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Quanto!!!

“Quantos olhos me perseguem neste litoral...
Quantas frases não são ditas por qualquer razão...
Quantos dias faltam para o Carnaval...
Quantas velas iluminam Minha Conceição...
Quantos gestos calmos se dissimularam...
Quantos pensamentos rasos de absolvição...
Quantos dedos leves me crucificaram...
Quantas feridas sangraram em aluvião...
Quantas mulheres me fizeram esta cicatriz...
Quantos homens as trataram com religião...
Quantas notas devorei como à meretriz...
Quantas súplicas rogadas, alucinação...
Quantos carros pelas ruas com almas solitárias...
Quantos ônibus lotados de fermentação...
Quantos sinais fechados pra nossa desgraça...
Quantos leitos vagos por infecção...
Quantas sobras sobre a mesa e cristais quebrados...
Quantos pedaços de sonhos presos no porão...
Quantas esquinas quebradas no calar da noite...
Quantas gotas derramadas de decepção...
Quantos beijos demorados nesses seriados...
Quantas vidas são vendidas na televisão...

Quantas vezes fiquei calmo pra esconder a dor...
Quantos segundos se passaram desde que eu nasci...
Quantos barcos naufragaram quando o Sol se pôs...
Quantos medos se perderam desde que eu morri...
Quantos quantos!!! Quantos?

Quantas teclas digitadas no mundo fechado...
Quantas palavras sábias sem explicação...
Quantas condutas tortas e desenfreadas...
Quantas brigas aclamadas em hesitação...
Quantos cravos murchos nesta tarde cinza...
Quantos anéis trocados em celebração...
Quantos bancos pela praça servirão de abrigo...
Quantos abrigos são de graça e eles nunca vão...
Quantas flores são pisadas pela estrada a fora...
Quantas músicas cantadas com o suor das mãos...
Quantas peças encenadas em grego e esperanto....
Quantas línguas são faladas pela multidão...
Quantos amigos se comparam e quantos se compraram...
Quantos cálculos precisos pedem atenção...
Quantos erros cometidos e papéis trocados...
Quantos tolos se comovem e expressam seu perdão...
Quantas células tombadas e multiplicadas...
Quantas celas são lavadas dentro da prisão...
Quantos átomos circulam na carne estragada...
Quantas sementes são plantadas pela evolução...

Quantas vezes fiquei calmo pra esconder a dor...
Quantos segundos se passaram desde que eu nasci...
Quantos barcos naufragaram quando o Sol se pôs...
Quantos medos se perderam desde que eu morri...
Quantos quantos!!! Quantos?

Quanta gente, quantos dias, quanta onda, o quanto ardia...
Quanto conto por dez contos, quantos quantos pra contar...
Quanto vício, hipocrisia, quanto tédio e rebeldia...
Quanto fogo, quanta zona, quanto enquanto quando dá...”
(Sérgio Santos)
Serginho Maresias
Enviado por Serginho Maresias em 23/04/2006
Código do texto: T143702
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Sobre o autor
Serginho Maresias
Recife - Pernambuco - Brasil, 40 anos
14 textos (417 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/12/16 22:51)
Serginho Maresias