará ficando sem o príncipe também! Curioso... a mesma espada que o príncipe carrega agora já foi um dia de Mendeluke... e já foi um dia de outros guerreiros... Será que você só se apaixona por homens que portem essa Arma?
– Você não é real!
– Mas a sua raiva por sua irmã é. O que você vai fazer? Continuar perdendo para ela?

* * * * *

Tóro achou que Valmiro ficara mais alto de repente. E suas roupas também haviam mudado. Agora trajava as mesmas vestes que o rei Endoro. O bárbaro correu em sua direção e pôde confirmar suas suspeitas. Não era Valmiro, mas sim o próprio monarca de Dilames quem estava ali à sua frente.

– Rei Endoro!? O que está fazendo aqui?
– Vim ter a certeza de que cumprirá a sua parte em nosso trato.
– Eu sempre cumpro a minha palavra! Ao contrário de você! Você prometeu atender os parolers para negociar a nossa independência. Mas o que fez foi prendê-los e nos deixar sem notícias. E naquele dia eu estava em outra missão diplomática, com outro reino...
– Estava ganhando tempo...
– Sim... enquanto nós aguardávamos uma resposta de um possível acordo, você preparou um exército e invadiu nossas terras. Destruiu plantações, dizimou cidades, matou jovens, mulheres e crianças que não sabiam se proteger! Você mostrou toda a crueldade que um dilamésio pode ter!
– Sua raiva por mim nada tem a ver com o que fiz ao seu povo. Seu ódio nasce da perda de sua mulher e filhos.

O gigante xetriquênio, que sempre gritou aos quatro cantos do mundo que nada o derrubava, parecia perder o equilíbrio. O ar não vinha aos seus pulmões. Caiu de joelhos nos degraus, largando o braço de pedra. Seus olhos pareciam uma cachoeira de tanto que jorravam lágrimas.

– Minha amada Miriella... meus amados filhos... incendiados em nossa própria casa... A vila em que estavam não tinha nenhuma importância militar ou econômica, mas ainda assim suas tropas a destruíram.
– Eu mandei que matassem a sua família.

O bárbaro olhava com toda a sua fúria para a figura do rei Endoro.

– Você tem a chance de vingar-se, agora mesmo. Então, o que está esperando?

* * * * *

Síva parou de subir os degraus ao notar que todos à sua volta estavam com atitudes estranhas. Meliel discutia com Volano, que discutia com ele e com o filho; Cogles e Roguinil faziam o mesmo; Tóro ajoelhava-se próximo de Valmiro e chorava como nunca vira alguém fazê-lo; Kalena estava logo à sua frente, e também lhe dizia uma série de palavras que a caçadora não via nenhum sentido.
Mais adiante, pôde ver três outras pessoas. A imagem estava um tanto turva, mas conseguiu perceber que eram duas mulheres e um homem. Uma delas tinha longos e ondulados cabelos verdes, pele clara, olhos também verdes e uma vestimenta longa e folgada, também verde. Parecia flutuar e suas vestes e cabelos estavam esvoaçantes. A outra, de cabelos longos e compridos, também de pele clara, olhos negros e roupas simples, estava caída ao chão, ao lado de um homem robusto, cabelos ruivos e abundante barba, também ruiva. Ambos pareciam temerosos com a presença da outra mulher.

* * * * *

– Você nunca amou Zadhima. Tirou-a de mim. Tirou a oportunidade de eu ter uma família e ser feliz. Valmiro podia ter sido o meu filho ao invés de seu, assim como a mãe dele podia ter sido a minha mulher!
– Já chega desses insultos! – gritou Volano com os olhos azulados, provocando uma rajada de vento que derrubou o amigo.

Meliel, no chão e de olhos esbranquiçados, apontou o seu cajado para Volano, que ficou preso em um recipiente de vidro.
– Pensa que isso pode me prender? Não é mais forte do que eu. Sempre soube que você nutria uma certa inveja de mim, das minhas qualidades. Mas não sabia que desejava tomar o meu lugar! – gritava, enquanto tornava seus olhos violetas, criando um círculo da mesma cor em torno de si, que se expandiu até estourar o recipiente.

Os pedaços de vidro espalhados voltaram a se juntar e a formar o recipiente, aprisionando novamente o Mestre dos Magos, que, mais uma vez, o estourou com seu círculo violeta. Mas a cena se repetiu.

* * * * *

Cogles pegou o chicote e preparou-se para um ataque.

– Mate-me! Liberte o ódio que guarda há tanto tempo... – dizia a figura de seu irmão.


Roguinil olhava fixamente para a imagem de seu tio, empunhando a espada.

– Mate-me! Liberte o ódio que guarda há tanto tempo... – dizia a figura de Sorbo.


Tóro levantou-se e pegou o braço de pedra.

– Mate-me! Liberte o ódio que guarda há tanto tempo... – dizia a figura do rei Endoro.

* * * * *

Kalena pegou o Tripon.

– Mate-me! Liberte o ódio que guarda há tanto tempo... – dizia a figura de sua irmã.

A princesa preparou-se para arremessar a Arma em direção a Katrina.
Síva, que estava atenta à cena com aquelas três pessoas, percebeu o movimento da princesa para arremessar-lhe o Tripon. A Arma chegou a cortar uma mecha do já curto cabelo da caçadora, que se desviou rapidamente da trajetória.
O Tripon retornou à mão de Kalena, que já se preparava para um novo ataque. Síva pegou a corda de seu cinto e jogou-a na princesa. A corda, como se estivesse viva, enrolou-se no corpo da dilamésia, prendendo suas mãos e pernas, derrubando-a no chão.
A caçadora abaixou-se ao lado da princesa, que esbravejava palavras de morte. Síva deu-lhe um tapa no rosto, e mais outro, e mais alguns até que a jovem pareceu despertar de um transe.

– O que houve? – perguntou, após ver-se amarrada no chão.
– Parece que os degraus dominaram seus pensamentos. Você me atacou!

As duas perceberam algo sendo arremessado por trás. Tóro acertara Valmiro com o braço de pedra. Síva desamarrou Kalena, a qual impediu que o bárbaro esmagasse o rapaz.

– Tóro! Tóro! Não é real! Seja lá o que for, não é real. Aquele é Valmiro! Olhe bem, é Valmiro!

O xetriquênio demorou em voltar a si. A princesa sentou-se ao lado do jovem bruxo para verificar como ele estava.
Cogles conseguiu prender a espada de Roguinil no chicote, mas o príncipe deu um impulso com as mãos e acabou arrancando a Arma do guerreiro. Preparava-se para cortar ao meio o corpo do amigo, pensando que fosse seu tio Sorbo, quando Síva deu-lhe um empurrão. Foi a oportunidade que Cogles teve de recuperar o chicote e partir para cima de Brengon.

– Estou precisando de ajuda aqui! – gritou a caçadora para Tóro e Kalena.

O xetriquênio correu e pulou em cima de Cogles. A princesa usou telecinese para levantar o kan-potrense no ar. Desse jeito, nem ele atacaria ninguém nem ninguém conseguiria atacá-lo. Com um certo esforço, conseguiram fazer com que os dois voltassem à consciência.
Restavam os magos. O combate dos dois iluminava a escadaria com todos aqueles raios brancos, vermelhos, azuis e violetas. Elementais de fogo criados por Meliel eram rapidamente desfeitos com o sopro de elementais de ar criados por Volano. Este, ainda não conseguira livrar-se do recipiente de vidro.
Cada magia que um utilizava era desfeita pela magia do outro. Um duelo que parecia que não haveria vencedores.

– Eles vão se matar! As magias de cada um são muito poderosas! – gritava Valmiro para Kalena. – Temos de interferir!
– Quem é que vai ter coragem de entrar no meio disso aí? – comentou Síva.

O Mestre dos Magos, parecendo estar cansado de destruir o recipiente de vidro e vê-lo se refazer, concentrou toda a sua força, toda a sua energia e seus olhos tornaram-se amarelados. De repente, sumiu.
Reapareceu fora do recipiente, frente a Meliel. Ambos prepararam seus cajados para um ataque que poderia ser o último. Síva usou o bracelete da mão direita. Uma pequena flecha surgiu em um dos três encaixes e disparou rumo aos magos, atingindo o degrau onde estavam, e explodiu, arremessando-os um para cada lado.
Volano foi o primeiro a voltar à consciência.

– Meliel... o que fizemos? Deixamos que esses degraus tomassem conta de nossas mentes!
– Quase nos destruímos...
– Não só vocês, mas todos nós também tivemos nossos problemas. Eu ataquei Síva, Tóro atacou Valmiro, e Roguinil e Cogles quase... – Kalena interrompeu suas palavras com um suspiro.
– O ódio de Kira por Zilon está impregnado nesses amaldiçoados degraus até hoje. Por isso o Templo não é utilizado para cerimônias. Serve apenas para manter Gorak aprisionado. – explicou Meliel.
– Depois poderemos conversar mais sobre essa experiência... – falava Volano, ofegante. – Agora, precisamos correr atrás do Guardião. – ordenou.
– E ainda chamam isso aqui de templo... – ironizou Síva.

O grupo rapidamente subiu os últimos degraus daquela escada, chegando a um largo passeio frente à porta da casa de Kira.

– Deve estar trancada... – falou Kalena.
– Isso não é problema! – afirmou Tóro, empunhando o braço de pedra e acertando a porta, derrubando-a.
– Não precisava disso, bárbaro! Uma simples magia resolveria. – chateou-se Meliel.

Volano foi o primeiro a adentrar. Um espaçoso salão era o primeiro ambiente da casa de quatro andares. Nos dois lados, duas escadas levavam a um comprido corredor no segundo piso. Em uma outra parede, uma porta. Por todos os cantos, quadros com pintura eram a única decoração. Todo o espaço estava tomado pela escuridão, mas Kalena providenciou a iluminação necessária.
O Mestre dos Magos pôde perceber o Guardião no segundo pavimento, atravessando portas, entrando e saindo dos cômodos.

– Ele não sabe onde Gorak está preso... Está procurando... – sussurrou.
– E onde está, afinal? Aqui não é o Templo de Kira? – perguntou Roguinil no mesmo tom de voz.
– A prisão de Gorak fica no último andar. Mas acho que o Guardião não sabe disso. – respondeu o mago.

De repente, o Guardião parou e olhou em direção ao grupo. Kalena aumentou a iluminação para melhor visualizar o demônio. Como Meliel afirmara, não passava de uma sombra que flutuava a poucos centímetros da superfície. Sem feição, sem nenhum detalhe. Apenas uma mancha negra com o formato de uma pessoa comum.
O Guardião deslizou rapidamente pelas escadas e foi de encontro a Volano. Passava suas mãos pelo mago, como se quisesse pegá-lo, mas não obtinha qualquer êxito.

– Pegue a Arca. – sussurrou o Mestre.

Síva, evitando movimentos bruscos para que o demônio não percebesse o que estavam prestes a fazer, pegou por trás da sua capa o saco que continha a Arca, retirando-a de dentro.

– E agora? – perguntou num tom de voz quase imperceptível.
– Coloque-a no chão. Afastem-se todos. – pediu Volano.

Valmiro afastou-se depressa demais e o Guardião, como se estivesse desconfiado, retirou-se, voltando para as escadas e para o segundo andar. O mago olhou furioso para o filho.

– Você pode ter nos tirado a única oportunidade de aprisionar o Guardião! – esbravejou. – Sabe o quanto é difícil capturar um espectro? É como se fosse uma sombra! Como se pega uma sombra?
– Calma, feiticeiro, calma... Nem tudo está perdido.  – Síva tentava acalmar o Mestre dos Magos. – O Guardião é como se fosse uma sombra, não é? Talvez dê certo...

A jovem retirou a sua capa, que começou a ficar de um preto translúcido e a ganhar membros.

– Vai lá menina, pega ele!

A capa da caçadora voou rumo ao Guardião e conseguiu segurá-lo por trás. O demônio balançava-se na tentativa de livrar-se da capa, o que conseguiu. Mas o artefato mágico de Síva era insistente e corria atrás do espectro por todo o segundo andar.

– Rápido, traga a Arca! – falou Volano para Meliel, subindo as escadas.

A capa da caçadora pegou o ser das trevas pelos membros superiores e arremessou-o para a janela, que estava fechada. O espectro a transpôs.

– Vai atrás dele! – gritou Síva para a capa.

 Volano e Meliel desceram a escada e correram para o passeio na entrada da casa, onde o restante do grupo já se encontrava. O Guardião e a capa trocavam murros e pontapés, se embolando escadaria abaixo.
O Mestre dos Magos colocou a Arca no chão, com a frente voltada na direção do demônio, e começou a proferir uma série de palavras totalmente estranhas até mesmo para Valmiro, erguendo seus braços e segurando o cajado.
Olhou para a lua e esta começava a ter um contorno violeta. Mas isso não era resultado da magia que estava sendo invocada pelo mago. A noite alcançara o seu ponto máximo e os poderes do Guardião também. Na região onde estariam seus olhos, surgiram dois grandes círculos recheados com um violeta intenso.
O vento parou e as nuvens no céu pareciam estar estacionadas. A lua já estava totalmente tomada pelo violeta. Volano parecia apressar-se. Os olhos da face de demônio da Arca tomaram a mesma coloração e as suas mandíbulas começaram a se expandir. Espantosamente, a pequena caixa metálica também começou a se expandir, ganhando proporções maiores.

– Ah!... Agora, sim... Está começando a parecer uma arca! – admirou-se Cogles.

Um rugido demoníaco foi ouvido e logo depois um estrondo. Um gigantesco e grosso bloco de rocha desgrudou-se da parede do último andar e começou a cair em direção ao grupo. O Guardião parecia olhar para Volano, que não se desconcentrava.
Tóro preparou-se para amortecer com as suas mãos o objeto que parecia pesar mais de meia tonelada.
Menos de vinte metros separavam o pedregulho e o grupo.
À exceção do xetriquênio e de Volano, os demais desceram quase que se embolando pela escadaria, para não serem atingidos pelo rochedo. Por sorte, acabaram não sofrendo as tormentas da maldição. Ao atingirem o terreno embaixo, puderam avistar no buraco que ficara na parede do quarto andar. Dele, saía um ser de pele enrugada em tom verde musgo, com algumas manchas negras espalhadas pelo comprido corpo. Era Gorak abrindo gigantescas asas e expondo um alongado, curvado, grosso e pontiagudo chifre na fronte de sua cabeça.
 O Mestre parou o que fazia e olhou para os outros, percebendo seus semblantes apavorados. Entendeu o que acontecera. A capa de Síva largou o Guardião e retornou às mãos de sua dona. O espectro, que parecia exausto, esgueirou-se pelos degraus da escada lateral.
Tóro já podia sentir a rocha na ponta de seus dedos. Gorak saltou do alto do Templo e caiu em cima do rochedo que se desprendera, o qual atingiu o solo com tanta força que chegou a formar uma nuvem de poeira. Agora era possível ver a cauda grossa do demônio, que não era muito comprida e tinha uma extremidade triangular, com um pontiagudo chifre de um amarelado claro em cada vértice.
Os olhos de Valmiro encheram-se de lágrimas. Seu pai ficara embaixo do bloco de pedra, assim como Tóro. O corpo do jovem bruxo parecia enraizado no chão tamanha era a dificuldade que Meliel estava tendo para tirá-lo dali, puxando-o pelo braço. Gorak deu um ensurdecedor rugido, mostrando cada uma de suas presas e avançando em direção aos dois. Kalena disparou o Tripon, o qual cortou um pedaço do chifre curvado de Gorak. Mas isso não fez o ser das trevas interromper sua trajetória.
Pela porta do Templo, saiu Tóro com o braço de pedra empunhado, correndo atrás do demônio. Volano, segurando a Arca, escorou-se na parede, ofegante.
Valmiro, ainda assustado, mas aliviado de ver o pai vivo, concentrou-se e seus olhos ficaram violetas. Da palma de suas mãos, um raio da mesma cor projetou-se em direção a Gorak. Isso apenas diminuiu a velocidade da criatura, que continuava vindo em sua direção, escancarando cada vez mais suas afiadas presas. De repente, o ser parou. Era Tóro. O xetriquênio, que largara o braço de pedra, segurava a fera pela cauda com as próprias mãos.
Cogles lançou o chicote nas patas dianteiras do demônio, prendendo-as. Roguinil correu para cima de Gorak e preparou a espada para cravá-la no corpo da criatura, mas esta bateu as asas, provocando uma pequena ventania e erguendo-se no ar. Tóro e Cogles foram arrastados para o alto, mas este último não suportou a altura e largou o chicote, caindo no chão.
Volano levitou pela escadaria através de telecinese e caiu aos pés do filho, que tentou segurá-lo. O mago estava cansado, ofegante ao falar.

– Estou um tanto fraco... Você terá de aprisionar Gorak... – afirmou, apontando para a Arca.
– Mas eu não sei como fazer isso!
– Eu lhe direi o que precisa fazer...

Roguinil cravou a espada em Gorak, furando sua espessa carcaça. O demônio não teve nenhuma outra reação além de emitir um assustador rosnado. Tóro arrastou-se pela cauda da criatura até onde o príncipe encontrava-se.

– Parece que não sentiu muito a espada entrando em seu corpo... – lamentou-se Roguinil.
– Mas sei de uma coisa que ele vai sentir e muito! – afirmou o bárbaro, esgueirando-se pelo corpo do demônio até a altura do pescoço, fechando o punho e preparando-se para esmurrar.

 Gorak fez um movimento brusco e acabou desequilibrando Tóro, que se segurou em uma das patas dianteiras da fera para não cair. O ser das trevas, ainda no ar, avançou rumo a Meliel e Kalena. O mago criou uma barreira de chamas de fogo, impedindo que a criatura os engolisse.
Valmiro ouvia atentamente as explicações de seu pai. A fera partiu na direção de ambos, mas Síva aproximou-se e começou a disparar diversas flechas de seu bracelete, as quais tinham uma leve explosão quando atingiam a criatura. Mas isso não a desviou de sua trajetória.
Tóro conseguiu voltar ao pescoço de Gorak e, com os punhos fechados, empreendeu uma série de murros. Enquanto o demônio urrava com cada acerto do bárbaro, Roguinil caminhou cuidadosamente até onde o xetriquênio estava e preparou a espada.
Valmiro passou a repetir as palavras que seu pai lhe dizia. Mas não conseguia tirar os olhos de Gorak, que rapidamente deu um giro no ar e derrubou Roguinil e Tóro, que tiveram a queda amortecida pela telecinese de Kalena.

– Concentre-se! – esbravejava o mago para o filho.

O demônio afastou-se, mas retornou numa velocidade incrível, rumo a Valmiro e Volano.

– Rápido, meu filho, concentre-se na magia para aprisionar Gorak!

O jovem bruxo não conseguia mais ouvir as palavras de seu pai. Apenas olhava assustado para aquela gigantesca criatura de esbugalhados olhos amarelados, com inúmeras presas e garras afiadas que vinha em sua direção. Volano ainda sentia-se exausto para tentar o feitiço, mas esforçou-se e entrou em concentração.
A criatura aproximava-se velozmente. Tóro pegou o braço de pedra que deixara no chão e, juntamente com Roguinil e Cogles, correu em direção a Valmiro e Volano. Síva postou-se à frente desses dois e arremessou diversas estrelas cortantes de metal na direção da fera, mas nada a parava.
Quando Gorak finalmente atingiu o solo, Valmiro, Volano e Síva não mais estavam lá. Nem eles, nem os outros.



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Peter Ângelo
Enviado por Peter Ângelo em 27/10/2007
Reeditado em 27/10/2007
Código do texto: T711663

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Sobre o autor
Peter Ângelo
Salvador - Bahia - Brasil, 39 anos
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